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Dora Morelenbaum equilibra Pique entre o coração e o tesão – 11/11/2024 – Ilustrada

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Leonardo Lichote

A sensualidade elegante, o calor “cool” que dá o tom de “Pique”, primeiro álbum solo de Dora Morelenbaum, aparece já na faixa de abertura, a balada jazzy “Não Vou Te Esquecer”.

Essa atmosfera vai se desenrolando, ganhando camadas ao longo das faixas seguintes, até chegar na última, “Nem Te Procurar”. Com alguns segundos de audição, percebe-se que a canção é a mesma do início do disco, mas com outro nome e outro “mood”, num arranjo de disco music.

“Não vou te esquecer, nem te procurar”, diz o refrão de onde foram tirados os nomes das duas faixas —o que diferencia o espírito delas é a parte da frase que o eu-lírico enfatiza. A repetição da canção é motivada pelo desejo de pôr na rua os dois arranjos que ela e a banda, ao lado da produtora Ana Frango Elétrico, tinham desenvolvido, sem precisar optar por um ou outro. Mas Dora explica que há mais do álbum que se revela aí.

“Essa dualidade dá a cara do disco”, diz a cantora, que assina a coprodução do álbum. “A gente gostava muito das duas versões, e aí num ensaio a gente se deu conta de que elas falam de lados diferentes do disco.”

É uma boa forma de entender “Pique” e sua musicalidade que se equilibra entre coração e tesão. “A balada contém tesão também, né? Mas, enfim, são tesões diferentes”, diz Dora.

“Não Vou Te Esquecer”/ “Nem Te Procurar” foi a primeira parceria que Dora escreveu com Tom Veloso. “Ainda antes de ‘Dó a Dó’, que também escrevemos juntos”, diz a cantora, referindo-se à música que lançou em 2020.

A canção foi também a primeira a entrar em “Pique”, quando ela começou a imaginar o disco, ainda durante a gravação do álbum “Sim Sim Sim”, do Bala Desejo —que ela integra ao lado de Julia Mestre, Lucas Nunes e Zé Ibarra.

“Já tinha algumas músicas que eu tinha guardadas, mas que não entraram no primeiro EP [‘Vento de Beirada’, de 2021] porque não faziam parte daquele universo. E não entraram no Bala também porque eu achava que não tinham a ver com aquele projeto”, afirma Dora.

Assim que um álbum começou a se desenhar em sua cabeça, ela pensou em Ana Frango Elétrico para produzir. “Eu tinha gravado em seu segundo álbum, ela também coproduziu o disco do Bala. Ela estava presente, próxima”, diz Dora. “Mais do que isso, pensei nela a partir das referências que eu imaginava para esse disco.”

De início, Gal Costa —especialmente a do “Legal”, de 1970— era uma referência central. Ao longo do processo, porém, Dora foi caminhando em outras direções que se mostram de maneira mais evidente em “Pique”.

“Algo mais R&B, jazz, soul. Tirando um pouco essa roupa de MPB, que é um monte de coisa e não é nada. Que não é a Gal, porque ela não é MPB, é outra coisa. Eu também não sou”, diz a cantora. “Enfim, essas primeiras referências tinham um tanto de rock brasileiro, tropicalista, mas depois pensei em PJ Morton, Erykah Badu, Kali Uchis, Thundercat. E daqui do Brasil coisas menos tropicalistas, como Cassiano.”

Para construir essa sonoridade, Dora e Ana reuniram uma base de artistas nos quais técnica e inventividade caminham lado a lado. São eles Sérgio Machado, na bateria, Alberto Continentino, no baixo, Luiz Otávio, nos teclados, e Guilherme Lirio, na guitarra.

Diogo Gomes e a própria Dora assinam arranjos de sopros, executados por ele, no trompete, Marlon Sette, no trombone, e Jorge Continentino, no clarinete. A faixa-título tem Aline Gonçalves na flauta e no clarinete, e Janaína Porto no corne inglês. Dora assina ainda arranjos de cordas, um deles com seu pai, Jaques Morelenbaum. O percussionista Marcelo Costa marca presença em cinco faixas.

“Meu lance com a música vem muito de um lugar do belo. A música brasileira tem muito isso. A gente preza muito pela beleza, a estrutura harmônica, melódica. Tem uma coisa muito perfeita. E foi justamente isso que eu comecei a questionar. Eu acho que a beleza mesmo é ruidosa também. Falei: ‘Quero que contenha ruído nessa beleza’”, afirma Dora, dando uma chave de entendimento para “Pique”, numa conversa na qual cita criadores como Billie Eilish e Tyler, The Creator.

Além de parcerias com Tom Veloso —além de “Não Vou Te Esquecer”/ “Nem Te Procurar”, há outras três e uma que o compositor assina sozinho—, Dora gravou duas músicas que fez com Zé Ibarra e duas outras só suas, além de uma de Sophia Chablau. Josyara participa do disco, além de seus colegas de Bala Desejo.

“Me parece que agora tem esse reconhecimento dessa geração sobre si mesma, da minha galera em relação às galeras para além da gente, os grupos se cruzando”, diz Dora. “Tem uma vontade de se fortalecer como cena, mas ao mesmo tempo reconhecendo que são várias caixas muito diferentes.”

Dora vê que sua geração tem uma curiosidade musical e artística sobre seus colegas, mas acredita também que eles estão irmanados na investigação de entender como ocupar o mercado da música hoje. “É um mercado estranho, porque ou você está na crista da onda mainstream ou consegue, às vezes, tocar numa casa para cem pessoas. É um gap muito grande.”

“Esse lance do mercado sempre virar um assunto é muito sintomático e horrível, mas ao mesmo tempo é real. A gente vive nesse mundo muito doido em que esse mercado nem é um mercado de música, é um mercado de dinheiro no qual a música está tentando se sustentar”, afirma a cantora. “Os festivais não são festivais de música, são festivais de marcas, né? Eu tenho sempre esse cuidado de lembrar o motivo pelo qual estou aqui, que é a música.”

Outro assunto que sempre chega a Dora é o fato de ela fazer parte do grupo de músicos de sua geração que carregam no sobrenome uma linhagem da MPB —em seu caso, ela é filha do maestro Jaques e da cantora Paula Morelenbaum.

“É muito estranho essa coisa provinciana de conhecer o nome das famílias existir até hoje numa cidade como o Rio. Ao mesmo tempo, superentendo que exista”, diz a artista. “Essa semana recebi uma mensagem incrível no Instagram: ‘Eu te odeio, Dora. Mas eu te amo porque você apesar de ser cis, branca, privilegiada, nepobaby, você é incrível, então a gente vai ter que te aturar’. É fã e hater.”



Leia Mais: Folha

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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



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Gestão da Ufac realiza visita ao laboratório Charles Mérieux — Universidade Federal do Acre

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2026.09.24 Visita ao laboratório Charles Mérieux (2).jpg

A Ufac realizou uma visita institucional ao Centro de Infectologia Charles Mérieux (CICM). A agenda reuniu a gestão superior da universidade, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e representantes do centro para alinhar propostas de cooperação que permitam o desenvolvimento de pesquisas avançadas e projetos de inovação em saúde pública nas instalações do laboratório. O encontro ocorreu nessa quinta-feira, 24.

O coordenador de Gestão e Infraestrutura do CICM, George Dobré, apresentou as propostas operacionais para viabilizar o uso da infraestrutura laboratorial por equipes de pesquisadores e estudantes da Ufac. A iniciativa visa unificar o potencial de pesquisa acadêmica da universidade com a capacidade tecnológica e de vigilância do centro.

A reunião contou com a presença do reitor Josimar Ferreira; do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; do diretor de Pesquisa da Ufac, Thiago Augusto da Cunha; do diretor-geral da Fiocruz-RO, Jansen Medeiros; e dos pesquisadores da Fiocruz, Gabriel Melim e Deusilene Vieira, que também atua como coordenadora de Pesquisa, Vigilância e Educação do CICM.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)



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Membros da Academia Acreana de Letras visitam a Ufac — Universidade Federal do Acre

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2026.09.25 Visita da Academia Acreana de Letras (2).JPG

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, recebeu membros da Academia Acreana de Letras (AAL), que vieram parabenizá-lo pelo mandato e iniciar as tratativas para fortalecimento da parceria institucional, com incentivo à cultura, à literatura e à extensão acadêmica no Estado. A visita de cortesia ocorreu nesta sexta-feira, 25, na sala de reuniões da Reitoria, campus-sede.

As instituições definiram como encaminhamento a elaboração de um termo de cooperação técnica para aproximar as ações da AAL dos cursos de graduação e das pró-reitorias, com destaque para a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. A parceria busca integrar a universidade aos projetos culturais da academia, além de apoiar a realização de um grande evento comemorativo ao aniversário da AAL, previsto para este ano, entre 29 de outubro e 17 de novembro.

“Recebo a Academia Acreana de Letras com muita gratidão. Vamos aproximá-la dos nossos processos formativos e das nossas ações de extensão”, disse o reitor Josimar Ferreira. “A universidade já planeja lançar um edital na área de cultura por meio da Agência de Inovação e a academia terá um papel central nesse contexto.”

O presidente da AAL, José Dourado de Souza, ressaltou a relevância da aproximação com a Ufac. “Ficamos muito felizes em prestar essa homenagem ao reitor Josimar, uma pessoa de muita experiência e aberta ao diálogo. A academia busca esse apoio institucional e de materiais para continuar promovendo eventos culturais e ações nas escolas.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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