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Editora Boitempo faz 30 anos difundindo palavra de Marx – 17/01/2025 – Walter Porto

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Quando a Boitempo abriu as portas, em 1995, o Brasil consolidava suas instituições democráticas. Agora, no aniversário de 30 anos da editora, a democracia vive um momento dramático, segundo a fundadora Ivana Jinkings, mas a casa está cimentada como referência no pensamento crítico brasileiro.

A jornalista abriu o selo editorial, cujo nome homenageia o poeta Carlos Drummond de Andrade, publicando raridades literárias de autores como Machado de Assis e Stendhal —seu então inédito estudo sobre Napoleão inaugurou os trabalhos da editora.

Aos poucos, a Boitempo foi direcionando suas publicações aos ensaios de política, sociologia e filosofia pelos quais ficou famosa. “Minha história me levou a isso. Minhas relações eram essas”, diz Jinkings. “Meu pai [Raimundo] era um dirigente comunista com uma livraria, eu nasci praticamente dentro dela.”

Um ponto de virada, lembra, foi quando a editora publicou “Para Além do Capital”, volume de 1.104 páginas do marxista húngaro István Mészáros, em 2002. “As pessoas passaram a prestar mais atenção a nós. Como alguém se atrevia a lançar um livro assim?”

“Naquela época, até gente de esquerda bem informada achava que não tinha espaço para publicações como essas. Não foram poucas as pessoas que me disseram que Lênin, por exemplo, já estava fora das leituras da universidade. E eu não acho que você tem que ser leninista, mas acho que precisa ler Lênin.”

Mészáros abriu a coleção Mundo do Trabalho e virou cartão de visitas para o catálogo adiante, que tornou a Boitempo a mais renomada casa dos autores influenciados por Karl Marx —inclusive do próprio.

Duas apostas da editora para seu 30º ano se ligam direto ao autor do “Manifesto Comunista”. Primeiro, a caixa inédita “O Essencial de Marx e Engels”, uma curadoria cuidadosamente preparada, que terá grandes eventos de lançamento a partir do final de janeiro; em seguida, “A Teoria do Mais Valor”, livro às vezes apelidado imprecisamente como o quarto volume de “O Capital”, numa edição traduzida do alemão a partir de uma nova reconstituição da obra de Marx.

Outros destaques incluem “Reconstrução Negra na América”, panorama pós-abolição de W.E.B. Du Bois —seguindo a tradição da editora nos tijolões de mais de mil páginas— e “Geografia da Abolição”, da intelectual contemporânea Ruth Gilmore, dos Estados Unidos —que Jinkings espera conseguir trazer ao Brasil.

Por aqui, a editora investe numa coletânea de raridades de Lélia Gonzalez, que faria 90 anos em fevereiro, em parceria com o instituto de memória da autora, e na atualização de “O que É Ideologia”, de Marilena Chauí, em outra coleção importante da casa, Pontos de Partida, voltada à formação de leitores.

O FÍGADO A jornalista Karla Monteiro e o médico Marcio Maranhão, time por trás do livro que inspirou a série “Sob Pressão”, trabalham num novo projeto sobre o cirurgião Lúcio Pacheco, referência nacional em transplantes. Em 2020, ele mesmo entrou na fila por um fígado e passou a treinar uma equipe para sua operação. O livro, com título provisório “Minha Vez”, deve sair neste ano pela Companhia das Letras e tem direitos reservados pela Conspiração Filmes.

A DOR E a Amarcord se prepara para lançar “Triste Tigre”, vencedor do prêmio francês Femina, de júri totalmente feminino, em 2023. A escritora Neige Sinno elabora, em ensaios autobiográficos, a experiência de uma mulher que foi abusada sexualmente pelo padrasto. O livro está previsto para maio.


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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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