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Eleição CE projeta Camilo e pode colocar PDT na oposição – 29/12/2024 – Poder
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Victoria Azevedo
As eleições municipais no Ceará fortaleceram a esquerda, que elegeu o maior número de prefeitos, consolidaram a força política no estado do ex-governador e ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e podem selar uma união entre o PL de Jair Bolsonaro, o União Brasil e uma ala do PDT na oposição ao PT estadual.
Dos 184 municípios do estado, o PSB do senador Cid Gomes venceu em 65 cidades, seguido do PT (47). Os dez partidos que formam a base aliada do governador Elmano de Freitas (PT) vão controlar 166 prefeituras, cerca de 90% do total, pavimentando a possível reeleição do petista em 2026.
Adversários apontam, no entanto, que ainda há um caminho a ser percorrido. Eles criticam os índices de violência no estado, tema considerado um dos principais desafios da gestão Elmano, além de problemas na área da saúde.
A maior conquista do PT no estado foi a vitória de Evandro Leitão (PT) em Fortaleza —única capital em que o partido elegeu um representante. O petista disputou o segundo turno com o deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL), apoiado por Bolsonaro. A corrida foi acirrada, com diferença de cerca de 10 mil votos, num ensaio do que poderá ocorrer em 2026.
Apesar de derrotado nas urnas, o congressista saiu como um dos grandes vencedores do pleito pela votação expressiva e a capacidade de atrair multidões para atos da campanha. Fernandes não pode concorrer ao Senado nem ao governo, por não ter a idade mínima necessária —ele tem 27 anos. Mas políticos acreditam que ele atuará em 2026 para eleger aliados de seu grupo.
No segundo turno, o bolsonarista recebeu apoios que sinalizam um caminho do que pode ocorrer em 2026, com aliança entre partidos para fazer oposição ao PT no estado: ele teve endosso do ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), quarto colocado, e de uma ala do PDT de Ciro Gomes, em especial do ex-prefeito da capital cearense Roberto Cláudio.
Na segunda etapa em Fortaleza, o PDT rachou, com uma ala apoiando Fernandes e outra, Leitão —o prefeito, José Sarto (PDT), ficou em terceiro. Ciro não fez anúncio de endosso, mas rejeitou apoiar o PT. O apoio de Roberto foi criticado por integrantes e pela militância do PDT, além de políticos de esquerda.
A interlocutores o ex-prefeito diz que gostaria de permanecer no partido e que trabalhará para que a legenda mantenha sua postura de oposição ao PT estadual (os dois partidos romperam em 2022). Dentro do PDT, no entanto, há políticos que avaliam uma aproximação nas esferas estadual e municipal, o que pode contrariar Roberto.
O ex-prefeito recebeu convites para deixar a agremiação, inclusive do União Brasil, mas só deverá tomar uma decisão no próximo ano. “Hoje, existe uma proximidade do nosso grupo com o PL e o grupo do Roberto. Queremos tentar conduzir para ter uma chapa única para o governo em 2026”, diz à Folha Capitão Wagner, afirmando ter feito convite para o ex-prefeito se filiar ao partido.
“Há uma tendência forte de que haja esse alinhamento com Novo, PL e PSDB. Isso já está mais encaminhado. Mas ainda temos que ver os espaços da chapa majoritária e aguardar a decisão de Roberto Cláudio.”
Políticos do grupo aliado de Elmano, por sua vez, avaliam como remota a chance de unificação desse campo. Eles dizem ser inviável estabelecer uma aliança estadual que não vá de encontro com a nacional, já que o PL deve ter um nome indicado por Bolsonaro, enquanto o União Brasil ensaia candidatura própria e o PDT caminha para apoiar a reeleição de Lula (PT).
Por outro lado, adversários e até mesmo aliados petistas falam em dificuldades para montar a chapa majoritária também no grupo de Elmano. Eles citam incômodo com o que classificam como uma suposta hegemonia do PT do Ceará, já que a sigla comanda a capital, o estado e a Presidência da República.
A indicação de um petista para comandar a Assembleia do Ceará, em novembro, gerou mal-estar entre partidos que apoiam Elmano e quase levou a uma ruptura com Cid Gomes. A situação foi contornada numa costura que envolveu Camilo, Cid e o governador, que levou à eleição de um membro do PDT para comandar a Assembleia.
Nos bastidores, políticos aliados afirmam que o desempenho no Ceará consolida o nome de Camilo como a principal liderança estadual e projeta o ministro como um possível nome para suceder Lula no futuro.
No evento de comemoração da vitória de Evandro, por exemplo, Camilo fez gestos ao eleitorado conservador ao agradecer a Deus em seu discurso, rezar e dizer que é cristão e defende a família brasileira, em tom emocionado.
“O projeto que o PT lidera hoje no estado foi vitorioso nas urnas”, disse o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE). “Isso tem incidência direta na consolidação do projeto de 2026 a níveis estadual e nacional. O peso político do Ceará é reconhecido não só pela população do estado, mas também pelo governo e pelo PT nacional.”
O resultado eleitoral também dá forças para uma ala do PT que defende um nome do Nordeste para presidir o partido no próximo ano, com a saída de Gleisi Hoffmann (PR). Guimarães, um dos cotados, já se mostrou aberto a essa possibilidade, mas disse querer disputar o Senado em 2026.
Na chapa majoritária do grupo de Elmano, que disputará a reeleição, o grande imbróglio são as duas vagas para senador. Além de Guimarães, já demonstraram interesse o deputado Eunício Oliveira (MDB) e o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos). Membros do PSD falam que a sigla pretende pleitear espaço na chapa.
O nome de Cid também é citado nas conversas, mas ele diz que ainda não sabe se tentará a reeleição. “Não tomei minha decisão se vou concorrer. Não me movo na política por ambições pessoais. Sempre estive a serviço de projetos. Tomo minhas decisões coletivamente, conversando e ouvindo.”
Cid e Ciro estão rompidos desde 2022. Divergências políticas fizeram Cid deixar o partido e migrar para o PSB, levando grande parte de seu grupo político. Essa disputa entre os irmãos Ferreira Gomes, que têm no estado seu reduto eleitoral, levou a uma grande perda de força política do PDT regionalmente: em 2024 foram eleitos somente cinco prefeitos, ante 67 em 2022.
Na avaliação de lideranças do Ceará, o ex-presidenciável Ciro Gomes saiu como um dos grandes derrotados nessas eleições. Esses políticos dizem duvidar, inclusive, se ele disputará algum cargo majoritário na próxima eleição.
Após o primeiro turno, em outubro, o próprio Ciro afirmou que “sua importância é declinante” e defendeu a renovação dos quadros políticos. “Tenho humildade para perceber que a minha palavra cada vez tem menos audiência no Ceará.”
RAIO-X | Ceará
-
População estimada (2024): 9.233.656 pessoas
-
Eleitores (2024): 6.940.465
-
Área territorial (2023): 148.894,447 km²
-
PIB per capita (2021): R$ 21.090,11
-
Orçamento estadual (2024): R$ 49,4 bilhões
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Orçamento estadual para investimentos (2024): R$ 5,3 bilhões
Governador
Senadores
-
Augusta Brito (PT) – 2023-2031
-
Cid Gomes (PSB) – 2019-2027
-
Eduardo Girão (Novo) – 2019-2027
Número de prefeituras por partidos conquistadas em 2024
-
PSB: 65
-
PT: 47
-
PSD: 16
-
Republicanos: 14
-
PP: 13
Votação por partido para prefeito em 2024 (1º turno)
-
PT: 1.261.687
-
PSB: 818.626
-
PSD: 273.933
-
União Brasil: 196.364
-
Republicanos: 168.081
fontes: TSE (Tribunal Superior Eleitoral), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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