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Em Lodève, o reconhecimento tardio das esposas dos harkis, tecelões da República

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Nas paredes do Cellier des Chanoines, em Lodève (Hérault), uma exposição, intitulada “Os Corajosos”traça o surpreendente destino destas mulheres argelinas, contratadas há sessenta anos para serem cuidadoras de piolhos, batizadas com o nome da lista, fio que avança no tear. Numa fotografia a preto e branco, Fatna Bensot Benameur, na casa dos sessenta anos, aponta para o quarto andar de um edifício, “onde moramos com meus pais”ela conta para a filha que a acompanha naquele dia na visita. A Cité de la gare, composta por três edifícios e construída na periferia da cidade onde Fatna passou boa parte da sua vida, não existe há muito tempo. Mas sua filha Kemla, 32 anos, traça a história de sua família com emoção enquanto caminha pela exposição.

Em 1964, sessenta famílias de harkis, estes soldados argelinos engajados com as forças francesas durante a Guerra da Argélia, desembarcaram em Lodève por decisão do serviço de recepção e reclassificação de muçulmanos franceses do Ministério do Interior. Localizada a meia hora a norte de Montpellier, esta cidade situada no sopé do planalto de Larzac estava na altura em pleno declínio económico e a tornar-se despovoada. As autoridades pretendem contar com as competências das mulheres argelinas, a sua arte de tecer, para revitalizar este antigo reduto têxtil, especializado em lençóis de tropa, tecidos estes destinados aos uniformes do exército francês.

“Enquanto eles estavam nos campos de trânsito onde os harkis foram agrupados depois de 1962 (após os Acordos de Evian, que encerraram a Guerra da Argélia), em Rivesaltes em particular, explica a historiadora Mélanie Torrès-Arnau, Foi perguntado às mulheres: “Sabes tecer?”, e, com base neste recrutamento bastante informal, foram seleccionadas famílias com o objectivo de relançar as oficinas de tecelagem. » Para levar a cabo o seu projecto o ministério contrata Octave Vitalis ex-gerente de oficina numa fábrica de tapetes em Tlemcem no norte da Argélia « supervisionar as mulheres e testar o seu know-how”, relata o historiador.

Um desenraizamento

Enquanto os homens trabalham na exploração madeireira na floresta de Notre-Dame de Parlatges, as mulheres, a maioria delas muito jovens, regressam todas as manhãs à sua oficina, a que chamam “a fábrica”e fabrica tapetes berberes num antigo quartel militar. As crianças são atendidas em uma creche, também criada pelo ministério. “Trabalhamos em condições bastante difíceis, lembra Zora Kechout-Fournier, 75 anos. Só íamos ao banheiro em determinados horários, todos ao mesmo tempo. Ou estava muito frio ou muito quente. Não estávamos realmente preparados para trabalhar desta forma, nem para viver em habitações públicas. Foi desenraizamento. »

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.

A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.

Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.

Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.

 



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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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