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Em nova turnê, Liniker confirma status de diva da geração – 09/11/2024 – Ilustrada

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Jovi Marques

Se na faixa-título de “Caju” (2024), Liniker questiona o tamanho da própria demanda, em letra confessional que abre o disco mais recente, a popstar, na noite desta sexta-feira (8), colocou uma pá de cal na pergunta, diante de um Espaço Unimed inebriado e abarrotado.

A cantora de 29 anos fez a primeira das três noites agendadas na casa de shows mais movimentada na agenda da capital paulista — ela canta no mesmo palco nos dias 13 e 19 deste mês. A turnê, anunciada poucas semanas após a estreia do álbum, angariou mais de 40 mil pessoas numa fila virtual em busca de entradas para ver o novo projeto ao vivo.

Com 15 minutos de atraso, caiu o tecido translúcido que levemente escondia o palco, e tampava o cenário branco grandioso, o megatelão de led e a banda. Liniker traz nesta apresentação naipes de percussão, cordas e um quarteto de backing vocals afiadíssimo, composto por Thais Ribeiro, Paulo Zuchini, Ingrid Valentinne e Lucas Samuel

O show é dividido em quatro blocos, com quatro trocas de roupas. No primeiro, ela enfileira as já populares “Caju”, “Tudo”, “Ao Teu Lado” e “Veludo Marrom”. Esta última acompanhada de um coral de oito vozes e uma orquestra, regida pela popstar. Era impossível decifrar o que era sua voz e a do público, tamanho o coro. Liniker chorou.

“Essa música, esse disco e esse show eu fiz para entender tudo que eu queria. É muito bom experienciar isso hoje e me sentir dona de mim, dos meus contornos, dos meus afetos”, disse.

Lançado em agosto, “Caju” é o segundo álbum da carreira de Liniker. Com 14 faixas — e uma sequência de três delas, com mais de sete minutos cada, desafiando a era do TikTok, o projeto versa sobre amores e afetos em uma narrativa que soa repetitiva, especialmente na primeira metade do disco.

O álbum, produzido sob a batuta de Feijuca e Gustavo Ruiz, é sonoramente difuso, indo do arrocha ao jazz, passando pela disco music e o R&B abrasileirado, com elementos de orquestra. Parcerias musicais inéditas, como com o tecladista Amaro Freitas e Lulu Santos, dão um peso e um toque chique ao projeto, mas é no discurso das composições que Liniker triunfa.

Ela ganha o público por compartilhar suas aflições amorosas e suas vulnerabilidades individuais que, mesmo que particulares de seu ser, se agigantam por um caminho como o de agora — com um público de mais de 8 mil cantando a plenos pulmões, múltiplas datas esgotadas pelo Brasil e 30 milhões de reproduções nas plataformas de música.

O segundo bloco traz a cantora em sua faceta mais sexy, conduzida pelo pagodão baiano de “Negona dos Olhos Térriveis” e “Mayonga” até as dançantes “Papo de Adredom”, com Melly, e “Me Ajuda a Salvar os Domingos”.

O telão, durante o show, intercala vídeos inéditos para cada faixa, junto à vídeos ao vivo feitos por um videomaker que invade o palco e mostra detalhes, assim como fez Rosalía em sua bem sucedida “Motomami World Tour”.

“Estou feliz por chegar até aqui. Feliz por poder entender minha trajetória até aqui sendo fiel a música, a poesia, a vocês”, contou.

Emocionada, abriu o terceiro bloco no qual dedicou às faixas anteriores ao “Caju”, como “Calma” e “Zero”, de “Remonta” (2016) e “Goela Abaixo (2019), ainda como parte de banda, e “Antes de Tudo”, “Psiu”, do primeiro álbum como solista, e o sucesso estrondoso, “Baby95”, que ganhou arranjos inéditos ao vivo, de um fervente pagodão.

A caminhada de Liniker, que tem mais de 3 milhões de ouvintes mensais no Spotify, até aqui remonta ao tamanho que já tinha, quando veio ao mundo para dividir a Araraquara, do interior de São Paulo, com os mais de 240 mil habitantes (IBGE, 2022).

Antes de ser uma das músicas mais tocadas na Polônia com o grupo Caramelows (que deixou em 2020, para seguir carreira solo), foram com covers publicados no esquecido Facebook, por páginas dedicadas à música brasileira, que a cantora prendeu a atenção do público por seu timbre e extensão vocal.

Dali para frente, ela não parou: cinco anos de estrada em grupo, com sucessos cabais, como “Zero” e “Intimidade”; um hino para a população LGBTQIAP+ com Johnny Hooker, “Flutua”, lançado no Natal de 2017, pós Impeachment de Dilma Rousseff e com o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) pairando no ar; e o primeiro disco solo, o laureado “Índigo Borboleta Anil”, de 2021, que brilhou na estreia do festival catalão Primavera Sound, em São Paulo, em 2022, e cativou Lenny Kravitz, em sua passagem pela Europa.

Muito além de ganhar novos palcos e públicos com voz e talento, Liniker fez dos mais recentes anos de sua existência como ser humano e artista um ponto de referência, recheada de ineditismos. Tornou-se a primeira artista brasileira transgênero a vencer um Grammy Latino, em 2022, e é imortal da Academia Brasileira de Cultura, desde novembro de 2023, na cadeira que pertencia à Elza Soares (1930-2022).

O momento atual de sua carreira fez Liniker ser a nova “queridinha” do mercado publicitário. Além de grandes marcas injetando dinheiro na turnê, a artista tem emprestado seu rosto para gigantes do mundo da beleza, calçados e vestuário – uma delas, inclusive, a levou para se apresentar para o heptacampeão Lewis Halminton, em evento do GP de Fórmula 1.

O bloco final, completando duas horas, transformou o show numa enorme pista de dança, com um globo de espelhos em formato de caju no centro. “Popstar”, “Febre”, “Pote de Ouro”, que contou com participação ao vivo da cantora Priscilla Senna, “Deixa Estar” e “So Special”, num jogo de luzes e lasers, completaram, antes da estreia de um remix da faixa-título em funk, feito por Tropkillaz.

Quando se chega no debut de “Caju”, com Liniker chorando, dançando e repassando sua trajetória, uma coisa é certa: no voo mais bonito que é viajar pelo Brasil e pelo mundo, o público estará sempre lá para chamar Liniker de potente, forte e querida. A diva das novas multidões.



Leia Mais: Folha

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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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