NOSSAS REDES

ACRE

Empresa que certifica madeira tem sócio ligado a suspeita – 17/01/2025 – Ambiente

PUBLICADO

em

Vinicius Sassine

Uma empresa credenciada para certificar o manejo de madeira em áreas de floresta e para validar a geração de créditos de biodiversidade —semelhantes aos créditos de carbono— tem entre os sócios o dono de uma madeireira denunciada pelo MPF (Ministério Público Federal) e multada por três órgãos ambientais federais em razão de supostas ilegalidades com toras extraídas na amazônia.

Uma certificação serve para atestar que a exploração madeireira ocorre, em tese, de forma responsável e sustentável, com a garantia de um selo que funciona como aval à atividade. No caso dos créditos de biodiversidade, o certificado indica que um projeto tem condições de vender créditos ao mercado a partir da preservação da floresta.

Uma das empresas que fazem essa certificação, porém, tem no quadro societário um empreendimento que atua na exploração de madeira e com irregularidades apontadas por MPF, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e SFB (Serviço Florestal Brasileiro).

A certificadora é a Neocert, sediada em Piracicaba (SP). Ela é credenciada pelo FSC (Forest Stewardship Council, na sigla em inglês), o selo internacional mais conhecido para indicar boa procedência e correção de um plano de manejo de madeira em áreas de floresta.

No caso dos créditos de biodiversidade, os projetos validados pela Neocert são aceitos pelo Instituto Life, que atua no desenvolvimento de normas de certificação, no credenciamento de certificadores e na sistematização e divulgação de projetos do tipo.

Entre os sócios da Neocert, está a TMNH Participações, com sede em Belém. Os diretores da TMNH são Renato e Ricardo Batista Tamanho.

Diversos empreendimentos na área de sustentabilidade, que atuam com projetos nesse setor, estão ligados à TMNH. Há ainda uma madeireira, a Samise Indústria, Comércio e Exportação, que tem Ricardo Tamanho como sócio. Os supostos crimes e infrações ambientais foram imputadas a essa madeireira.

Em nota, a Neocert afirmou que a TMNH é uma das investidoras da empresa, mas não participa da “gestão operacional” ou das decisões relacionadas às certificações. “Os demais sócios e colaboradores da Neocert não possuem relação com a Samise”, disse.

A defesa da Samise, em nota, afirmou que aguarda o cumprimento do devido processo legal pela administração pública e pela Justiça, após apresentação da defesa e de contestações em relação às multas aplicadas. “A Samise ou qualquer de seus sócios não podem ser considerados como infratores e/ou culpados por apenas responderem a processos administrativos e judiciais.”

A madeireira atua em uma concessão florestal —por meio de um contrato de 2014— na Flona (Floresta Nacional) de Saracá-Taquera, no noroeste do Pará. A Flona tem 429,6 mil hectares de floresta amazônica e está situada nos municípios de Oriximiná, Faro e Terra Santa.

As concessões florestais, a cargo do SFB, permitem a retirada de madeira, óleo, sementes e resinas, desde que critérios de sustentabilidade sejam respeitados e mediante pagamentos ao governo federal, geração de empregos e investimento nas comunidades locais.

A Samise, a madeireira que tem um sócio em comum com a certificadora que dá aval a manejo florestal e a créditos de biodiversidade, ficou inadimplente na execução do contrato da concessão na Flona de Saracá-Taquera. Em novembro de 2022, o valor da dívida foi calculado em R$ 1,58 milhão.

Por descumprimento de cláusulas, o SFB –vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima– determinou a suspensão do contrato, em agosto de 2023, com proibição de corte de árvores, transporte de toras e abertura de novos pátios florestais. Em outubro, o órgão aplicou uma multa de R$ 367,9 mil à Samise.

No mesmo mês da suspensão do contrato, o Ibama multou a Samise em R$ 4,99 milhões, por execução de manejo florestal sem autorização prévia por órgão ambiental.

A empresa também foi multada pelo ICMBio, responsável pela gestão e fiscalização de unidades federais de conservação.

Uma multa, no valor de R$ 919,2 mil, foi aplicada em razão do armazenamento de 1.532 m3 de madeira amazônica para posterior transporte, sem a devida autorização ambiental, conforme o ICMBio. A outra autuação se deveu a estoque de toras e madeira serrada, num total de 62,5 m3, também sem licença.

Nos dois casos, as supostas infrações ambientais ocorreram na Flona de Saracá-Taquera e envolveram espécies nativas da amazônia. A multa maior foi lavrada em setembro de 2023. A menor, em maio do mesmo ano.

A partir do encaminhamento feito pelo ICMBio, o MPF no Pará denunciou a Samise à Justiça Federal.

“Restou evidenciado que a denunciada causou danos ao meio ambiente, abrangido pelo bioma amazônico, objeto de especial preservação, por ter mantido em guarda, para fins comerciais, madeira, sem licença outorgada pela autoridade competente”, cita uma das denúncias. A ação penal tramita na Justiça Federal desde novembro de 2023.

Uma primeira ação foi movida na Justiça pelo MPF, em agosto do mesmo ano. O crime apontado é o mesmo: recepção ou aquisição de madeira, para fins comerciais, sem licença.

A defesa da Samise, feita pelo advogado Daniél Sena, disse que vai provar a inocência da empresa e o “equívoco” das acusações. “Quanto aos atrasos nos pagamentos junto ao SFB, já existe tratativa administrativa interna para a sua composição no contrato de concessão em vigor.”

Segundo a empresa, o que ocorreu em 2023 foi uma “exceção pontual ao seu histórico de boas práticas de manejo da floresta”. Samise e Neocert “são negócios totalmente independentes”, disse o advogado da madeireira.

Em nota, o FSC Brasil disse não haver registro de denúncias ou histórico de conflitos relacionados a Neocert e Samise. “Caso sejam identificadas eventuais lacunas nos requisitos estabelecidos, o FSC seguirá os processos normativos e tomará as medidas cabíveis e necessárias.”

A Neocert permanece credenciada para conduzir auditorias em projetos de biodiversidade, disse o Instituto Life, em nota. “As ações penais não se referem à certificadora habilitada pelo Life. As habilitações têm como escopo o CNPJ da organização avaliada, seguindo normas internacionais.”

Reportagens publicadas pela Folha em 10 e 22 de dezembro mostraram que a certificação para oferta de créditos de biodiversidade na amazônia ocorreu apesar da existência de multas por desmatamento ilegal numa fazenda destinada à geração dos créditos, no Amazonas, e apesar da ocorrência de conflitos fundiários –inclusive com suspeita de coação– em seringal no Acre.

A certificação foi feita pela Neocert e validada pelo Instituto Life. Após as reportagens, pelo menos uma certificação foi suspensa, outras passam por revisões e avaliações das suspeitas existentes e os sete projetos de créditos de biodiversidade na amazônia foram excluídos do banco público de informações mantido pelo instituto, em razão das “denúncias recebidas”, conforme o Life.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Egressa de mestrado em CZS obtém prêmio de pós-graduação — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Mirian Soares de Amorim.jpeg

A engenheira agrônoma Mirian Soares de Amorim, aluna egressa do curso de Agronomia e do mestrado em Ciências Ambientais, do campus Floresta da Ufac, em Cruzeiro do Sul, obteve o 2º lugar na categoria Pós-Graduação do 5º Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos, cujo resultado final foi divulgado em 17 de março. O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

O estudo destaca a articulação entre a transição agroecológica e a igualdade de gênero, enfatizando o papel central das mulheres rurais, ribeirinhas e agricultoras na preservação da agrobiodiversidade e na soberania alimentar na Amazônia. No mestrado, sob orientação do professor Kleber Andolfato de Oliveira, Mirian também aprofundou investigações sobre o desenvolvimento sustentável e o papel das populações rurais no manejo dos ecossistemas amazônicos.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac consolida criação do curso de Farmácia com 50 vagas — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Curso de Farmácia-entrega de Menção Honrosa (2).jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com membros da comissão responsável pela proposta de criação do curso de Farmácia. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 31, na sala de reuniões da Reitoria, visando consolidar o Projeto Político-Pedagógico da nova graduação, além de homenagear, com a entrega, pela Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), de Menção Honrosa ao reitor e a pessoas cujo empenho culminou na abertura do curso.

A iniciativa faz parte do programa Universidades Transformadoras, pactuada com o Ministério da Educação (MEC). O curso prevê a oferta de 50 vagas para estudantes e liberação de 11 códigos de vagas para professores. A aula inaugural e início das atividades acadêmicas estão previstos entre 2028 e 2029.

“Esse é um curso que se assenta fortemente na demanda de conhecer os bioativos da floresta amazônica e transformar esse conhecimento em riqueza, patentes, inovação e qualidade de vida para a sociedade”, disse Josimar Ferreira. Além disso, ele ressaltou a necessidade de conectar o novo curso às estruturas já consolidadas da Ufac, otimizando disciplinas e espaços curriculares em conjunto com as áreas de saúde e química.

A presidente da comissão de criação do curso, Andréia Andrade, lembrou que o projeto começou em 2011. “Hoje nos reunimos com a perspectiva de viabilizar a abertura do curso diante do que já temos na instituição. Nosso objetivo é ofertar uma formação generalista, com investimento otimizado na estrutura existente e com forte inserção na pesquisa e extensão, aproveitando a nossa biodiversidade e criando caminho para futuros programas de pós-graduação.”

Também participaram da reunião representantes externos da categoria profissional, como a ex-conselheira federal, membro da comissão e diretora de Relações Institucionais da Fenafar, Isabela de Oliveira Sobrinho. “Acompanhei a busca por esse projeto pedagógico desde o início e ver essa etapa final é um avanço enorme”, pontuou. “É um trabalho a muitas mãos para trazer o melhor para a Ufac. Trata-se de um curso de grande magnitude, focado em tecnologias de medicamentos e em pesquisas com nossas plantas nativas para gerar qualidade de vida à população.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Seminário na Ufac debate formação em enfermagem obstétrica — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Seminário enfermagem obstétrica (2).jpg

A Ufac sediou o seminário Desafios Atuais na Formação para a Prática da Enfermagem Obstétrica, que ocorreu nesta sexta-feira, 28, na sala dos Colegiados, campus-sede. O encontro reuniu professores, pesquisadores, gestores e profissionais de saúde para debater a reestruturação do modelo de assistência ao parto e ao nascimento, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a interiorização da qualificação profissional no Estado.

O evento integra um projeto nacional, composto por uma rede de 40 instituições de ensino superior articuladas para formar mais de 700 enfermeiras obstétricas pelo país, com foco prioritário nas regiões do interior. No Acre, o programa abrange turmas de especialização e residência voltadas para profissionais atuantes nas regionais do Alto Acre, Alto Purus, Baixo Acre, Tarauacá-Envira e Juruá.

“A Ufac cumpre o seu papel social ao ampliar a formação e capacitar profissionais que atuam em um momento tão ímpar quanto o nascimento de uma criança”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Contamos com alunos de todas as regionais. Isso gera um efeito multiplicador: o profissional capacitado coordena equipes locais e eleva diretamente a qualidade do atendimento prestado à população pelo SUS.”

A coordenadora das formações no Estado e professora da Ufac, Sheley Borges, destacou a necessidade de repensar a prática profissional para garantir um cuidado humanizado e seguro. “A intencionalidade da nossa formação é reduzir a mortalidade materna e neonatal e alcançar as mulheres em uma dimensão em que sejam respeitadas. Queremos garantir que as escolhas não ocorram por medo, como optar por uma cesariana sem compreender que é uma cirurgia de grande porte.”

A coordenadora nacional do curso de especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne, vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais, Kleyde Ventura, ressaltou a relevância estratégica da parceria com a Ufac. “No Acre, vivemos uma condição muito especial, pois, com exceção de uma aluna, todas as especializadas são do interior. Estamos interiorizando e descentralizando os modos de formar, abordando o trabalho multiprofissional e a articulação de redes para garantir assistência de qualidade e direitos assegurados.”

Também participaram do seminário o promotor de Justiça do MP-AC, Gláucio Oshiro; o coordenador do curso de Enfermagem da Ufac, João Francalino; e o epidemiologista Serafim Salgado, coordenador das metodologias aplicadas no programa de formação.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS