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Enquanto o Vale do Silício olha para as eleições nos EUA, Elon Musk não é o único cara da tecnologia com quem se preocupar | Tecnologia

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John Naughton

Na década de 1960, “o pessoal é político” era um slogan poderoso que capturava a realidade da dinâmica de poder nos casamentos. Hoje, um slogan igualmente significativo poderia ser o de que “a tecnologia é política”, para reflectir a forma como um pequeno número de empresas globais adquiriram influência política nas democracias liberais. Se alguém duvidasse disso, então o aparição recente A imagem de Elon Musk ao lado de Donald Trump num comício na Pensilvânia forneceu uma confirmação útil de como a tecnologia se tornou o centro das atenções na política americana. Musk pode ser um filho do sexo masculino com um péssimo hábito de twittar, mas também é dono da empresa que fornece conectividade à Internet às tropas ucranianas no campo de batalha; e seu foguete foi escolhido por Nasa para ser o veículo para levar os próximos americanos à lua.

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Houve um tempo em que a indústria tecnológica não estava muito interessada em política. Não precisava ser porque a política da época não estava interessada nisso. Assim, Google, Facebook, Microsoft, Amazon e Apple cresceram até às suas proporções gigantescas num ambiente político notavelmente permissivo. Quando os governos democráticos não se deixavam deslumbrar pela tecnologia, dormiam ao volante; e reguladores antitruste foram capturados pela doutrina legalista propagada por Roberto Bork e os seus facilitadores na Faculdade de Direito da Universidade de Chicago – a doutrina de que não havia nada de errado com o domínio empresarial, a menos que prejudicasse os consumidores. O teste para detectar danos foi a manipulação de preços e, como os serviços do Google e do Facebook eram “gratuitos”, onde estava exatamente o dano? E embora os produtos da Amazon não fossem gratuitos, a empresa estava a reduzir impiedosamente os preços dos concorrentes e a satisfazer a necessidade dos clientes de entrega no dia seguinte. Novamente: onde estava o mal nisso?

Demorou um tempo injustificável para que esse sono regulatório terminasse, mas finalmente terminou sob a supervisão de Joe Biden. Os reguladores dos EUA, liderados por Jonathan Kanter, do Departamento de Justiça (DOJ), e Lina Khan, da Comissão Federal de Comércio (FTC), redescobriram o seu mojo. E então, em agosto, o DoJ ganhou dramaticamente um processo antitruste no qual o juiz decidiu que O Google era de fato um “monopolista” que tomou medidas anticompetitivas para preservar sua participação de 90% nas pesquisas. O DOJ está agora a propor “remédios” para este comportamento abusivo, que vão desde soluções óbvias, como impedir o Google de contratos como o que tem com a Apple para torná-lo o motor de busca padrão nos seus dispositivos, até à opção “nuclear” de desmembrar o empresa.

O choque deste veredicto para a indústria tecnológica foi palpável e levou alguns agitadores no Vale a pensar que talvez eleger Trump possa não ser uma ideia tão má, afinal. Alguns dos falastrões como Marc Andreessen – e, claro, Musk – defenderam explicitamente Trump, mas pelo menos 14 outros magnatas da tecnologia estão a fornecer um apoio mais discreto. E embora alguns líderes tecnológicos tenham – tardiamente – defendido Kamala Harris, alguns o fazem com algumas reservas. Reid Hoffmann, fundador do LinkedIn, por exemplo, doou US$ 10 milhões para sua campanha, mas diz que quer que ela demita Lina Khan da FTC.

A evidência mais dramática de como Silicon Valley perdeu a sua virgindade política, porém, vem das extraordinárias quantidades de dinheiro que as empresas de criptomoeda têm investido na campanha eleitoral. O nova iorquino relatórios que as empresas de criptografia já investiram “mais de cem milhões de dólares” nos chamados SuperPACS apoiando candidatos compatíveis com criptografia.

O interessante é que esse dinheiro parece não ter tanto o objetivo de influenciar quem ganha o presidência como garantir que as pessoas “certas” sejam eleitas para a Câmara e o Senado. Isto sugere um nível de política Nós isso teria sido desprezado pelos primeiros pioneiros da indústria tecnológica na década de 1960. A tecnologia pode não ter sido política naquela época; mas com certeza é agora.

John Naughton é professor de compreensão pública da tecnologia na Open University



Leia Mais: The Guardian

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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre

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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard - interna.jpg

Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.

A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.

O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.

Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.

A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.

A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.

Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.



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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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