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Morrendo de fome desde o dia em que nasceu: como a fome persegue as crianças de Gaza | Gaza
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2 anos atrásem
‘Não é visto como totalmente humano’
Mas não é apenas a prestação de ajuda que pode ser mortal. Muitos civis foram mortos durante a coleta. Em Fevereiro, mais de 100 palestinianos que procuravam alimentos em camiões de ajuda humanitária no norte de Gaza foram mortos e centenas de outros ficaram feridos depois de as forças israelitas terem aberto fogo contra eles. Ficou conhecido como o “massacre da farinha”. E a Fault Lines encontrou muitos outros incidentes semelhantes.
A Fault Lines fez parceria com investigadores de código aberto da Forensic Architecture, um grupo de pesquisa baseado em Goldsmiths, Universidade de Londres, para examinar os dados por trás dos ataques a pessoas que buscam ajuda. Utilizando vídeos das redes sociais, notícias, dados do Ministério da Saúde e imagens de satélite, os investigadores conseguiram documentar mais de 40 ataques a civis que procuravam ajuda.
“Portanto, quando ouvimos falar do massacre da farinha, não se trata de um incidente isolado que foi um acidente”, explica Peter Polack, pesquisador da Forensic Architecture. “À medida que analisamos mais desses ataques, começamos a ver que eles eram de natureza sistemática e não arbitrários.”
A investigação também revelou que os ataques israelitas não mataram apenas civis que procuravam ajuda. Também destruíram infraestruturas essenciais que receberam assistência humanitária. A Forensic Architecture documentou 16 ataques a padarias entre outubro e novembro de 2023, às vezes enquanto as pessoas faziam fila para comprar pão. E 107 abrigos que receberam ajuda foram destruídos até janeiro.
“Quando a ajuda é inicialmente distribuída, a farinha é distribuída às padarias. As padarias são o alvo. Quando começa a ser distribuído às escolas, as escolas passam a ser o alvo”, afirma Julia Ngo, da Forensic Architecture.
Depois, no início do novo ano, ocorreram ataques a polícias e civis que escoltavam comboios humanitários. A polícia suspendeu suas operações. Redes locais de parentesco de famílias influentes assumiram o controle das escoltas, mas depois foram atacadas.
“Eles estão criando essencialmente um efeito inibidor, que envia uma mensagem clara de que se você está recebendo ajuda, se está planejando ajuda, se está trabalhando com ela de alguma forma, você está em risco”, disse Polack. diz.
Perguntamos às autoridades israelenses sobre as conclusões desta investigação. Eles não responderam.
Mas sabemos que a decisão de suspender a ajuda humanitária a Gaza é popular na política israelita. Nossa equipe analisou centenas de postagens em hebraico no X de membros do governo israelense. Descobrimos que a maioria dos membros israelitas do Knesset opõe-se à ajuda humanitária a Gaza.
Havia 40 postos apoiando o uso da fome como arma de guerra e 12 defendendo um cerco completo a Gaza. Outros 234 postos expressaram oposição total à ajuda humanitária e 65 outros postos defenderam que a ajuda fosse condicionada ao regresso dos cativos.
Os procuradores sul-africanos submeteram comentários como estes ao Tribunal Internacional de Justiça em Haia como prova da intenção de Israel de matar de fome o povo de Gaza.
“A característica distintiva deste caso não foi o silêncio como tal, mas a reiteração e repetição do discurso genocida em todas as esferas do Estado em Israel”, disse o procurador sul-africano Tembeka Ngcukaitobi ao tribunal em Janeiro.
“É como se um assassino simplesmente segurasse uma faca e dissesse: ‘Vou matar essas pessoas’ e fizesse isso… e ainda estamos nos perguntando se há intenção neste crime em particular”, Alex Smith, especialista em crianças. e saúde materna e ex-contratado da USAID, diz. A USAID é a agência responsável pela distribuição da ajuda humanitária dos EUA.
Smith estava programado para fazer uma apresentação numa conferência da USAID em Março sobre saúde materna em Gaza, mas foi informado no dia anterior que a sua palestra tinha sido cancelada. Depois disso, ele renunciou.
“As decisões são tomadas com base na política e em quem as pessoas são, e certas pessoas, dependendo da sua raça, da sua etnia e da sua geografia, onde vivem, não são vistas como totalmente humanas”, diz ele.
Os EUA ‘negam deliberadamente os factos’
Os EUA concedem a Israel cerca de 4 mil milhões de dólares em financiamento de segurança todos os anos, mas a administração Biden recusou apelos para condicionar a assistência de segurança dos EUA a Israel à melhoria da situação humanitária em Gaza. Em vez disso, os EUA confiaram em medidas ineficazes, como lançamentos aéreos e um cais agora extinto.
Os grupos humanitários há muito que insistem que a forma mais eficaz de levar ajuda a Gaza é através de rotas terrestres estabelecidas.
A administração enfrentou até níveis sem precedentes de dissidência interna devido ao seu apoio inabalável a Israel, apesar das crescentes provas de que cometeu crimes de guerra em Gaza. Pelo menos uma dúzia de funcionários renunciaram em protesto e vários memorandos dissidentes rejeitando as políticas de Biden foram distribuídos no Departamento de Estado pela USAID.
Em Abril, Gilbert, a antiga funcionária do Departamento de Estado, foi questionada sobre a sua opinião sobre um relatório da administração Biden ao Congresso dos EUA sobre se Israel estava a cometer crimes de guerra em Gaza. Com base nos relatórios dos seus parceiros no terreno, ela informou que Israel estava bloqueando a ajuda. Mas quando o relatório foi divulgado no mês seguinte, determinou que Israel não estava a obstruir o fluxo de assistência humanitária. Gilbert renunciou como resultado desse relatório.
“A administração nega deliberadamente os factos no terreno porque isso provocaria consequências ao cortar o financiamento da segurança”, diz Gilbert. “As armas são o motor que alimenta esta guerra e não assumimos a responsabilidade pelo nosso papel.”
Existe um Lei dos EUA chamada 620I que proíbe transferências de armas para países que bloqueiam a assistência humanitária. Se a administração Biden reconhecesse que Israel estava a negar ajuda aos palestinianos em Gaza, isso desencadearia a lei e as armas teriam de ser cortadas imediatamente.
Quando questionado pela Fault Lines numa conferência de imprensa sobre como os EUA continuam a apoiar Israel com armas, apesar das evidências de que está a violar as suas próprias leis, o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, disse que os EUA pressionaram o seu aliado para abrir as passagens de fronteira para permitir mais ajuda. “Portanto, eu encorajo você a ler o relatório que emitimos sobre esta mesma questão há alguns meses, que analisou a conformidade de Israel com o direito humanitário internacional e seu trabalho e se eles fizeram um trabalho bom o suficiente para permitir a entrada de assistência humanitária, onde dissemos que havia alguns obstáculos que precisavam ser superados”, disse Miller. “E trabalhamos para superá-los. E vimos Israel tomar medidas para permitir a entrada de assistência humanitária.”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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