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Era a juíza perpétua da Irmandade da N. S. da Boa Morte – 02/11/2024 – Cotidiano

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Adriano Alves

Todo mês de agosto, há mais de 200 anos, mulheres negras saem vestidas como as tradicionais baianas de branco em procissão pelas ruas de Cachoeira (BA). A tradição da Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte é um dos patrimônios culturais do Recôncavo Baiano. À frente da celebração religiosa, Dazinha ocupava o cargo de juíza perpétua, o mais alto na hierarquia da irmandade.

Considerada um ícone do feminismo negro no Brasil, a irmandade afrocatólica foi uma entidade que ajudou na alforria de muitos escravos da região e apoiou recém-libertos. Mesmo associadas a uma festa católica, mantêm o culto aos orixás das religiões de matriz africana.

Dazinha era a mais velha entre as irmãs atualmente, por isso recebeu o cargo de juíza perpétua em 2012. Criada no candomblé, dizia “nasci dentro da camarinha”, um rito da religião. Feita desde criança, era de Obá com Ogum.

Falava muito sobre sua fé e seus ensinamentos. Também ensinava as descendentes a serem mulheres independentes e que correm atrás de seus objetivos.

“Minha avó foi uma mulher guerreira, uma referência. Tinha uma personalidade forte e era alegre. Aprendi com ela a lutar pelos meus objetivos e a não baixar a cabeça para homem, o que ela sempre falava para mim e minha irmã”, afirma a neta Vanessa Cristina da Conceição Ataíde, 39.

Maria das Dores da Conceição nasceu em 1916, em Muritiba (BA). Foi na cidade baiana que passou quase toda a vida. Viviam na rua chamada Ilha das Cobras, que ficava ao fundo de um cemitério.

A infância foi dura, como a realidade local da época. Precisou trabalhar cedo, ajudando os pais na criação de animais.

Durante parte da vida, foi charuteira, trabalhando em uma fábrica de fumo da cidade. Por algum tempo, morou em Salvador. Depois, de volta a Muritiba, foi lavadeira.

Dazinha não se casou e teve 15 partos, mas só quatro filhos sobreviveram. Também criou duas netas, Vanessa Cristina e Enaide, filhas da sua caçula, que faleceu anos atrás.

Mesmo com o avançar da idade, nunca gostou de depender dos outros, fazia tudo sozinha. Ia para a feira e cumpria sua rotina. Nem após perder a visão, aos 101 anos, queria ficar parada.

Este ano, ficou acamada por conta de problemas de saúde. Morreu em 30 de setembro, aos 108 anos, após passar mal em casa e ser levada para o hospital.

Deixa três filhos: Maria de Lourdes, Raimundo e Anaildes. Também ficam as netas que criou como filhas: Vanessa Cristina e Enaide, além de muitos outros netos, bisnetos, trinetos e tataranetos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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Proint realiza atividade sobre trabalho com jovens aprendizes — Universidade Federal do Acre

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Proint realiza atividade sobre trabalho com jovens aprendizes — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint), da Ufac, promoveu um encontro com jovens aprendizes para formação e troca de experiências sobre carreira, tecnologia e inovação. O evento ocorreu em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em 28 de abril, no espaço de inovação da Ufac, campus-sede.

Os professores Francisco Passos e Marta Adelino conduziram a atividade, compartilhando conhecimentos e experiências com os estudantes, estimulando reflexões sobre o futuro profissional e o papel da inovação na construção de novas oportunidades. A instrutora de aprendizagem do CIEE, Mariza da Silva Santos, também acompanhou os participantes na ação, destacando a relação entre formação acadêmica e experiências no mundo do trabalho.

 



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Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre

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Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre

A professora do campus Floresta, Maria Cristina de Souza, que também é curadora do Herbário em Cruzeiro do Sul, esteve, de 9 a 15 de abril, no Museu de História Natural de Paris, representando a Ufac. Ela conduziu, em francês, conferência sobre a diversidade e a riqueza da região do Alto Juruá e realizou visita técnica, atualizando amostras das coleções de palmeiras (Arecaceae) do gênero Geonoma. As atividades tiveram apoio dos pesquisadores Marc Jeanson, Florent Martos e Marc Pignal.

 



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Artigo aborda previsão de incêndios florestais na Mata Atlântica — Universidade Federal do Acre

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Artigo aborda previsão de incêndios florestais na Mata Atlântica — Universidade Federal do Acre

O professor Rafael Coll Delgado, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, da Ufac, participou como coautor do artigo “Interações Clima-Vegetação-Solo na Predição do Risco de Incêndios Florestais: Evidências de Duas Unidades de Conservação da Mata Atlântica, Brasil”, o qual foi publicado, em inglês, na revista “Forests” (vol. 15, n.º 5), cuja dição temática foi voltada aos desafios contemporâneos dos incêndios florestais no contexto das mudanças climáticas.

O estudo também contou com a parceria das Universidades Federais de Viçosa (UFV) e Rural do Rio de Janeiro e foi desenvolvido no âmbito do Centro Integrado de Meteorologia Agrícola e Florestal, da Ufac, como resultado da dissertação da pesquisadora e geógrafa Ana Luisa Ribeiro de Faria, da UFV.

A pesquisa analisa a interação entre clima, solo e vegetação em unidades de conservação da Mata Atlântica, propondo dois novos modelos de índice de incêndio e avaliando sua capacidade preditiva sob diferentes cenários do fenômeno El Niño-Oscilação do Sul. Para tanto, foram integrados dados climáticos diários (2001-2023), índices de vegetação e seca, registros de focos de incêndio e estimativas de umidade do solo, permitindo uma análise dos fatores que influenciam a ocorrência de incêndios.

“O trabalho é fruto de cooperação entre três universidade públicas brasileiras, reforçando o papel estratégico dessas instituições na produção científica e no desenvolvimento de soluções aplicadas à gestão ambiental”, destacou Rafael Coll Delgado.

 



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