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estudo fundador defendido por Didier Raoult sobre o uso da hidroxicloroquina invalidado
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Depois de mais de quatro anos de polémica, o estudo fundador, nomeadamente assinado por Didier Raoult, sobre o uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19 foi invalidado, terça-feira, 17 de dezembro, pelo editor da revista que o publicou. A hidroxicloroquina – um derivado de um medicamento antimalárico – gozou de uma notoriedade sem precedentes desde o final de fevereiro de 2020 e alimentou debates acesos na sequência da sua promoção por Didier Raoult, então chefe do Institut hospitalo-university (IHU) Méditerranée Infection, em Marselha. , para combater o coronavírus.
O infectologista – aposentado do IHU desde o verão de 2021 e recentemente proibido de praticar medicina – nunca deixou de afirmar que a hidroxicloroquina, combinada com um antibiótico, a azitromicina, era eficaz contra a infecção. Um dos estudos fundadores desta teoria, assinado por dezoito autores, incluindo Philippe Gautret, então professor do IHU, e Didier Raoult, foi publicado em março de 2020 na revista científica Jornal Internacional de Agentes Antimicrobianos. A Elsevier, editora da revista, anunciou terça-feira a retratação deste artigo após uma investigação aprofundada, com o apoio de um “especialista imparcial atuando como consultor independente em ética editorial”.
Em causa: o incumprimento de múltiplas regras, mas também a manipulação ou interpretação problemática de resultados. “Preocupações foram levantadas” em relação ao respeito “ética da publicação” do editor da revista, para “a condução adequada de pesquisas envolvendo participantes humanos, bem como as preocupações levantadas por três dos autores em relação à metodologia e conclusões”explicou a Elsevier em uma longa nota justificativa. A editora afirma ainda que os autores do estudo não argumentaram de forma convincente a sua defesa.
Ao longo dos anos, Didier Raoult tornou públicos vários estudos que mostram, segundo ele, a eficácia da hidroxicloroquina, que foram posteriormente amplamente criticados por falhas metodológicas (grupos de pacientes muito pequenos, falta de grupo de controle, etc.) ou éticas (não conformidade com as regras para pesquisa sobre a pessoa, etc.).
Retratação de artigo acolhido por cientistas
A excitação em torno da hidroxicloroquina tomou um rumo político na primavera de 2020, no meio da pandemia de Covid-19. Emmanuel Macron descreveu Didier Raoult como “grande cientista” em meados de abril e julgou que sua terapia dupla deveria ser “testado”. O governo então voltou. No estrangeiro, Donald Trump, então Presidente dos Estados Unidos, tornou-se seu apóstolo na primavera de 2020 e afirmou ter demorado algum tempo preventivo. No Brasil, o presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro, também foi um promotor feroz.
Se o estudo de Gautret – e outras publicações de Didier Raoult – alimentaram esperanças num tratamento, foi rapidamente apontado por outros cientistas e especialistas em ética por potenciais erros, até mesmo manipulação, o que foi posteriormente comprovado por investigações das autoridades de saúde e dos meios de comunicação social. Estudos científicos de grande escala e com metodologia sólida – o britânico Recovery, o francês Hycovid, ou mesmo o Solidariedade, realizados pela Organização Mundial de Saúde – demonstraram posteriormente a ineficácia da hidroxicloroquina no tratamento ou prevenção da Covid-19. O uso do tratamento contra o coronavírus também tem sido associado a efeitos adversos graves, principalmente cardiovasculares.
Didier Raoult, desacreditado pelos seus pares desde a crise, continuou a afirmar que “milhares de pessoas que poderiam ter sido tratadas não foram tratadas” devido às escolhas da hidroxicloroquina. Defendeu a administração deste protocolo aos pacientes da Covid-19 apesar dos pareceres desfavoráveis das autoridades de saúde. A Agência de Medicamentos (ANSM) tomou medidas legais contra o estudo Gautret e outras publicações controversas de Didier Raoult face ao incumprimento das condições de experimentação humana. A Procuradoria de Marselha está a investigar suspeitas de ensaios clínicos não autorizados.
Há muito aguardada, a retratação do estudo de Gautret foi bem recebida por diversos cientistas. Este estudo foi “a pedra angular de um escândalo global”e sua retração “constitui um reconhecimento, tardio mas essencial, dos excessos científicos que colocaram os pacientes em perigo”acolheu assim a Sociedade Francesa de Farmacologia e Terapêutica (SFPT), presidida pelo Pe.R Mathieu Molimard. O artigo “metodologicamente pobre e duvidoso” Leste “finalmente retraído”comentou ao X a pesquisadora Lonni Besançon, outra figura nessa luta.
Questionados pela AFP, nem Didier Raoult nem a ANSM reagiram nesta fase.
O mundo com AFP
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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