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EUA: a cidade onde todos são obrigados por lei a ter arma – 26/12/2024 – Mundo
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Brandon Drenon
Kennesaw, na Geórgia, tem todos os elementos de uma cidade pequena que você pode imaginar no sul dos Estados Unidos.
Há o cheiro de biscoitos assados saindo do forno da confeitaria Honeysuckle Biscuits & Bakery, e o barulho de um trem nas proximidades. É o tipo de lugar onde os recém-casados deixam cartões de agradecimento escritos à mão nas cafeterias, elogiando a atmosfera “aconchegante”.
Mas há outro aspecto de Kennesaw que alguns podem achar surpreendente —uma lei municipal da década de 1980 que exige legalmente que os moradores tenham armas e munição.
“Não é como se você saísse por aí usando uma arma na cintura, como no Velho Oeste”, explica Derek Easterling, prefeito da cidade por três mandatos, que se descreve como um “cara da Marinha aposentado”.
“Não vamos bater na sua porta e dizer: ‘Deixe-me ver sua arma’.”
A lei de armas de Kennesaw afirma claramente: “Para garantir e resguardar a segurança, a proteção e o bem-estar geral da cidade e de seus habitantes, todo chefe de família residente nos limites da cidade é obrigado a manter uma arma de fogo, assim como munição”.
Os moradores com deficiências mentais ou físicas, condenações por crimes ou crenças religiosas conflitantes estão isentos da obrigação.
Até onde o prefeito Easterling e várias autoridades locais sabem, não houve nenhum processo ou prisão por violação do Artigo 2º, Seção 34-21, que entrou em vigor em 1982.
E ninguém com quem a BBC conversou soube dizer qual seria a penalidade para quem infringir a lei.
Ainda assim, o prefeito insistiu: “Não se trata de uma lei simbólica. Não estou interessado em coisas apenas para exibição”.
Para alguns, a lei é uma fonte de orgulho, um sinal para a cidade aderir à cultura das armas.
Para outros, é uma fonte de constrangimento, uma página de um capítulo da história que eles desejam deixar para trás.
Mas a principal crença entre os moradores da cidade sobre a legislação é que ela mantém Kennesaw segura.
Os frequentadores da pizzaria local vão argumentar, enquanto comem sua pizza de pepperoni: “No mínimo, os criminosos precisam se preocupar, porque se eles invadirem a sua casa, e você estiver lá, eles não sabem o que (que arma) você tem”.
Não houve homicídios em 2023, de acordo com dados do Departamento de Polícia de Kennesaw, mas foram registrados dois suicídios envolvendo armas de fogo.
Blake Weatherby, zelador da Primeira Igreja Batista de Kennesaw, tem uma opinião diferente sobre o motivo pelo qual os índices de crimes violentos podem ser baixos.
“É a atitude por trás das armas aqui em Kennesaw que mantém os crimes com armas num patamar baixo, não as armas”, avalia Weatherby.
“Não importa se é uma arma de fogo, um garfo, um punho ou um sapato de salto alto. Nós nos protegemos, e protegemos nossos vizinhos.”
Pat Ferris, que entrou para o conselho municipal de Kennesaw em 1984, dois anos após a aprovação da lei, disse que a legislação foi criada para ser “mais uma afirmação política do que qualquer outra coisa”.
Depois que Morton Grove, em Illinois, se tornou a primeira cidade dos EUA a proibir a posse de armas, Kennesaw se tornou a primeira cidade a exigir isso, ganhando destaque no noticiário nacional.
Um artigo de opinião publicado em 1982 pelo jornal The New York Times descreveu as autoridades de Kennesaw como “animadas” com a aprovação da lei, mas observou que os “criminologistas ianques” não estavam.
A revista masculina Penthouse publicou a história na capa com a chamada Gun Town USA: An American Town Where It’s Illegal Not to Own a Gun (algo como “Cidade das armas nos EUA: uma cidade americana onde é ilegal não possuir uma arma”), impressa sobre a imagem de uma mulher loira de biquíni.
Leis semelhantes sobre armas foram aprovadas em pelo menos cinco cidades, incluindo Gun Barrel City, no Texas, e Virgin, em Utah.
Nos 40 anos desde que a legislação sobre armas de Kennesaw foi aprovada, afirmou Ferris, sua existência praticamente desapareceu da consciência popular.
“Não sei quantas pessoas sequer sabem que a portaria existe”, diz ele.
No mesmo ano em que a lei de armas entrou em vigor, nasceu Weatherby, o zelador da igreja.
Na infância, ele se lembra do pai dizendo a ele, meio que brincando: “Não me importo se você não gosta de armas, é a lei”.
“Me ensinaram que, se você é um homem, precisa ter uma arma.”
Ele tinha 12 anos quando disparou uma arma pela primeira vez.
“Quase deixei (a arma) cair porque fiquei muito assustado”, ele recorda.
Weatherby, hoje com 42 anos, chegou a ter mais de 20 armas em determinado momento, mas afirma que agora não possui mais nenhuma. Ele as vendeu ao longo dos anos —incluindo a que seu pai deixou para ele quando morreu em 2005—, para superar dificuldades financeiras.
“Eu precisava mais de gasolina do que de armas”, explica.
Uma loja em que ele poderia ter ido vender suas armas de fogo é a Deercreek Gun Shop, localizada na principal rua comercial de Kennesaw.
James Rabun, 36, trabalha na loja de armas desde que se formou no ensino médio.
É o negócio da família, diz ele, aberto por seu pai e avô, que ainda podem ser vistos lá hoje; seu pai nos fundos, restaurando armas de fogo, seu avô na frente, relaxando em uma cadeira de balanço.
Por razões óbvias, Rabun é um entusiasta da lei de armas de Kennesaw. Ela é boa para os negócios.
“O legal das armas de fogo”, diz ele com entusiasmo genuíno, “é que as pessoas as compram para autodefesa, mas muita gente gosta delas como (gosta de) obras de arte ou bitcoins —artigos com oferta limitada”.
Entre as dezenas de armas à venda penduradas na parede, estão espingardas de pólvora negra de cano duplo —semelhantes a um mosquete— e alguns rifles Winchester dos anos 1800, “que não são mais fabricados”.
Em Kennesaw, o fã clube das armas tem um amplo alcance, que vai além dos proprietários de lojas de armas e homens de meia-idade.
Cris Welsh, mãe de duas filhas adolescentes, não tem pudores em relação à posse de armas. Ela caça, é sócia de um clube de armas e frequenta o campo de tiro local com as duas filhas.
“Sou proprietária de armas”, ela admite, listando seu inventário que inclui “uma pistola Ruger, uma Beretta, uma Glock e cerca de meia dúzia de espingardas”.
Mas Welsh não gosta da lei de armas de Kennesaw.
“Fico constrangida quando ouço as pessoas falarem sobre a lei de armas”, diz ela.
“É apenas uma coisa antiga de Kennesaw para se apegar”.
Ela gostaria que, quando as pessoas de fora pensassem na cidade, lembrassem dos parques, das escolas e dos valores comunitários —e não da lei sobre armas “que deixa as pessoas desconfortáveis”.
“Há muito mais em Kennesaw”, destaca.
Madelyn Orochena, membro do conselho municipal, concorda que a lei é “algo que as pessoas preferem não fazer propaganda”.
“É apenas um pequeno fato estranho sobre nossa comunidade”, afirma.
“Os moradores vão revirar os olhos com um pouco de vergonha ou dar risada disso.”
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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