ACRE
Fabricantes de armas da Europa lucram na crise com Trump – 03/03/2025 – Mercado
PUBLICADO
1 ano atrásem
Igor Gielow
A decisão europeia de elevar os gastos militares levou a uma segunda-feira de euforia nos mercados do continente, com ações de empresas do setor de defesa puxando altas históricas.
O referencial FTSE 100, da Bolsa de Londres, atingiu o maior índice desde que foi criado, em 1984, com quase 9.000 pontos nesta segunda (3). A BAE Systems, fabricante de diversos armamentos, viu suas ações subirem quase 15%.
Ela é a sexta maior empresa de defesa do mundo, e a primeira não-americana no ranking do Sipri (Instituto para Estudos da Paz de Estocolmo, na sigla em inglês), com uma receita anual de US$ 30 bilhões (R$ 176 bilhões). O setor militar acumula alta de 36% no ano na Bolsa londrina.
A tendência foi registrada em todo o continente. A Rheinmetall, maior da área na Alemanha, viu suas ações subirem quase 12%, mesmo índice da carro-chefe italiana Leonardo. Já as ações da Thales francesa subiram 13,2%, enquanto as da sueca Saab chegaram a quase 11% de elevação e as da norueguesa Kongsberg, 14,4%.
O índice Stoxx Europe Aeroespace anda Defence, que mede variações em 600 firmas em diversos mercados europeus aferiu os maiores ganhos em um dia desde 2020, com 7,9% de aumento, acumulando mais de 30% no ano até aqui.
Tudo isso é cortesia da nova realidade geopolítica trazida pela volta de Donald Trump à Casa Branca, em particular a feroz altercação entre o presidente e o colega Volodimir Zelenski, que chocou o mundo na sexta passada (28).
O ucraniano visitava Trump para fechar um acordo de exploração mineral que, na sua visão, poderia mover o americano para longe de Vladimir Putin.
O republicano alinhou-se ao russo na sua percepção dos motivos que levaram Moscou a invadir a Ucrânia em 2022 e, pior para Kiev, abriu negociações de paz bilaterais sem incluir os agredidos ou seus parceiros europeus.
O resultado foi desastroso, com Trump e seu vice, J.D. Vance, batendo boca e humilhando Zelenski ao vivo, com jornalistas presentes. O ucraniano acabou deixando a Casa Branca sem acordo nenhum e ainda teve de ler o americano escrever que ele poderia voltar “quando estivesse pronto para a paz”.
Restou a Europa, que está atordoada com a agressividade de Trump, que de todo modo nunca havia tratado bem o continente em seu primeiro mandato (2017-2021). O republicano tem desdém histórico pela Otan, a aliança militar criada pelos EUA com seus aliados europeus em 1949 para barrar a expansão soviética na região.
O clube chegou a ter a “morte cerebral” decretada pelo presidente francês, Emmanuel Macron. A chegada de Joe Biden à Casa Branca em 2021 reativou os laços transatlânticos, mas foi a guerra de Putin que renovou o senso de missão do clube.
Em todo o continente, países começaram a elevar seus gastos militares, acelerando uma tendência que já vinha surgindo desde que Putin anexou a Crimeia, em 2014. De lá para cá, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres), os aliados dos EUA na Otan dobraram sua despesa bélica.
Há dez anos, apenas 3 dos então 28 membros da Otan gastavam acima dos 2% do PIB previstos como meta pela organização. Agora, são 24 de 32. Ainda assim, o valor global do continente é ainda inferior ao total que a Rússia gasta, levando em consideração o critério de paridade de poder de compra —pouco mais de US$ 400 bilhões (R$ 2,3 trilhões).
De volta ao poder, Trump retomou a pressão para mais gasto europeu, exigindo 5% do PIB dos países para defesa. Isso é irreal: a Polônia, membro da Otan que mais investe no setor, gastou em 2024 4,12% de seu PIB.
O americano comanda a maior máquina militar da história, que soma 39,4% do gasto global com defesa —seus colegas de Otan, somados, chegam a 22,1%. Mas em proporção do PIB estão em 3,4%.
Para complicar, Trump ameaça deixar Kiev sem ajuda militar, o que obriga uma despesa maior dos europeus se eles quiserem se manter contrários a Putin. Além disso, Vance disse em um discurso em Munique que os parceiros podem não ter a presença militar dos EUA, constante desde o pós-guerra e que hoje soma mais de 60 mil militares no continente, para sempre.
Com tudo isso, os líderes europeus se reuniram no domingo (2) em Londres para mais uma rodada de promessa de aumento de gastos, um projeto que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que será apresentado nesta terça (4).
O anfitrião, o premiê Keir Starmer, já havia anunciado uma elevação de seu gasto de 2,3% do PIB para 2,5% em 2027 e até 3% no final da década. O mesmo Macron anunciou que vai comprar mais 30 caças franceses Rafale e colocou suas forças nucleares, que são independentes das americanas e britânicas na Otan, à disposição da defesa continental.
O ambiente levou à euforia nos mercados nesta segunda. Há, contudo, limites. Por sofisticada que seja, a indústria europeia não tem o mesmo escopo e capacidade produtiva da americana, tendo falhado até em entregar a meta de munição que havia previsto para a Ucrânia.
Com efeito, são empresas americanas as que mais lucraram com a guerra até aqui, em particular no aumento da carteira de clientes de seu caça de quinta geração F-35, que está virando padrão no continente. Com mais dinheiro e vontade política, contudo, esse jogo poderá mudar.
O futuro premiê alemão, Friedrich Merz, já disse ser a favor da criação de um fundo europeu para elevar as despesas com defesa. Seu país, que vive a maior estagnação econômica em décadas, tem muito a lucrar: a Rheinmetall é a principal fabricante de tanques e blindados do continente, por exemplo.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR

Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre

Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
ACRE
Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
9 horas atrásem
15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
Relacionado
ACRE
Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
10 horas atrásem
15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
Relacionado
ACRE
UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
10 horas atrásem
15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login