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‘Fossa política’: Lincoln, Davis e uma batalha com ecos para a época de Trump | Livros

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Martin Pengelly in Washington

Nigel Hamilton é um biógrafo best-seller, seus principais temas incluem John F Kennedy, Franklin D Roosevelt e Bill Clinton. Seu novo livro, Lincoln vs Davis: A Guerra dos Presidentes, foi publicado na terça-feira, dia das eleições presidenciais dos EUA, quando Kamala Harris enfrentou Donald Trump.

Mais adiante em seu livro, Hamilton observa um veredicto severo de 1862 sobre a vida em Washington, proferido por Adam Gurowski, um emigrado polonês no Departamento de Estado, palavras angustiantes que hoje parecem relevantes e pungentes.

“A fossa política é mais profunda, mais ampla, mais suja e mais feculenta do que nunca”, escreveu Gurowski.

Gurowski tinha motivos para estar enojado. Em dezembro de 1862, o sindicato estava em perigo. Dias antes, às Fredericksburg na Virgínia, as forças do norte foram derrotadas. A Proclamação de Emancipação, que transformaria formalmente a guerra na luta pelo fim da escravatura desejada pelos radicais, ainda não tinha chegado. Para as forças do progresso, foi realmente um momento sombrio.

O livro de Hamilton é produto de outro momento sombrio. Ele começou a trabalhar em 2019, quando Trump era presidente, sendo a Casa Branca um palco para o caos. Cinco anos depois, Lincoln vs Davis foi lançado no dia em que Trump regressou ao poder, depois de uma campanha repleta de alegações de fascismo, com os estados da Confederação por trás dele, os EUA tão divididos como em qualquer momento desde a guerra civil.

Falando um dia antes do dia das eleições, Hamilton disse que sua dupla biografia de Lincoln e Jefferson Davis, o presidente confederado, era “fascinante de escrever neste momento histórico. Estamos praticamente enfrentando a mesma situação de Lincoln há mais de 160 anos. Ele ganha uma eleição e os resultados das eleições não são aceites por metade do país, e eles recorrem à insurreição armada. Tivemos uma espécie de pressentimento disso em 6 de janeiro de 2021”, quando Trump enviou os seus apoiantes para invadir o Congresso.

“Agora… muitas pessoas estão nervosas com a violência e a insurreição mais uma vez. O que Karl Marx disse? A história se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa. Bem, isso foi repetido, a eleição de Lincoln, em 6 de janeiro, de forma bastante trágica. Será uma farsa nos próximos dias? Não sei, mas é meio estranho ter escrito este livro e depois ter visto, de certa forma, tudo ganhar vida novamente.”

Composição: Nigel Hamilton

Harris aceitou a derrota. Há quatro anos, Trump não o fez, lutando através dos tribunais e do Congressoantes e depois do ataque de seus apoiadores. O livro de Hamilton, porém, nasceu num campo de batalha real.

Tendo passado os verões da infância nos campos de batalha da Normandia, onde seu pai comandou as forças britânicas na Segunda Guerra Mundial, e mais recentemente “passado 10 anos em Franklin Roosevelt como comandante-chefe” naquela mesma guerra, Hamilton “estava dando uma palestra sobre o volume final, Guerra e Pazem Gettysburg, e levei um jovem amigo historiador para conhecer o campo de batalha, que é um lugar muito comovente. E eu olhei para ele e disse: ‘Lincoln em guerra’. Eu desenvolvi esta lente, por assim dizer, para olhar para um presidente que pode não ser treinado como soldado, como ele se comporta, porque… é um papel único que cada presidente assume e se envolver guerra, é extremamente cansativo e um desafio incrível.

“Então fui até meu editor e disse: ‘Gostaria de usar as lentes de FDR em Lincoln’. Houve vários livros muito bons, mas todos foram escritos por historiadores. Eles não foram escritos por biógrafos”, praticantes de uma arte que Hamilton resume a “tentar entrar na mente” do indivíduo em questão.

“Então comecei o trabalho com alguma confiança, mas… rapidamente percebi que estava escrevendo o livro errado. Que houve 20.000 livros sobre Lincoln, todos os aspectos de Lincoln, mas ninguém jamais estudou como ele conduziu a guerra civil como comandante-chefe contra seu oponente.”

Davis, que tentou salvar a escravatura, já não é um herói nacional. Mas ele estava então, como soldado, na guerra mexicano-americana; como político, como senador pelo Mississippi; e como administrador, como secretário da guerra. Em linhas gerais, o estudo de Hamilton sobre os dois homens mostra como Davis primeiro levou a melhor sobre seu rival inexperiente, um advogado rural com breve serviço militar que passou um mandato no Congresso, apenas para Lincoln se adaptar, aprender e sobreviver, em última análise, para ganhar a vantagem.

Para Hamilton, escrever uma biografia conjunta foi, em alguns aspectos, “como gravar uma luta de boxe, e isso não é uma má analogia, porque bem no início da guerra havia um desenho maravilhoso que coloquei no livro, onde Lincoln está de cueca de boxe e ele está levantou os punhos e está enfrentando Jefferson Davis.

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Presidente Abraham Lincoln. Fotografia: Recursos Rex

“O conflito entre eles é realmente como assistir a dois boxeadores, um dos quais é praticamente destreinado, que é muito desengonçado, embora tenha seus próprios talentos, e o outro foi treinado para ser boxeador, que é extremamente competente e quase vence. a guerra dentro de um ano e meio.”

Para Hamilton, o fato de Davis não ter derrotado Lincoln foi em grande parte o resultado da arrogância: na pessoa de Robert E Lee, o general confederado que levou a guerra para o norte em 1862, e no fracasso de Davis em detê-lo. Uma vez perdida a reivindicação confederada de autodefesa, Lincoln poderia jogar sua carta mais forte: a emancipação. Quando a guerra se tornou uma guerra para acabar com a escravatura, aceite por uma parte suficiente do Norte, o Sul perdeu a esperança de ser reconhecido por potências estrangeiras ávidas por algodão. O livro de Hamilton termina em 1º de janeiro de 1863, com a Proclamação de Emancipação. A guerra arrastou-se por mais dois anos, mas a sorte estava lançada.

Para Hamilton, “a melhor coisa sobre Lincoln” como presidente “era que ele acreditava no consenso do gabinete, em trazer o gabinete consigo, em não expulsar pessoas mesmo quando cometiam erros. Então, do ponto de vista executivo, ele era fraco. A certa altura eu o chamo de vacilador-chefe. Ele não consegue se decidir e, pior, não consegue se livrar das pessoas quando elas falham. Mas pelo lado positivo, significa que ele mantém o seu gabinete unido durante os primeiros anos da guerra. Lincoln prefere tê-los em seu próprio quarto em vez de atacá-lo de fora. E do seu jeito maravilhoso, ele consegue isso.”

Os membros do gabinete de Lincoln “só queriam que ele fosse um executivo melhor”, acrescentou Hamilton. “Encontrei essas anotações maravilhosas no diário… todas elas dizem: ‘Por que esse homem não pode simplesmente ser o comandante-em-chefe, dar ordens e apoiá-las?’ O arco da história de Lincoln é basicamente um fracasso, levando finalmente a um ponto em que seu oponente exagera em termos de boxe, pensando que conseguiu um nocaute, e Lincoln se levanta do chão e muda os termos da guerra.”

Hamilton nasceu na Inglaterra, mas tornou-se americano há anos. De Massachusetts, onde é bolsista na UMass Bostonele equilibrará as tarefas da semana de publicação – discussões sobre Lincoln e Davis e sua grande disputa – com a observação das consequências de outra importante batalha presidencial.

“Estou muito preocupado com os Estados Unidos”, disse ele – não apenas com Trump e as divisões que ele aprofunda, mas com o que poderá vir a seguir.

“Suponho que por ter escrito tanto sobre a Segunda Guerra Mundial, sobre a história alemã e a história europeia, e agora sobre a guerra civil, penso que aquelas pessoas que pensam que existe uma linha inevitável de progresso e melhoria democrática e assim por diante, elas você está errado. E nesse sentido, você sabe, é isso que é tão comovente em Lincoln, é que ele vê o que está sempre em jogo. Não se trata apenas de dinheiro e prosperidade do Norte ou algo assim. É algo muito maior.”



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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