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Fragilidade de Lula é tamanha que impede retaliaçã…

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Fragilidade de Lula é tamanha que impede retaliaçã...

Daniel Pereira

O presidente Lula assumiu o terceiro mandato ciente de que teria dificuldade na relação com o Congresso. Basicamente, por dois motivos. Primeiro, os partidos de esquerda elegeram bancadas minoritárias na Câmara e no Senado. Segundo, porque os congressistas, empoderados nos últimos anos, garantiram cerca de 50 bilhões de reais anuais em emendas parlamentares e, assim, deixaram de depender do Poder Executivo para destinar verbas a seus redutos eleitorais.

Numa tentativa de driblar o problema, Lula contemplou legendas de centro na formação do ministério, distribuindo três pastas para o MDB, três para o PSD e três para o União Brasil. Meses depois, ainda acomodou o Republicanos e o PP, que também levou de lambuja a Caixa. Essas concessões renderam frutos, e o governo conseguiu aprovar o novo marco fiscal, a reforma tributária e outros pontos da agenda econômica.

Apesar disso, a relação entre Palácio do Planalto e Parlamento nunca foi de harmonia. Havia, pelo contrário, queixas de lado a lado, com o presidente alegando ter entregado mais do que queria, e o Centrão reclamando por ter recebido menos do que gostaria. O ruído era evidente — e a conta uma hora chegaria.

Sucessão de reveses

Neste mês, o presidente sofreu duas derrotas importantes na Câmara. No último dia 14, a oposição protocolou um requerimento com pedido de urgência ao projeto que prevê anistia aos acusados de tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. O documento foi assinado por 262 deputados, cinco a mais do que o mínimo necessário, e a maioria dos signatários é filiada a siglas do Centrão que têm cargos no governo.

Dos 59 deputados do União Brasil, por exemplo, 41 aderiram à ofensiva oposicionista. A articulação política de Lula estrilou e até espalhou o boato de que demitiria os afilhados políticos dos deputados que endossaram o requerimento de urgência, mas nada fez. Veio, então, mais uma revés, com a recusa do líder do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes, de assumir o Ministério das Comunicações, depois de ser anunciado para o cargo pela ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

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Mais uma vez, governistas divulgaram a versão de que o União Brasil poderia ser penalizado, em razão da recusa de Fernandes, com a perda do Ministério do Turismo, cobiçado pelo PSD. De novo, nada aconteceu. E não aconteceu porque Lula não tem, neste momento, força política para retaliar. O presidente enfrenta crise de popularidade e de confiança entre agentes econômicos. Além disso, vários líderes do Centrão cogitam debandar de vez para a oposição. Só não o fazem agora porque não querem abrir mão das benesses da máquina pública.

Resignação com a base “aliada”

Experiente, Lula sabe que não tem como bater de frente com o Centrão. Ele depende dos votos do grupo para aprovar projetos nos quais apostas para melhorar a sua imagem, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5.000 reais mensais. O presidente também precisa manter em sua órbita caciques de partidos de centro que podem apoiá-lo em 2026, numa eleição que promete ser tão acirrada quanto a passada. Ao petista, por mais contrariado que esteja, não resta alternativa senão aceitar eventuais afrontas calado.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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