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Gisele Pelicot é uma heroína | Direitos das Mulheres
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2 anos atrásem
Gisele Pelicot é uma heroína.
O seu marido, Dominique Pelicot, admitiu recentemente num tribunal francês que a drogou para dormir, a violou e recrutou dezenas de homens para irem ao seu leito conjugal e violá-la também, noite após noite, durante uma década.
Conhecemos o nome de Dominique Pelicot e os detalhes chocantes dos crimes horríveis cometidos por ele e pelo seu grupo de colegas violadores – a maioria deles locais da pitoresca cidade francesa onde viviam – porque Gisele Pelicot corajosamente renunciou ao seu direito ao anonimato no julgamento, permitindo-lhe os detalhes do caso sejam ouvidos em público. Ela escolheu tornar sua história pública a um custo e um fardo incríveis para si mesma, porque queria fazer de seus agressores um exemplo e dissuadir outros homens de cometerem crimes semelhantes, pensando que poderiam escapar impunes.
Esta admirável mulher de 72 anos, que passou por dores e sofrimentos inimagináveis, deu um passo além na semana passada e convenceu o juiz que supervisiona o caso a disponibilizar as gravações de vídeo dos estupros ao público e à mídia.
Os advogados de Gisele Pelicot consideraram a decisão de tornar pública a filmagem uma “vitória” e disseram: “Se essas mesmas audiências, por meio de sua publicidade, ajudarem a evitar que outras mulheres tenham que passar por isso, então (Gisele Pelicot) encontrará sentido em seu sofrimento. .”
Então, sim, Gisele Pelicot é uma heroína moderna. Ao garantir que o mundo soubesse quem é o seu marido e o que ele fez, ela tornou-se um verdadeiro ícone feminista – um símbolo não de vitimização, mas de resistência das mulheres à violência masculina. Ela tomou uma posição não só por si mesma, mas por todas as mulheres, e será por muito tempo lembrada e respeitada por isso.
A coragem e bravura de Gisele Pelicot me encheram de orgulho e renovaram minha confiança na força das mulheres e no poder da irmandade. Mas a imagem dela enfrentando sozinha dezenas de estupradores também levantou em minha mente uma questão assustadora: onde estão os homens? Onde estão os homens bons, aqueles que gostam de dizer “nem todos os homens”? Por que eles não estão fazendo algo para garantir que crimes tão horríveis não aconteçam novamente? Por que eles não fazem parte da conversa?
Muitas vezes ouvimos falar de mulheres como Gisele Pelicot que corajosamente agem – muitas vezes com um custo incrível para o seu próprio bem-estar – para enfrentar a violência masculina e responsabilizar os homens violentos. Inúmeras mulheres – muitas vezes vítimas da violência masculina – sacrificam-se, falam, defendem, resistem, expõem, protestam para garantir que o mundo seja um lugar menos violento e mais justo para outras mulheres. Tive a honra de conhecer muitas dessas mulheres ao longo dos anos. Jill Saward, que sobreviveu ao infame “ataque de violação no vicariato de Ealing” em 1986, por exemplo, dedicou a sua vida à campanha contra a violência masculina e ajudou a mudar não só a legislação, mas também as atitudes da sociedade em relação à violação, aos violadores e às vítimas de violência sexual na Grã-Bretanha.
Por que não vemos homens se levantando contra a violência masculina como fazem essas mulheres corajosas?
Basta olhar para o caso Pelicot. Soubemos no julgamento que Dominique Pelicot abordou inúmeros homens para participarem no abuso sádico da sua esposa. Dezenas concordaram. E aqueles que disseram não optaram por permanecer em silêncio. Nenhum desses homens teve a clareza moral e a coragem de ir a público, expor o que estava acontecendo e receber qualquer pressão que pudesse surgir para garantir que o abuso de Gisele Pelicot chegasse ao fim e que nenhuma outra mulher fosse prejudicada. por seus estupradores no futuro. Nenhum deles sequer pensou em denunciar o abuso anonimamente. Os crimes de Dominique Pelicot só foram descobertos porque ele foi flagrado filmando saias femininas em um supermercado e foi preso.
Como é que nenhum dos homens que foram convidados a violar uma mulher inconsciente sentiu necessidade de denunciar o que estava a acontecer à polícia? Como é que nenhum deles conseguiu fazer o mínimo para acabar com o horrível abuso de uma mulher?
Sei que há homens que estariam dispostos a arriscar as suas reputações e até as suas vidas para pôr fim ao abuso e à exploração das mulheres. Conheci pessoalmente alguns – como o meu amigo Robert Jensen, que faz campanha incansável contra a pornografia. Mas depois de uma vida inteira de luta feminista, lutando contra a violência masculina na Grã-Bretanha e noutros lugares, posso dizer com segurança que podemos contar estes homens nos dedos de uma mão.
Claro, existem centenas, senão milhares de sinalizadores de virtude barbudos em todo o mundo que participam de marchas de mulheres e usam camisetas com os dizeres “É assim que uma feminista se parece”. Homens que – tendo insistido no seu direito a um lugar à mesa e a subir ao pódio – esperam gratidão e elogios apenas por serem um ser humano decente. Mas a maioria destes homens, quando confrontados com uma oportunidade de fazer a diferença, recusam-se a correr quaisquer riscos para ajudar a proteger as mulheres. O seu feminismo desaparece no ar quando apoiar as mulheres exige que elas saiam brevemente da sua zona de conforto e realmente façam alguma coisa.
Hoje, enquanto o julgamento de Dominique Pelicot e dos seus colegas violadores continua a colocar a questão da violência masculina nas manchetes internacionais, devemos celebrar Gisele Pelicot como a verdadeira heroína que ela é. Ela é uma mulher que trouxe mudanças reais e materiais. Ela é uma mulher corajosa que desistiu da oportunidade de ter uma vida tranquila e anônima depois de ser abusada e traída pelo homem mais próximo dela, apenas para ajudar e proteger outras mulheres. Ela é alguém que gerações de meninas irão admirar e em quem se inspirarão. Mas ao celebrá-la, devemos também lembrar-nos de perguntar: Onde estão os homens? Por que ela é a única com coragem? Por que ela é a única que arca com o custo da justiça? Por que nenhum homem neste caso horrível – um caso que envolve dezenas e dezenas deles – se tornou um exemplo para os meninos da mesma forma que Gisele se tornou uma inspiração para as meninas? Por que nenhum deles se levantou para expor o crime e lutar pela vítima?
Se quisermos garantir que o que aconteceu com Gisele não aconteça com outras mulheres, precisamos que os homens se levantem, falem e apontem o dedo aos estupradores, espancadores de mulheres e assassinos de mulheres entre eles. Precisamos que os homens – e mais do que apenas alguns deles – sejam verdadeiras feministas, prontos a assumir riscos pessoais para pôr fim aos danos causados às mulheres pelos seus semelhantes. Dizer “nem todos os homens” nunca é suficiente. Eles precisam agir. Não precisamos de discursos, nem de t-shirts, nem de declarações vazias de solidariedade. Precisamos de bons homens que sejam corajosos e com princípios suficientes para falarem contra os seus semelhantes que abusam, violam, drogam e assassinam mulheres – qualquer que seja o custo para eles.
A verdade mais triste que este caso expôs é que os violadores e outros abusadores de mulheres não são monstros sem rosto e sem nome à espreita em becos escuros. Mesmo aqueles que cometem os crimes mais hediondos, na maioria das vezes, parecem ser homens comuns com vidas normais que prejudicam as mulheres simplesmente porque pensam que podem escapar impunes.
Até os seus crimes serem descobertos, Dominique Pelicot também era conhecido como um homem comum – um marido, um pai, um membro destacado da sua comunidade. Os homens que recrutou para violar a sua esposa também pareciam comuns. Jamais esquecerei a visão deles fazendo fila para entrar no tribunal – apenas homens comuns, parecidos com qualquer marido, pai ou irmão que vemos na rua. O homem mais jovem a ser julgado admitiu ter estuprado Gisele no dia em que sua filha nasceu.
A corajosa decisão de Gisele Pelicot de nomear e envergonhar os homens que a estupraram criou uma tempestade perfeita porque expôs a monstruosidade dos homens comuns. Agora precisamos que esta tempestade continue. Precisamos que os homens aprendam com Gisele como ser um herói.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.
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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
23 de outubro de 2026O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.
Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.
A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.
As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

Organização
A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre
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4 dias atrásem
22 de outubro de 2026A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.
Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.
Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.
Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.
Herbário
O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.
Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.
A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.
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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
21 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.
A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.
Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.
Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”
A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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