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Gisele Pelicot vence seus estupradores – DW – 19/12/2024
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À medida que a lua nasce sobre as muralhas da cidade de Avignon, na noite anterior ao anúncio dos veredictos, é suficientemente alta para iluminar a faixa que um pequeno grupo de activistas feministas ergueu numa operação secreta. O banner diz: “Obrigado, Gisele”.
Na manhã seguinte, é a primeira coisa que advogados, jornalistas, familiares e os 51 homens acusados de estuprar Gisele Pelicot veja quando eles entram no prédio do tribunal. Ainda está escuro às 07h, mas já há uma longa fila de pessoas esperando do lado de fora.
Nos últimos quatro meses, França e o mundo inteiro ficou atordoado com as revelações deste caso. Dominique Pelicot, então marido de Gisele Pelicot, drogou e estuprou sua esposa por quase uma década. Ele também a ofereceu para ser estuprada por outros homens e foi comprovado que organizou mais de 200 estupros desse tipo.
Veredictos devidos no julgamento de estupro em massa de Pelicot na França
Levado direto para a prisão
Os acusados são instantaneamente reconhecíveis. Não apenas porque estão tentando se esconder atrás de máscaras e moletons, mas porque direitos das mulheres ativistas estão gritando “Estupradoresvemos você!” quando eles chegam. Uma mulher segura uma placa com um slogan que prevê: “Natal na prisão”.
Após 60 minutos de sentença, fica claro que Dominique Pelicot e dezenas de seus colegas estupradores passarão de fato este Natal, e muitos mais, na prisão. Presumivelmente, eles tinham contado com este resultado, já que muitos compareceram ao tribunal naquela manhã carregando malas e mochilas.
Um estuprador derramando uma lágrima
A sala do tribunal tem uma sensação austera, como uma sala de aula, mas a grande pintura magenta na parede atrás do juiz principal, Roger Arata, cria um efeito ligeiramente intimidador. A televisão ao lado, à direita, parece minúscula, os bancos de madeira, mundanos.
Em frente à pintura sentam-se cinco juízes vestidos de preto, enquanto o juiz principal veste vermelho. Alguns dos estupradores estão sentados no cais de madeira; aqueles que, como Dominique Pelicot, já estão sob custódia, sentam-se atrás deles numa caixa de vidro.
Dominique está com uma jaqueta cinza. A princípio inexpressivo, depois de um tempo ele enxuga uma lágrima do rosto, mantendo os olhos baixos.
O juiz principal, Roger Arata, começa a ler as 51 sentenças às 09h45. Dominique Pelicot é o primeiro.
Culpado em todos os aspectos
“Monsieur Pelicot, o tribunal decidiu por maioria que você é culpado de estupro agravado”, diz Arata.
Dominique Pelicot também é considerado culpado de todas as outras acusações contra ele: a sedações premeditadasregistrando seus crimes, as fotos pornográficas que tirou de sua filha Caroline sem o consentimento dela.
No espaço de uma hora, Gisele Pelicot ouve dezenas de vezes a frase “você é culpado de estupro qualificado”. Roger Arata declara todos os homens culpados na primeira meia hora; o segundo é gasto lendo suas frases.
Um por um, os homens recebem seu julgamento. Alguns permanecem serenos; outros olham para o espaço ou para o chão.
30 dos 51 homens se declararam inocentes, enquanto um está fugindo. Nenhum deles foi absolvido. Eles recebem penas de prisão de três a 15 anos; dois são libertados em liberdade condicional. Os condenados terão a oportunidade de recorrer.
Alguns dos activistas que esperam fora do tribunal declaram que todos os perpetradores deveriam ter recebido a pena máxima de 20 anos.
“O julgamento é insuficiente”, disse Jean-Baptiste Reddé. Ele afirma que não apenas Dominique Pelicot, mas “todos os outros homens que estupraram Madame Gisele Pelicot também deveriam ter sido condenados a 20 anos”.
Gisele Pelicot é celebrada como heroína feminista na França
Um dos estupradores afirma que pensou que era um jogo
Gisele Pelicot escuta atentamente a leitura das sentenças, balançando a cabeça de vez em quando e sussurrando algo de vez em quando para seu advogado. Ela olha seus estupradores nos olhos. À primeira vista, parecem homens normais e comuns.
Suas idades variam de 26 a 72 anos. São jardineiros, jornalistas, encanadores, técnicos de informática. Eles são pais e maridos; são carecas ou têm voz de fumante; eles têm barba, usam óculos, cardigãs, moletons. As mães de alguns dos homens saem do tribunal aos prantos ao saberem que terão de visitar os filhos na prisão neste Natal.
Um dos homens raspou o cabelo nas laterais, com corte inferior. Ele está vestindo jeans e um cardigã marrom e também está pronto para receber sua sentença. O nome dele é Simone Mekenese. Ex-soldado de 43 anos, era vizinho da família Pelicot. Dominique o convidou para “mostrar-lhe o que estava acontecendo”, após o que eles estupraram Gisele Pelicot juntos em novembro de 2018.
Como muitos outros estupradores, Simone também insiste que é inocente de estupro. Ele diz acreditar que tudo fazia parte de uma brincadeira, enquanto Gisele Pelicot – deitada de bruços, inconsciente – fingia estar dormindo. Ele só ficou desconfiado, diz ele, quando Dominique pediu que ele saísse do quarto porque sua esposa iria acordar logo.
Simone diz que nunca pediu consentimento a Gisele porque “um homem pode fazer o que quiser com uma mulher.” Mais tarde, sob interrogatório, ele revisa essa afirmação, dizendo que se expressou mal e esclarecendo que um homem também não tem o direito de bater na esposa.
Ao final deste último dia, Gisele Pelicot presta depoimento à imprensa.
“Quando abri as portas deste julgamento, no dia 2 de setembro, queria que a sociedade assumisse os debates que ali aconteciam”, disse ela. “Nunca me arrependi dessa decisão.”
Com isso, é Gisele Pelicot, e não seus estupradores, quem tem a última palavra.
Este artigo foi traduzido do alemão.
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Reitora da Ufac participa de fórum Brasil-África em Brasília — Universidade Federal do Acre
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26 de maio de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou, nessa segunda-feira, 25, em Brasília, do 1º Fórum de Reitores Brasil-África. A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Ministério da Educação (MEC), ela representou a Ufac no encontro, acompanhada da pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino Ferreira. O evento segue até quarta-feira, 27, e tem como foco o fortalecimento da cooperação internacional em educação superior entre universidades brasileiras e instituições africanas.
Guida destacou a importância da presença da Ufac em um espaço voltado ao diálogo internacional e à construção de parcerias acadêmicas. Segundo a reitora, a aproximação entre Brasil e África por meio da educação, da pesquisa, da inovação e da troca de experiências permite avançar em soluções conjuntas para desafios comuns. “Temos histórias, identidades e desafios que nos aproximam, e a universidade tem um papel fundamental nessa conexão”, afirmou.
O fórum é uma iniciativa liderada pelo MEC, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. A programação reúne reitores, pró-reitores e assessores de cooperação internacional de universidades federais, estaduais e privadas do Brasil, além de representantes de universidades africanas mobilizadas pela Associação de Universidades Africanas.

A proposta do encontro é ampliar as relações acadêmicas entre Brasil e África, com a construção de novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, setor aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.
A programação inclui painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões voltadas à construção de novas parcerias universitárias. Ao final do evento, os resultados e compromissos construídos serão formalizados na Carta de Brasília do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, documento que deve orientar os próximos passos da cooperação entre universidades brasileiras e africanas.
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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre
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22 de maio de 2026Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.
A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.
O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.
Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.
A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.
A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.
Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.
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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre
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21 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.
A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.
O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.
Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.
A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.
A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.
O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.
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