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IA agrava abuso sexual infantil – 01/11/2024 – Seminários Folha

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Caio Reis

Ferramentas de inteligência artificial facilitam a produção de materiais de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Esse conteúdo é conhecido como CSAM, sigla em inglês para “child sexual abuse material”.

A IWF (Internet Watch Foundation), organização inglesa de proteção à criança, encontrou mais de 3.500 imagens de abuso sexual infantojuvenil produzidas com IA em um único fórum online em março.

No estudo, a IWF mostrou a severidade das imagens de abuso produzidas com IA: 32% do material encontrado continha penetração, bestialidade ou sadismo. Além disso, foram descobertos os primeiros vídeos de CSAM criados com IA.

Imagens de atividades sexuais sem penetração, como sexo oral e masturbação, compreendiam 22% do conjunto encontrado. Os outros 46% não exibiam atividade sexual, mas ainda configuravam abuso, sendo mais comum exibirem cenas de nudez.

A maior parte das vítimas representadas nas imagens eram crianças de 11 a 13 anos (48%) e de 7 a 10 anos (34%), sendo 99% do sexo feminino.

A verossimilhança desses materiais assustou a IWF, pois 90% das imagens geradas por IA eram tão realistas que podiam ser confundidas com material real. Uma outra parte é intencionalmente gerada para não parecer realista: simulam desenhos e animações.

Em 2023, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC, na sigla em inglês), que atua nos EUA, recebeu 36,2 milhões de denúncias de abuso e exploração sexual infantojuvenil na internet oriundas do mundo todo. Desse total, 4.700 envolviam CSAM produzido com inteligência artificial.

Embora seja uma parcela pequena do total de denúncias, há um consenso entre especialistas de que a presença de material criado com IA deve crescer exponencialmente.

No Brasil, o número de páginas online denunciadas por conterem CSAM atingiu o maior patamar em 18 anos. Dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da Safernet, organização de defesa dos direitos humanos na internet, apontam que 7 em cada 10 denúncias de crimes cibernéticos envolviam CSAM. Foram mais de 71 mil casos em 2023, um crescimento de 77% em relação a 2022.

Como explica Thiago Tavares, diretor-presidente da Safernet, o volume de CSAM na “clear web” (parte da internet que é acessível por mecanismos de busca) tornou-se preponderante. “As redes sociais são usadas como vitrines para anúncio e venda de materiais [de abuso sexual infantojuvenil], que são veiculados nos aplicativos de troca de mensagens.”

Só em 2023, a Meta removeu 3,6 milhões de imagens e vídeos de abuso sexual de crianças e adolescentes, identificados nos serviços de mensagens privadas do Facebook e do Instagram. O X (antigo Twitter) removeu 12,4 milhões de contas, enquanto o TikTok baniu 522 mil usuários.

Ana Cláudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana e conselheira do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) diz que é necessário “ter maior comprometimento e responsabilização das plataformas no combate

ao abuso sexual”.

“Os criminosos se sentem à vontade nesses ambientes pela dificuldade de investigação. Eles sabem quais plataformas não colaboram com a polícia”, explica Jorge Barreto, investigador da Unidade de Inteligência Policial do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter) 5, em São José do Rio Preto (SP).

Embora ainda não haja dados sobre o volume de CSAM produzido com inteligência artificial no Brasil, Tavares alerta: “É muito barato produzir imagem de abuso sexual infantil com IA. E tem gente disposta a pagar por esse material. É questão de tempo para que isso seja explorado por organizações criminosas”.

Há softwares e sites que usam fotografias comuns para simular imagens de nudez (“nudifying”). Essas ferramentas têm sido usadas por adolescentes em práticas de cyberbullying em escolas. No ano passado, estudantes do Colégio Santo Agostinho, no Rio de Janeiro, tiveram suas fotos alteradas com IA por colegas para aparecerem nuas. Em agosto, alunas do Colégio Uirapuru, em Sorocaba, também foram vítimas.

Mas o uso dessas ferramentas não se restringe ao cyberbullying. Abusadores podem modificar imagens para extorquir as vítimas, exigindo dinheiro ou a produção de conteúdos reais de abuso. Nesse caso, artistas mirins e antigas vítimas de CSAM são mais vulneráveis pela disponibilidade de imagens suas ao alcance dos criminosos.

“Não consigo imaginar nenhum benefício em ferramentas cujo único propósito seja criar nudes sem consentimento das vítimas”, afirma Tavares.

Outra possibilidade de uso da inteligência artificial é a geração de imagens por comandos de texto. Uma vez treinadas com materiais pornográficos ou de abuso sexual infantojuvenil, a IA generativa pode tornar os limites da produção de CSAM imprevisíveis.

Segundo Barreto, que atua há mais de dez anos no combate ao abuso infantojuvenil online, a dinâmica desse tipo de crime é muito heterogênea. Por isso, não há um roteiro definido para conduzir as investigações.

Nas redes sociais, a investigação da Polícia Civil de São Paulo é feita por ronda virtual e infiltração em comunidades de abusadores, com eventual interação com os criminosos. Os profissionais precisam ter conhecimento aprofundado e experiência.

Barreto treinou 500 policiais civis em todo o país, mas afirma que só 120 agentes estariam na ativa, 20 deles capacitados para fazer análise avançada de modificação e produção de CSAM. “A rotatividade de profissionais é muito alta. É difícil se manter nessa atuação, sobretudo por questões de saúde mental”.

A Polícia Federal desenvolveu o Sistema Rapina em 2022, em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O software utiliza IA para identificar materiais de abuso sexual infantojuvenil.



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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

09 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC

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