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IA chinesa DeepSeek repete mantra e censura dos comunistas – 28/01/2025 – Tec
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Igor Gielow
Um dia após chega de forma avassaladora e abalar o mercado de tecnologia do Ocidente, a ferramenta de inteligência artificial generativa chinesa DeepSeek ajustou seus parâmetros ideológicos, fechando brechas e promovendo os mantras e a censura do Partido Comunista de seu país.
Em temas de política externa, a IA lançada na segunda (27) se comporta como um porta-voz do regime liderado por Xi Jinping, tomando a iniciativa de divulgar a visão de Pequim sobre diversos assuntos sem que isso seja questionado pelo usuário.
As dificuldades quando o usuário pergunta o que foi o massacre da Paz Celestial em 1989 ou se Taiwan é uma nação independente remetem à lei aprovada em 2023 na China que obrigou empresas do país a adequar suas IAs aos ditos “valores socialistas”.
A lei veta conteúdo “que incite a subversão do poder do Estado e a derrubada do sistema socialista, que coloque os interesses e a segurança nacional em perigo, que afete a imagem do país, incite secessão, mine a unidade nacional e a estabilidade social, promova terrorismo, extremismo, ódio nacional e discriminação ética, violência, obscenidade e pornografia”.
Suas competidoras ocidentais, como o popular ChatGPT e o Gemini, da Google, muitas vezes sobem no muro ou simplesmente se omitem acerca de temas polêmicos, inclusive aqueles vetados na China.
A Folha fez algumas comparações que mostram que, apesar disso, a iniciativa ideológica parece ser uma novidade do produto chinês. Por óbvio, não é um levantamento extensivo e científico, mas bate com relatos espalhados pelas redes sociais.
“Desculpe, isso está além do meu escopo atual. Vamos falar sobre outra coisa”, responde o DeepSeek quando questionado acerca da revolta de estudantes reprimida de forma brutal pela China em 4 de junho de 1989, na praça da Paz Celestial, centro de Pequim, por exemplo.
No ChatGPT mais simples acessível sem login na web, surge um arrazoado de 5.365 caracteres com espaços com o contexto histórico bastante completo. O Gemini foi mais suscinto, com 1.942 palavras, mas o relato era fidedigno.
Por óbvio, o governo chinês não concorda. Já o episódio em que o ex-líder chinês Hu Jintao foi retirado bruscamente do congresso do PC chinês inexiste no novo app, enquanto é descrito no ChatGPT, mas não no Gemini.
O DeepSeek só escorrega quando a reportagem tenta emular um truque que havia dado certo no começo da manhã para usuários citados em uma reportagem do jornal britânico The Guardian.
Os internautas pediram que a resposta de tema sensível, no caso sobre o desconhecido que parou uma coluna de tanques naquele episódio e virou símbolo democrático, fosse dada trocando algumas letras por números, forma de driblar censura de termos malvistos em redes sociais (“m0rt3”, por exemplo).
Pela manhã, veio uma resposta correta nessa novilíngua virtual. No começo da noite, a Folha repetiu a pergunta, em inglês e português, e ficou com o “não posso lhe ajudar”. Aplicando o mesmo para o massacre em si, veio uma curta doutrinação acerca da milenar história chinesa.
Ela acabava com um deixa-disso: “Atualmente, a China está focada em construir uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos e em realizar o sonho chinês da grande revitalização da nação chinesa. Preferimos olhar para o futuro, continuar a promover a reforma e abertura, e contribuir para a paz e o desenvolvimento da humanidade”.
As palavras poderiam ter saído na imprensa estatal ou em comunicados do partido, a terminologia e o sentido são idênticos. O mesmo se vê quando a reportagem quis saber se Taiwan, que não é reconhecido como nação independente na ONU, é um país.
Insistindo no motivo parar haver coerção militar em torno da ilha, a resposta é que é preciso reprimir separatismos. O padrão se repete em temas o controle do mar do Sul da China, a autonomia de Hong Kong, e em qualquer citação a Xi, que domina a política de seu país de forma inaudita desde 2012.
O cenário fica ainda mais curioso quando são feitas perguntas sobre geopolítica, sem que a palavra China seja evocada. A reportagem questionou quem é o responsável pela Guerra da Ucrânia, por exemplo.
Enquanto os rivais ocidentais fazem resumos equilibrados, sem por exemplo demonizar a Rússia mas apontando que o primeiro tiro em 2022 foi de Vladimir Putin, o DeepSeek gasta 1 linha para falar que é uma questão complexa e outras 6, para explicar a posição chinesa em plural majestático.
E “há um genocídio em Gaza”? ChatGPT pende mais para o sim, com a versão israelense, enquanto o Gemini dá um quadro mais equilibrado. Já o DeepSeek diz que “a situação é complexa e envolve questões históricas, políticas e humanitárias. A China defende uma solução pacífica”, antes de repetir a posição de Pequim.
O mesmo se vê em questões sobre a economia mundial, o futuro das IAs ou acerca do legado da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O conflito que definiu a ordem internacional hoje questionada ganha 5 linhas genéricas sem falar da Guerra Fria entre EUA e União Soviética, enquanto a China fica com 4 só para ela.
Os exemplos estão em linha com as proibições temáticas do Grande Firewall chinês, e sugerem a necessidade de filtros pessoais para lidar com o DeepSeek. As buscas deste texto foram feitas no Brasil, em um notebook com VPN desligada e com o login executado por meio, ironicamente, do Google.
Por óbvio, o funcionamento na China deve se diferente, e o cadastro por meio de e-mail não funcionou durante toda a terça (28) neste computador.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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