ACRE
Investidores ousam imaginar um mundo além do dólar – 07/03/2025 – Mercado
PUBLICADO
1 ano atrásem
Katie Martin
Os investidores estão começando a imaginar um sistema financeiro sem os Estados Unidos no centro, oferecendo à Europa uma oportunidade que simplesmente não deve ser perdida.
Este exercício de pensar o impensável ocorre apesar de uma cacofonia de ruídos nos mercados. Mansoor Mohi-uddin, economista-chefe do Bank of Singapore, viajou recentemente para visitar clientes em Dubai e Londres.
Para sua surpresa, nenhum deles perguntou sobre questões de curto prazo, como ações de tecnologia ou ajustes nas taxas de juros. Em vez disso, ele diz: “as pessoas estavam dizendo: ‘O que está acontecendo?’ A era do livre comércio, dos mercados livres e da globalização acabou, e ninguém sabe o que vai substituí-la.”
Eles se referem, é claro, à nova administração dos EUA. Dentro de um mês após reassumir seu assento na Casa Branca, Donald Trump e cia praticamente destruíram a aliança transatlântica e atropelaram os principais controles, equilíbrios e instituições sobre os quais o verdadeiro excepcionalismo dos EUA é construído.
“É uma mudança monumental acontecendo. Se continuar assim, os alocadores de capital vão se perguntar: ‘Quero continuar alocado nos EUA?'”, afirma Mohi-uddin.
Isso atravessa classes de ativos. Em ações, a preferência pela Europa é clara —os mercados estão avançando à frente dos EUA em um padrão altamente incomum. Mas os mercados de ações voláteis são apenas a superfície. O que realmente importa é o uso internacional do dólar e os mercados de títulos em dólar, como o suposto alicerce sem risco das finanças globais.
Isso já está começando a aparecer. Na terça-feira (4), por exemplo, apesar do choque das novas tarifas comerciais dos EUA sobre o Canadá e o México, o dólar não está subindo em sua forma usual. O Deutsche Bank diz que isso reflete em parte “a potencial perda do status de porto seguro do dólar”.
“Não escrevemos isso levianamente. Mas a velocidade e a escala das mudanças globais são tão rápidas que isso precisa ser reconhecido como uma possibilidade”, escreveu o analista de moedas George Saravelos. O que antes era extravagante agora está se tornando plausível.
Economistas próximos a Trump foram claros ao afirmar que veem o status do dólar de principal moeda de reserva do mundo como uma bênção e uma maldição —”oneroso”, como colocou o assessor Stephen Miran. Continua sendo uma possibilidade —novamente impensável há apenas algumas semanas— que os EUA possam tentar desvalorizar o dólar em um esforço para apoiar a manufatura doméstica.
Mas os EUA também poderiam desmantelar seu próprio privilégio exorbitante por acidente ao empurrar os grandes monstros dos mercados de títulos —bancos centrais estrangeiros e outros gestores de reservas oficiais— para os braços de outras nações.
O dólar compõe mais de 57% das reservas oficiais globais, de acordo com dados de referência do FMI, muito além da fatia dos EUA na economia global. O euro representa 20%, e todos os outros estão pegando as sobras.
Os otimistas sonhadores argumentam há anos que a fatia do euro deveria ser maior, mas eles têm lutado contra a realidade. Os mercados de títulos da Europa estão fragmentados em estados constituintes, com a Alemanha no centro. A coesão monetária está lá, mas não a coesão fiscal ou estratégica. Nenhum mercado nacional é simultaneamente grande, seguro e líquido o suficiente para atender às necessidades de um gestor de reservas.
Negociações de grande porte deixam uma marca e, em uma emergência, esses grandes jogadores descobrem que apenas o ágil mercado de títulos do governo dos EUA serve.
A UE tem lutado para oferecer uma alternativa. É aí que este momento histórico entra. Sua necessidade urgente de gastos com defesa simplesmente supera a capacidade de seus mercados nacionais de títulos individuais. O empréstimo conjunto —fácil de dizer, mas diabolicamente complicado de fazer— é a resposta óbvia. O resultado pode muito bem ser que a Europa seja empurrada ainda mais para o centro do sistema financeiro global.
Folha Mercado
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
A pandemia de Covid-19 ofereceu um vislumbre de como o agrupamento de recursos pode funcionar em grande escala. Naquela época, os títulos emitidos pela própria UE, em vez de Estados individuais, foram recebidos com enorme demanda. A urgência da situação atual oferece pouca escolha a não ser agir rapidamente. “A ação coletiva pode ser uma resposta, mesmo que o consenso ainda não tenha sido construído”, disseram analistas da agência de classificação S&P Global em uma nota no mês passado.
Se a UE pudesse aproveitar este momento, ela acessaria um poço profundo de compradores dispostos a reduzir a exposição aos EUA. “Muitos gestores de reservas poderiam mudar muito rapidamente”, diz Mohi-uddin. “Haveria uma enorme adesão.”
A dominância dos EUA nos mercados globais de dívida não precisa terminar com um estrondo. Grandes investidores, que se movem lentamente, simplesmente teriam que acumular outros ativos em vez de necessariamente se desfazerem de seus títulos do Tesouro. Mas, com o tempo, o resultado seria o mesmo. Mudanças de regime desse tipo não acontecem com frequência. Mas elas acontecem. A libra esterlina já foi a moeda de reserva global também.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
5 dias atrásem
1 de junho de 2026A Ufac realizou a entrega de novos equipamentos para o Laboratório de Sismologia da Estação de Geofísica Aplicada do Acre. Os dispositivos provêm de emenda parlamentar no valor de R$ 750 mil, alocada pela deputada federal Socorro Neri (PP-AC), inseridos em um investimento global de R$ 900 mil destinados ao projeto de pesquisa da universidade. O evento ocorreu na sexta-feira, 29, no auditório do bloco do curso de Física.
O aporte viabilizou a aquisição de um sistema de videoconferência e monitoramento —composto por TVs, câmeras e nobreaks— além de workstations com GPU e servidores dedicados de alta performance para o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da universidade.
A estrutura física e computacional dará suporte a uma rede de seis estações sismográficas de banda larga com telemetria, que funcionarão de forma contínua (24 horas por dia, sete dias por semana) nos municípios de Rio Branco (campus-sede), Sena Madureira, Tarauacá, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus.
Além de atuar no monitoramento da atividade tectônica regional para fins de proteção junto à Defesa Civil do Estado, o laboratório utilizará métodos de sísmica passiva para o mapeamento de falhas profundas com potencial de geração e migração de hidrogênio geológico.
“Este é o primeiro laboratório de sismologia da região Norte. Isso é muito importante porque nossa região sofre influência da atividade na borda de duas placas tectônicas”, explicou a reitora Guida Aquino.
Socorro Neri enfatizou o compromisso com o avanço científico regional, ressaltando que os novos dispositivos tecnológicos contribuirão diretamente para o monitoramento preciso e seguro de abalos na Amazônia.
O coordenador do projeto e da área de Física, professor Antonio Romero da Costa Pinheiro, destacou o caráter integrador do projeto. “Unimos a pesquisa de ponta à extensão universitária através da confecção de sismômetros didáticos de baixo custo com sensores Arduino para escolas públicas da rede estadual e municipal.”

Também compuseram o dispositivo de honra da solenidade a vice-reitora eleita, Almecina Balbino; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima; e o coordenador do curso de Física, Victor Ribeiro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
Relacionado
ACRE
PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
5 dias atrásem
1 de junho de 2026O Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac sediou uma reunião estratégica para debater alternativas de prevenção, controle, monitoramento e combate a incêndios florestais nas áreas verdes do campus-sede, projeto Humaitá e Fazenda Experimental Catuaba. O encontro ocorreu na sexta-feira, 29, na sala ambiente do PZ.
A iniciativa foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação institucional frente à aproximação do período de estiagem. Nessa época, a combinação de vegetação seca, acúmulo de folhas e galhos e baixa umidade eleva drasticamente a vulnerabilidade desses espaços. Além do viés ambiental, a pauta destacou a relevância acadêmica das áreas para atividades de ensino, pesquisa e extensão de diversos cursos da universidade.
Os participantes discutiram propostas para fortalecer o controle de acesso, a vigilância e o planejamento preventivo. O histórico de sinistros na instituição, como o incêndio de 2010 ocorrido nas proximidades da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), foi lembrado para reforçar a urgência de tratar o tema de forma permanente.
Além disso, foi apresentada uma contextualização institucional do PZ e sua relevância para a Ufac e a sociedade acreana. O professor Rodrigo Perea expôs a pesquisa desenvolvida em 2025 por seu orientando, Moisés Pereira, aluno do doutorado Bionorte da Ufac, sobre risco de incêndio em áreas florestadas do campus-sede.
As discussões foram enriquecidas pelas contribuições do professor Moisés Barbosa de Souza, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), reconhecido por seu conhecimento sobre as áreas florestadas da Ufac, apontando para a necessidade de uma construção coletiva que envolva orientação, resposta rápida e proteção da biodiversidade.
“Esperamos que a organização de alternativas de prevenção, monitoramento e combate ao risco de incêndios florestais nas áreas da Ufac avance significativamente em 2026”, disse o diretor substituto do PZ, Wanderson Gomes. “Diante da previsão de uma estiagem mais severa, é fundamental que a universidade esteja preparada para agir de forma planejada, integrada e preventiva.”
Também participaram da reunião representantes da Prefcam, do CCBN, do CFCH, dos cursos de Geografia e Medicina Veterinária, do doutorado Bionorte, além de servidores e colaboradores ligados à temática ambiental.
Próximos passos
Para dar materialidade às ações propostas, foram definidos os seguintes encaminhamentos práticos:
– 3 de junho às 8h: visita in loco à trilha interna do PZ (trajeto de aproximadamente 3 quilômetros) para mapear pontos críticos, gargalos de acesso e possibilidades de intervenção;
– 12 de junho às 8h30: nova reunião de trabalho com o objetivo de dar continuidade às discussões e avançar na consolidação de medidas integradas.
Relacionado
ACRE
Projeto da Ufac integra exposição sobre memória da covid-19 — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
28 de maio de 2026O projeto de extensão Relatos de Maternidade, da Ufac, desenvolvido entre setembro e dezembro de 2020, compõe a exposição A Infinita Memória da Pandemia: A História da Covid-19, cuja cerimônia de inauguração ocorreu na terça-feira, 26, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília, e que também passará por Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e São Paulo.
O projeto foi desenvolvido pelas professoras Ana Letícia de Fiori, do curso de Ciências Sociais e do programa de pós-graduação em Artes Cênicas, e Camila Bylaardt Volker, à época do curso de Letras e atualmente servidora do Ministério das Mulheres. Elas e seis estudantes entrevistaram, por WhatsApp, mais de 50 mulheres e mães, coletando relatos sobre suas experiências de maternidade e vida.
O trabalho abordou, ainda, cuidados, trabalho, família, medos, esperanças e projetos afetados pela pandemia da covid-19 no Acre, originando um e-book (162 p.) lançado pela Editora da Ufac (Edufac) em 2025, disponível para leitura online e download gratuito. Além disso, passou a integrar o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, como coleção.
Nessa quarta-feira, 27, as professoras Ana Letícia e Camila participaram, tratando dos relatos de maternidades, de mesa-redonda com os organizadores dos projetos Fala, Parente (PET Indígena, Unifap), a qual contou com depoimentos de indígenas do Amapá, Pará e Guiana Francesa.
A exposição levará a capitais brasileiras parte das coleções do Memorial da Pandemia de Covid-19, sediado no Rio de Janeiro e desenvolvido pela Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
ACRE5 dias agoPZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre
ACRE5 dias agoUfac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia — Universidade Federal do Acre
DINHEIRO3 dias agoBNED volta ao radar de Wall Street após crescimento acelerado e anúncio de dividendos
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login