ACRE
‘Israel está tentando apagar nossa presença’: palestinos dizem que ‘plano de generais’ para limpar o norte de Gaza está em andamento | Guerra Israel-Gaza
PUBLICADO
2 anos atrásem
Bethan McKernan in Jerusalem
Hhospitais bombardeados, abrigos incendiados, homens e meninos separados de suas famílias e levados em veículos militares; um ano após o início da guerra Israel-Hamas, civis agarrando-se no norte de Gaza dizer que a situação está pior do que nunca.
Cerca de 400 mil pessoas permaneceram na Cidade de Gaza e cidades vizinhas desde Israel isolou a área do resto do território e emitiu ordens de evacuação. Alguns não estão dispostos a sair de casa, com medo de nunca mais poderem regressar; outros decidiram ficar onde estavam por causa dos familiares idosos ou deficientes. Civis relataram que as rotas para a relativa segurança do sul não são seguras, citando disparos de franco-atiradores e detenção pelas forças israelenses.
Agora, muitos acreditam que Israel está a tentar terminar o trabalho com uma nova ofensiva aérea e terrestre na área, que já matou pelo menos 800 pessoas desde que começou, em 6 de Outubro. Apertando o cerco e cortando ajuda para forçar a fuga da restante população está delineado numa proposta conhecida como “o plano dos generais”, apresentada ao governo de Benjamin Netanyahu no mês passado. Especialistas dizem que tais táticas equivalem a crimes de guerra.
Os socorristas interromperam as operações no norte Gaza totalmente depois que as tripulações foram feridas em ataques aéreos ou detidas pelos militares e seu último carro de bombeiros foi destruído por bombardeios de tanques. Os três hospitais em dificuldades na área dizem que o equipamento médico é tão escasso que têm de decidir quais pacientes podem ajudar e quais devem deixar morrer. Um bloqueio quase total à entrega de ajuda significa que os alimentos e a água estão perigosamente baixos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse no X esta semana: “As pessoas que sofrem sob o cerco israelita em curso no norte de Gaza estão a esgotar rapidamente todos os meios disponíveis para a sua sobrevivência”.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) e o governo israelita negam a realização de uma campanha deliberada de “rendição ou fome” e dizem que a nova ofensiva é necessária para impedir o reagrupamento dos combatentes do Hamas. Mas o plano dos generais, assim chamado porque foi elaborado por um grupo de líderes militares reformados, constitui um plano claro.
Sawsan Zaher, um advogado palestino de direitos humanos baseado em Haifa, disse: “Não importa se Israel diz que está fazendo isso ou não, se o chama por um nome diferente ou não. O que importa no direito internacional é o que está a acontecer no terreno, e podemos ver claramente que Israel está a tentar apagar a presença palestiniana no norte de Gaza.”
O objectivo declarado do plano dos generais é evitar uma longa guerra de desgaste, colocando tanta pressão quanto possível sobre o Hamas, forçando a rendição do grupo e o regresso de 100 reféns capturados em 7 de Outubro de 2023 e ainda mantidos em cativeiro.
O plano sugere dar aos palestinos no norte de Gaza um ultimato para saírem e depois declarar a área uma zona militar fechada. Aqueles que permanecerem seriam considerados combatentes e, portanto, alvos legítimos, afirma. Água, alimentos, combustível e suprimentos médicos seriam completamente cortados.
Após a rendição do Hamas, a Faixa de Gaza ficaria permanentemente dividida em duas, com Israel a controlar indefinidamente o norte, até que uma nova administração civil palestina pudesse assumir o poder.
Grupos de direitos humanos condenaram o plano, dizendo que viola proibições internacionais sobre a utilização de alimentos como arma e transferências forçadas. O facto de Israel estar a limitar intencionalmente a entrada de alimentos em Gaza já é uma questão importante no caso de genocídio contra o país no tribunal internacional de justiça. Israel afirma que as agências humanitárias são culpadas pela lentidão nas entregas e que o Hamas está a desviar ajuda.
Mas com o cessar-fogo mediado internacionalmente e as negociações sobre o acordo de libertação de reféns num impasse desde Julho, e com Israel a travar uma nova guerra contra o Hezbollah em Líbanoos observadores dizem que parece que Israel pode estar a experimentar uma mudança de estratégia em Gaza.
“As luzes brilhantes já não estão em Gaza, apesar de o governo israelita estar a deixar muito claro o que planeia fazer. A razão é simples: porque eles podem. Os EUA, a ONU, a UE; quem vai detê-los?” disse Diana Buttu, advogada e ex-negociadora de paz palestina.
Apesar da esperada retomada das negociações de cessar-fogo na próxima semana, acredita-se que Israel esteja considerando apenas uma breve trégua de 12 dias. Altos responsáveis da defesa israelita disseram recentemente ao diário israelita Haaretz que o objectivo mais amplo do governo era agora anexar grandes partes do território palestiniano.
O plano dos generais, ou uma versão dele, ajudaria a atingir esse objectivo, embora o Gen Giora Eiland, o autor principal, tenha dito ao Guardian que se opunha à reinstalação israelita na Faixa de Gaza. O cerco era uma táctica válida ao abrigo do direito humanitário internacional, disse ele, e o plano deveria ser visto como uma alternativa caso não fosse possível alcançar uma solução diplomática para acabar com a guerra.
“A razão pela qual tivemos um acordo de reféns bem sucedido em Novembro é porque dois camiões de ajuda iam para Gaza por dia e o Hamas estava desesperado”, disse ele. “A ideia de que existe uma forma limpa de lutar e não matar civis na guerra moderna é ingénua… Muitos mais palestinianos e muitos mais israelitas morrerão se a guerra não terminar o mais rapidamente possível.”
Michael Milstein, especialista do Hamas e chefe do fórum de estudos palestinos da Universidade de Tel Aviv, disse acreditar que o plano dos generais não promoveria os dois objetivos militares declarados de Israel em Gaza – a derrota do Hamas e o retorno dos reféns.
“Depois de um ano de combates e mesmo com a saída de (Yahya) Sinwar, já deveríamos perceber que, mesmo que ocupemos toda a Faixa, o Hamas não irá parar de lutar”, disse ele, referindo-se ao recente assassinato do líder do grupo em Rafah.
“Não existem boas opções para Israel em Gaza, mas temo que esta possa causar ainda mais danos à imagem de Israel. Muitas pessoas em Israel ainda não compreendem que o resto do mundo não vê o que está a acontecer no norte de Gaza como uma guerra justa. Isso por si só é um grande problema estratégico.”
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR

Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

Ufac abre 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus — Universidade Federal do Acre
Estudantes de Jornalismo da Ufac ensinam audiovisual a moradores da Reserva Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
ACRE
Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
13 horas atrásem
22 de outubro de 2026A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.
Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.
Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.
Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.
Herbário
O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.
Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.
A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.
Relacionado
ACRE
Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 dia atrásem
21 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.
A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.
Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.
Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”
A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
Relacionado
ACRE
Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
3 dias atrásem
20 de outubro de 2026Pesquisadores do projeto Pavic-Lab, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apresentaram seis trabalhos científicos durante a Conference on Graphics, Patterns and Images (SIBGRAPI 2026), congresso internacional de referência nas áreas de computação gráfica, processamento de imagens e visão computacional, realizado de 29 de setembro a 2 de outubro, em Goiânia (GO). As pesquisas foram desenvolvidas no projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) Pesquisas Aplicadas em Visão e Inteligência Computacional (Pavic-Lab), uma iniciativa de cooperação técnico-científica entre a Ufac, Motorola, Flextronics e Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape).
Segundo a professora do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET), Ana Beatriz Alvarez Mamani, a participação no congresso contribui para divulgar a produção científica desenvolvida no Acre e ampliar o intercâmbio com outras instituições. Ela destacou que a presença da Ufac em eventos científicos também ajuda a reduzir as desigualdades regionais na ciência brasileira, além de possibilitar novas parcerias e o aperfeiçoamento das pesquisas.
A equipe foi composta pela professora Ana Beatriz Alvarez Mamani, pelo pesquisador Quefren Leher, pelos mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC) Clécio Silva, Lucas Carvalho, Gustavo Ferreti, Julio Martins e Ian Teixeira, além do graduando em Sistemas de Informação Kauã Galvão de Macedo.
Dos seis trabalhos apresentados, um integrou uma sessão especial do congresso e já foi publicado na revista científica Computers & Graphics. Outros três foram apresentados na programação principal, com previsão de publicação nos anais do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e na biblioteca digital da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Os dois trabalhos restantes foram apresentados em workshops, também com previsão de publicação na biblioteca digital da SBC.
As pesquisas estão divididas em duas áreas principais: reconstrução tridimensional e processamento de imagens. Na primeira, Clécio Silva apresentou um método computacional para criar representações digitais mais detalhadas de ambientes internos a partir de imagens. A tecnologia pode ser aplicada em jogos, realidade virtual e aumentada, simulações e projetos da construção civil.
Na área de processamento de imagens, Lucas Carvalho apresentou uma pesquisa para reconstruir imagens de alta faixa dinâmica (HDR) a partir de uma única imagem convencional, buscando recuperar detalhes em regiões claras e escuras. Gustavo Ferreti desenvolveu uma rede neural para combinar imagens com diferentes níveis de exposição e melhorar a qualidade visual dos resultados.

Julio Martins apresentou uma metodologia para reduzir o custo computacional da reconstrução de imagens HDR, preservando a qualidade das imagens produzidas. Ian Teixeira investigou o uso de mecanismos de atenção em modelos de inteligência artificial para recuperar informações em imagens de baixa qualidade. Já Kauã Galvão de Macedo apresentou uma abordagem que combina redes neurais e técnicas de processamento de sinais para melhorar imagens capturadas em ambientes com pouca iluminação.

Os métodos desenvolvidos apresentam potencial de aplicação em sistemas embarcados com recursos computacionais limitados, como dispositivos eletrônicos que integram processamento de imagens, permitindo aprimorar a qualidade visual com menor demanda de processamento.
Para o graduando Kauã Galvão de Macedo, a participação no congresso proporcionou a oportunidade de apresentar os resultados de sua pesquisa e conhecer novas abordagens científicas. “Foi uma ótima experiência, tanto pela oportunidade de apresentar minhas pesquisas desenvolvidas na Ufac quanto pela troca de conhecimentos com pesquisadores de outras instituições”, afirmou.
Segundo Kauã, as discussões realizadas durante o evento possibilitaram o contato com técnicas que poderão contribuir para suas pesquisas e para os projetos desenvolvidos pelo Pavic-Lab, além de abrir oportunidades de colaboração científica.
O mestrando em Ciência da Computação Gustavo de Souza Ferreti também destacou a importância da experiência para sua formação acadêmica. “Tive a oportunidade gratificante de conhecer professores e pesquisadores com ampla trajetória no nosso campo, além de ouvir sobre suas vivências e receber orientações valiosas para aprimorar meu trabalho”, disse.

O Pavic-Lab desenvolve atividades de pesquisa voltadas ao processamento de imagens, ao aprimoramento da qualidade visual e à reconstrução tridimensional de ambientes e objetos. Após a participação no congresso, a equipe dará continuidade às pesquisas científicas, com novos experimentos e avaliações para aperfeiçoar os métodos, reduzir custos computacionais e ampliar as possibilidades de aplicação prática dos resultados.
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
Warning: Undefined array key 0 in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/single.php on line 591
Warning: Attempt to read property "cat_name" on null in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/single.php on line 591
5 dias agoEstudantes de Jornalismo da Ufac ensinam audiovisual a moradores da Reserva Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
ACRE5 dias agoUfac promove ação de prevenção à saúde da mulher durante o Outubro Rosa — Universidade Federal do Acre
ACRE3 dias agoUfac abre 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus — Universidade Federal do Acre
ACRE3 dias agoPavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login