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Itamaraty se prepara para turbulências em 2025 – 31/12/2024 – Mundo

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Guilherme Botacini

A diplomacia brasileira avalia 2024 como um ano positivo, principalmente pela realização da cúpula do G20 no Rio de Janeiro e pela assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, embora atritos do governo Lula com vizinhos e outros países tenham tumultuado os planos do Itamaraty. Agora, a pasta se prepara para um 2025 com a previsão de mais turbulência no cenário global.

A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos é a novidade inescapável do cenário político e econômico internacional. O republicano afirma, desde a campanha, que vai criar e ampliar tarifas e jogar duro até mesmo com aliados europeus em acordos bilaterais e fóruns multilaterais.

Em dezembro, Trump elencou o Brasil entre os países que “cobram muito” em termos de tarifa e prometeu tratamento recíproco.

A fala do americano —e a relação pouco amistosa entre ele e o presidente Lula, que declarou preferir vitória de Kamala Harris— indica um 2025 em que a diplomacia brasileira terá de lidar tanto com os efeitos diretos deste novo momento da relação bilateral Brasil-EUA, quanto com os efeitos da política de Trump sobre a ordem global.

Um ponto de conflito em potencial está na cúpula do Brics em 2025, a quarta vez que o Brasil vai sediar o evento. Em 2024, o foro ocorreu na Rússia, e Lula não compareceu por questões médicas, após cair e bater a cabeça.

A cúpula do Brics, grupo que reúne China, Rússia, Índia e África do Sul, além dos recém incluídos Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, tem buscado ser um espaço relevante do que seus líderes chamam de nova ordem multipolar —ou seja, sem hegemonia de Washington.

Além disso, o grupo é espaço de discussão de países opostos ao Ocidente nas duas grandes guerras que transbordam novamente de ano, no Oriente Médio e na Ucrânia. No início do ano, Lula também viveu grande crise com Israel, ao comparar as ações de Tel Aviv em Gaza com o Holocausto durante o nazismo, e foi classificado como “persona non grata” no país.

Uma das pautas na agenda do Brics é o reforço do uso de moedas locais de países do bloco para o comércio internacional, o que implica diminuir a influência do dólar. Trump já ameaçou aplicar 100% de tarifas sobre produtos de países do grupo se esse tipo de medida avançar.

“O Brasil vai ter que ser muito sagaz para articular diplomaticamente com a administração Trump aspectos que não desfavoreçam os produtos do nosso agronegócio, que são os principais alvos de importação por parte dos Estados Unidos”, avalia Rodrigo Amaral, professor de relações internacionais da PUC-SP.

Na seara da política internacional, por outro lado, o Itamaraty tem pontos a celebrar ao fim de 2024: as conclusões do acordo entre União Europeia e Mercosul e a realização da cúpula do G20, no Rio de Janeiro.

Ambos são vistos como êxitos também por diplomatas estrangeiros ouvidos pela Folha. No caso do G20, foram destaques a inclusão de menções às guerras na declaração final dos líderes, documento de negociação delicada, e a ampla adesão à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, bandeira do governo Lula para o evento.

Um dos pontos de apreensão do Itamaraty na cúpula e no ano como um todo foi a dúvida quanto à relação com o presidente argentino, Javier Milei. O ultraliberal esnobou o brasileiro ao visitar o país pela primeira vez sem encontrá-lo —reuniu-se com Jair Bolsonaro— e as ações da sua diplomacia ameaçavam travar discussões no G20.

Não foi, no entanto, o que ocorreu. As caras azedas na foto oficial do evento no Rio ficaram por isso mesmo. Apesar do distanciamento entre os líderes, imperou o pragmatismo entre as chancelarias, com avanços no setor energético.

Foi na Venezuela, vetor de dor de cabeça para a diplomacia brasileira em 2024, que ocorreu outro exemplo de cooperação com Buenos Aires, apesar dos atritos.

O Brasil assumiu a custódia da embaixada argentina em Caracas em meio à crise entre o governo de Milei e o regime de Nicolás Maduro, que expulsou o corpo diplomático argentino após a contestada eleição que, segundo órgãos eleitorais controlados pelo chavismo, reelegeu o ditador. No local, estão asilados seis opositores do regime.

A relação histórica de governos petistas com o regime de Maduro azedou de vez neste ano, particularmente após o pleito venezuelano. O Brasil não reconheceu a vitória de Maduro (nem de Edmundo González, da oposição), e exige a divulgação das atas eleitorais, algo que o regime não fez.

O ano de 2024 havia começado diferente, com o Brasil participando da mediação do contencioso sobre Essequibo, região da Guiana que Caracas reivindica e trata como sua, embora não administre a área. Apesar de ser ativada de tempos em tempos pela ditadura, o conflito centenário está, hoje, dormente.

Após a eleição, porém, a ditadura passou a criticar Lula, e com mais intensidade ainda o Itamaraty. A pasta chegou a ser acusada de ser vinculada ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, e Celso Amorim, assessor de Lula que esteve em Caracas para a eleição, foi chamado de “mensageiro do imperialismo norte-americano”.

Janeiro de 2025 carrega já o primeiro desafio do Itamaraty nesse sentido. A posse de Maduro está marcada para o dia 10, e o opositor, exilado na Espanha, diz que irá a Caracas assumir. O tratamento dado para a data pela diplomacia brasileira, que tenta manter um canal de diálogo apesar das rusgas recentes, é delicado.

O ano deve terminar com a COP30, em Belém, evento que é a grande aposta internacional do governo Lula ao lado da cúpula do G20. Prevista para novembro, a conferência sobre o clima precisa reverter resultados fracos recentes de fóruns ambientais globais.

Um dos pleitos de países em desenvolvimento, Brasil incluso, é aumentar o financiamento para que as metas estipuladas pelo Acordo de Paris sejam alcançadas. Países desenvolvidos, no entanto, trabalham para incluir nações consideradas em desenvolvimento, como a China, entre os que são obrigados a contribuir –mais um ponto contencioso pelo qual a diplomacia brasileira precisará navegar em 2025.

Assim como em praticamente todos os temas da arena global, o fator Trump terá um peso relevante nas negociações da COP presidida pelo Brasil. É amplamente esperado que o republicano mais uma vez retire os EUA do Acordo de Paris, o que deve aumentar a pressão sobre as demais partes signatárias do tratado.



Leia Mais: Folha

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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

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O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



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