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Jimmy Carter: Humanitário ganhador do Nobel e ex-presidente dos EUA morre aos 100 anos | Notícias sobre obituários

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Entre as explorações de milho, inhame e amendoim de Savelugu-Nanton, um distrito remoto do norte do Gana, a legado de Jimmy Carter é menos complicado do que na terra natal do ex-presidente dos EUA.

Graças ao trabalho da sua instituição de caridade, The Carter Center, os habitantes locais são hoje poupados à miséria da Doença do verme da Guiné – um parasita que se reproduz na barriga humana e emerge através da pele antes de depositar larvas em poças estagnadas para aguardar a próxima vítima.

O trabalho de Carter no combate ao vírus e no rastreamento de votos em países pobres ganhou ele um Prémio Nobel da Paz em 2002. Seguiu-se a uma presidência que alcançou um acordo de paz histórico no Médio Oriente, mas foi prejudicado por problemas económicos e pela crise dos reféns iranianos.

Ele morreu no domingo, aos 100 anos, anunciou o Carter Center. Ele havia entrado cuidados paliativos em fevereiro de 2023, optando por ficar em casa após uma série de curtas internações hospitalares. O ex-presidente foi diagnosticado com câncer em 2015, mas respondeu bem ao tratamento. Aos 100 anos, ele foi o presidente dos Estados Unidos que viveu mais tempo.

Durante seis décadas de política, trabalho humanitário e diplomacia, Carter “estava comprometido com ideais como direitos humanos, paz e melhoria da vida humana”, disse Steven Hochman, diretor de pesquisa do The Carter Center, à Al Jazeera.

“Ele não queria apenas falar, ele queria ação”, disse Hochman. “Seja através da monitorização das eleições na América Latina ou testemunhando o terrível sofrimento causado pela doença do verme da Guiné na Ásia e em África, e trabalhando para a erradicar.”

Amendoim do sul

Carter cresceu no solo argiloso vermelho da zona rural da Geórgia durante a Grande Depressão. Ele vendia amendoim cozido nas ruas de Plains, sua cidade natal, e arava a terra com a família. Seu pai, James “Earl” Carter, era produtor de amendoim e armazém; sua mãe, Lillian, era enfermeira.

Ele se casou com Rosalynn Smith, uma amiga da família, em 1946. O casal celebrou seu 76º aniversário de casamento em julho de 2022, um ano antes da morte da ex-primeira-dama em novembro de 2023.

Depois de uma carreira de sete anos na Marinha dos EUA, Carter regressou ao seu estado natal, a Geórgia, onde atraiu a atenção nacional como governador de estado democrata pela sua gestão prudente, ganhando um lugar na capa da revista Time como um símbolo do “Novo Sul”. ”.

Concorrendo à presidência, Carter se autodenominou um estranho na política de Washington, que foi manchada pelo escândalo de Watergate e pela Guerra do Vietnã. A sua “Brigada de Amendoim”, um grupo de amigos da Geórgia, atravessou os EUA e alardeou o seu candidato como um homem de princípios e de fala franca.

O então candidato presidencial democrata Jimmy Carter faz campanha em Massachusetts em 1976 (Arquivo: Jeff Taylor/The Associated Press)

“A eleição de Carter em 1976 prometeu redimir a nação dos pecados do Vietname e de Watergate”, disse Randall Balmer, historiador e autor, à Al Jazeera. “Ele aspirava restaurar a fé no governo, mas a traição durante os anos de Lyndon Johnson e Richard Nixon já tinha dado lugar ao cinismo.”

Na Casa Branca, a franqueza que é marca registrada de Carter nem sempre se traduziu em vitórias políticas. Muitos dos seus planos sociais e económicos progressistas encontraram impasses no Congresso; a incapacidade de traduzir ideais em realidade legislativa minou sua popularidade.

Os Estados Unidos estavam atolados nos problemas de estagflação do baixo crescimento económico, do desemprego e da inflação elevada, provocados por uma crise energética do início da década de 1970. A solução de Carter, combatendo a dependência dos EUA do petróleo estrangeiro através de impostos e energia verdefoi anulado no Senado.

Melhor no exterior

Carter se saiu melhor no exterior. Ele assinou tratados que colocaram o Canal do Panamá sob controle local; estabeleceu relações diplomáticas plenas com a China; e negociou um acordo para limitar as armas nucleares com o líder soviético Leonid Brezhnev.

A sua obra-prima foi trazer o presidente egípcio Anwar Sadat e o primeiro-ministro israelita Menachem Begin ao seu retiro presidencial em Camp David, Maryland, em 1978, e elaborar um acordo de paz entre os inimigos ao longo de 13 dias tensos.

“Ele tinha credibilidade como negociador de paz porque ouvia ambos os lados. Ele conseguia pensar por conta própria; e fale em pé”, disse Hochman. “Ele era um negociador habilidoso que teve ideias para superar conflitos e as testou. Ele arriscou, mesmo que isso significasse que ele poderia falhar.”

O presidente egípcio Anwar Sadat, à esquerda, o presidente dos EUA Jimmy Carter, ao centro, e o primeiro-ministro israelense Menachem se encontram pela primeira vez em Camp David em 1978 (The Associated Press)

Os Acordos de Camp David conduziram a relações diplomáticas e económicas plenas entre os vizinhos, na condição de Israel devolver a Península do Sinai ao Egipto. Não resolveram a questão palestiniana mas pouparam a região a uma repetição das guerras multiestatais árabe-israelenses de 1948 e 1967.

“Quando Carter estava a considerar a cimeira, e mesmo depois de a ter anunciado, quase todos os gurus da política externa, incluindo Henry Kissinger, aconselharam contra ela”, disse Gerald Rafshoon, o director de comunicações da Casa Branca sob Carter, à Al Jazeera.

“Os sábios alertaram que um chefe de Estado nunca deveria entrar numa negociação sem saber antecipadamente o resultado. Carter rejeitou esse conselho – e fez mais para promover a segurança de Israel do que qualquer presidente dos EUA antes ou depois.”

Tumulto no Oriente Médio

O Médio Oriente ofereceu a Carter uma vitória diplomática, mas também lhe trouxe a queda. Em 1979, estudantes iranianos invadiram o Embaixada dos EUA em Teerão e fez 52 americanos como reféns – desencadeando uma crise de 444 dias que não terminou até Carter ter sido expulso da Casa Branca.

Os esforços de Carter para garantir a libertação de cativos através do governo do Aiatolá Ruhollah Khomeini eram uma responsabilidade política que era destacada todas as noites nos noticiários televisivos dos EUA. Uma missão de resgate fracassada dos EUA em abril de 1980 resumiu os infortúnios de Carter.

Mais tarde naquele ano, os americanos deram ao candidato presidencial republicano, Ronald Reagan, ex-ator e governador da Califórnia, uma vitória esmagadora sobre Carter. O discurso de Carter sobre uma “crise de espírito” e um “mal-estar” nacional nos EUA pode ter sido verdade, mas não foi vencedor de votos.

O ex-presidente Jimmy Carter e a ex-primeira-dama Rosalynn Carter posam para uma foto com o presidente Joe Biden e a primeira-dama Jill Biden na casa dos Carters na Geórgia (Arquivo: Adam Schultz/The Associated Press)

“As pessoas dizem que querem líderes honestos, mas quando lhes damos isso, dizem que não é isso que um líder deve fazer”, disse Gary Sick, funcionário da Casa Branca sob Carter e outros presidentes, à Al Jazeera. “Eles esperam que seus líderes sejam um tanto tortuosos e façam as coisas parecerem melhores do que realmente são.

“Jimmy Carter chamava as coisas pelos nomes e as pessoas não estavam preparadas para essa honestidade.”

Apesar de perder o cargo, as habilidades diplomáticas de Carter continuaram sendo exigidas. Ele mediou na Nicarágua, no Panamá e na Etiópia, ajudou a intermediar a transferência de poder no Haiti e abordou o esquema de armas nucleares da Coreia do Norte. Ele escreveu vários livros, principalmente sobre a paz no Oriente Médio.

Ele também manteve a franqueza que criou inimigos políticos enquanto presidente. Ele disse que a invasão de 2003 Iraque era “injusto”; e que os EUA estavam “na cama com os israelitas em detrimento” dos palestinianos. Cristão evangélico, ele também criticou aborto.

Em 2006 Carter publicou o livro Palestina: Paz, Não Apartheid. Ele defendeu o uso da palavra apartheid numa entrevista de 2007 à emissora norte-americana NPR, chamando-a de “uma descrição precisa do que tem acontecido na Cisjordânia”.

Ele também disse esperar que o livro conscientize os americanos sobre “a horrível opressão e perseguição do povo palestino e precipitaria pela primeira vez qualquer debate substantivo sobre essas questões”.

Mais de uma década depois, as principais organizações de direitos humanos, incluindo Vigilância dos Direitos Humanos e Anistia Internacionalapoiaria a sua avaliação, acusando Israel de impor o apartheid aos palestinos.

Filantropia: The Carter Center

Fundado em 1982 pelo antigo presidente e pela sua esposa, o Centro Carter monitorizou 113 eleições em 39 países e combateu doenças como a oncocercose, o tracoma e a malária, muitas vezes levando médicos para áreas menos povoadas e menos frequentadas.

Houve 3,5 milhões de casos de doença do verme da Guiné em 21 países africanos e asiáticos quando Carter declarou guerra aos parasitas de um metro de comprimento em 1986. O distrito de Savelugu-Nanton e o resto do Gana foram declarados livres da doença em 2015 e praticamente foram exterminado em outro lugar.

O ex-presidente Jimmy Carter trabalha em um projeto de construção da Habitat for Humanity em 2019 (Arquivo: Mark Humphrey/The Associated Press)

Mais tarde, o ex-presidente continuou a ser voluntário na organização de construção de casas Habitat for Humanity, organizando um evento anual que atraiu milhares de voluntários nos EUA e no estrangeiro.

Os apoiantes de Carter dizem que a história julgará a sua presidência de forma mais favorável do que os eleitores americanos fizeram em 1980.

Fora da Casa Branca, o legado do pai de quatro filhos e avô de 22 está assegurado.

Nas suas próprias palavras: “Não posso negar que sou melhor ex-presidente do que fui presidente”.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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