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Jogo do bicho: grupo irá manter ilegalidade, diz professor – 10/12/2024 – Mercado
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Pedro S. Teixeira
A legalização do jogo do bicho, discutida no Senado, não deve acabar com o jogo ilegal, avalia o sociólogo Michel Misse. “O banqueiro que está na ilegalidade não conseguirá se adequar às exigências do projeto de lei e não vai abrir mão de seus negócios”, diz Misse, uma das principais referências no país sobre jogo do bicho e contravenção em geral no Rio de Janeiro.
A avaliação de Misse coloca em dúvida a eficácia das travas que tentam justamente evitar a continuidade do jogo ilegal, na lei que regulamenta o jogo do bicho, cassinos, bingos e corridas de cavalo, em tramitação no Congresso. O texto lista vários requisitos de integridade para evitar que condenados por jogo ilegal e lavagem de dinheiro entrem no mercado regular.
Pela versão atual do texto, não poderão operar jogos as pessoas “condenadas a pena criminal que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos, por decisão judicial transitada em julgado”. É um critério similar à lei da Ficha Limpa, usada no processo eleitoral.
O trecho ainda impõe limitações aos condenados por improbidade administrativa, crimes falimentares ou contra a economia popular, sonegação fiscal, prevaricação, corrupção ativa ou passiva e peculato. São tipificações recorrentes em processos contra investigados por jogo ilegal.
O relator do projeto de lei, o senador Irajá (PSD), diz que há perspectiva de aprovação no ano que vem, para “encerrar a hipocrisia sobre as apostas no país”. Entretanto, uma tentativa de levar a proposta à votação ainda neste ano foi frustrada e o PL foi retirado de pauta, a pedido do parlamentar, que culpou a impopularidade das apostas online.
Para o professor emérito da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que se debruça sobre as economias ilegais no Rio de Janeiro há 30 anos, ainda que a lei seja aprovada e mantenha as salvaguardas, os contraventores hoje no controle das bancas de bicho devem continuar a oferecer apostas a preços acessíveis, por não pagarem impostos.
“É igual ao que acontece com o mercado de cigarro popular”, diz ele em referência à venda de marcas não autorizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a preços módicos.
Segundo o sociólogo, os banqueiros do jogo do bicho já comandam uma estrutura complexa, que não será facilmente desmontada. “Abaixo deles, estão os vendedores, os seguranças e até profissionais liberais, como contadores e advogados”, afirma o professor.
É natural, ainda, que os chefes estejam em outros setores além do jogo, incluindo apostas na internet, as bets, diz ele. A operação contra lavagem de dinheiro envolvendo o bicheiro Rogério Andrade, por exemplo, teve como alvo um restaurante em Ipanema. O denunciado por contravenção Adilson Oliveira Coutinho Filho, que é patrono da Grande Rio, mantém a própria fábrica de cigarros da marca Club One.
Na avaliação de Misse, o principal interessado na legalização das apostas —principalmente de olho nos cassinos— é o setor hoteleiro. “Nos anos 1980, o Frank Sinatra veio ao Brasil com vários investidores de Las Vegas, com a ideia de construir um cassino no Rio de Janeiro”, recorda o sociólogo.
Sinatra tinha uma relação umbilical com os cassinos de Vegas e fez 334 apresentações apenas no Caesars Palace (que hoje tem uma bet no Brasil). Os hotéis voltados às apostas eram, em ampla maioria, de propriedade da máfia italiana nos EUA e entraram na legalidade por decisão do estado de Nevada em 1931.
Desde então, grupos de pressão se mobilizam pela permissão da atividade no Brasil.
O projeto hoje em discussão é de 1992 e versava apenas sobre a liberação de cassinos e corrida de cavalo. A Câmara incluiu o jogo do bicho no texto em 2021, por iniciativa do deputado Bacelar (PV-BA), antes de aprová-lo em 2022.
O argumento de Bacelar foi o de que o jogo do bicho já movimentava por ano R$ 12 bilhões e empregava 450 mil pessoas, o que tornava interessante tributar a atividade.
Misse aponta ainda que os líderes do jogo do bicho nunca foram particularmente vocais sobre a legalização das apostas, embora tivessem influência política. “Todos os governos fluminenses fizeram vistas grossas para a jogatina, pelo menos até os anos 2000.”
Folha Mercado
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Essa relação mudou, porém, depois de reveses na Justiça, segundo o sociólogo. “Os chefes do jogo do bicho hoje estão mais acuados [em relação à vida pública] e também desconfiados da imprensa.”
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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