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Julgamento da revista vexatória em prisões se arrasta desde 2016 – 25/10/2024 – Luís Francisco Carvalho Filho

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No ranking das crueldades institucionais, a revista íntima de familiares de presos tem posição de destaque.

Modalidade de tortura física, moral e psicológica, com nítido contorno de racismo, violência de gênero e abuso sexual, agentes do poder público ainda ofendem mães, avós, filhas, crianças e companheiras de presidiários com a tolerância cínica de autoridades.

O julgamento da sua constitucionalidade pelo STF se arrasta desde 2016, quando chega processo do Rio Grande do Sul tratando da ilicitude da prova obtida mediante desnudamento de mulher e revista vexatória. O caso vai uniformizar a jurisprudência.

Em 2020, o relator Edson Fachin declara a prática inadmissível. Diz que a prova obtida é ilícita e que a ausência de equipamentos eletrônicos e radioscópicos não justifica abuso.

É curioso, pois todos os ministros do STF (são 10 votos) consideram a prática inconstitucional e perversa. O problema são os poréns, os entretantos, que se vão estabelecendo na decisão, ou, numa interpretação mais crua dos acontecimentos, o cinismo que observa o mal da violência, mas tolera a prática tendo em vista um bem maior.

O voto de Dias Toffoli, tão generoso e exagerado no decreto de nulidades quando trata de empresários e políticos corruptos, diz que a prova obtida a partir da revista íntima (aplicada em pretas e pobres, ligadas por laços afetivos a criminosos comuns) “só será ilícita se a própria medida se revelar inadequada, desnecessária ou desproporcional”.

Gilmar Mendes quer um prazo de 24 meses, a contar do final do julgamento, para a instalação de equipamentos como detector de metais e escâner corporal. Uma moratória às avessas. Não quer também a aplicação retroativa da nulidade: o passado de abusos, em processos encerrados, não tem importância. É gente pobre e preta.

A maioria está formada (6 a 4) para a proibição, mas o julgamento não termina. Alexandre de Moraes quer que o caso vá para plenário presencial.

Seu voto inaugura a divergência e parece ponderado. Quer “fundada suspeita” para a busca pessoal, mas para isso não basta um agente penitenciário corrupto preparar relatório afirmando que corre pela cadeia a “informação” de que familiares de determinado preso trarão drogas na próxima visita? Sugere a “concordância do visitante”, mas será que a discordância de pessoas pretas e pobres, tão vulneráveis, é mesmo aceitável na porta da cadeia? A negativa não seria motivo para “fundada suspeita”?

Minas Gerais editou lei proibindo revista vexatória em 1997 e São Paulo em 2014. No Rio de Janeiro, foi editada em 2015 e, mais explícito na crueldade, Flávio Bolsonaro (o processo das “rachadinhas” morreu por conta de suposta prova ilícita) constituiu advogada para contestar a lei em juízo: “revista íntima é um ônus a ser suportado”.

A visita de familiares é uma dificuldade para o sistema, mas é um direito. Os protocolos podem ser civilizados. O escâner corporal, por exemplo, se operado por pessoal desqualificado, inaugura um novo roteiro de humilhação.

Revista vexatória ainda é constante no Brasil. Armas, celulares e drogas entram na penitenciária sobretudo pela mão de funcionários criminosos ou intimidados, não em cavidades íntimas de familiares.

O Supremo sabe disso.


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Nota da Andifes sobre os cortes no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para as Universidades Federais — Universidade Federal do Acre

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publicado:
23/12/2025 07h31,


última modificação:
23/12/2025 07h32

Confira a nota na integra no link: Nota Andifes



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Ufac entrega equipamentos ao Centro de Referência Paralímpico — Universidade Federal do Acre

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Ufac entrega equipamentos ao Centro de Referência Paralímpico — Universidade Federal do Acre

A Ufac, a Associação Paradesportiva Acreana (APA) e a Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer realizaram, nessa quarta-feira, 17, a entrega dos equipamentos de halterofilismo e musculação no Centro de Referência Paralímpico, localizado no bloco de Educação Física, campus-sede. A iniciativa fortalece as ações voltadas ao esporte paraolímpico e amplia as condições de treinamento e preparação dos atletas atendidos pelo centro, contribuindo para o desenvolvimento esportivo e a inclusão de pessoas com deficiência.

Os equipamentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Eduardo Ribeiro (PSD), em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro, com o objetivo de fortalecer a preparação esportiva e garantir melhores condições de treino aos atletas do Centro de Referência Paralímpico da Ufac.

Durante a solenidade, a reitora da Ufac, Guida Aquino, destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições. “Sozinho não fazemos nada, mas juntos somos mais fortes. É por isso que esse centro está dando certo.”

A presidente da APA, Rakel Thompson Abud, relembrou a trajetória de construção do projeto. “Estamos dentro da Ufac realizando esse trabalho há muitos anos e hoje vemos esse resultado, que é o Centro de Referência Paralímpico.”

O coordenador do centro e do curso de Educação Física, Jader Bezerra, ressaltou o compromisso das instituições envolvidas. “Este momento é de agradecimento. Tudo o que fizemos é em prol dessa comunidade. Agradeço a todas as instituições envolvidas e reforço que estaremos sempre aqui para receber os atletas com a melhor estrutura possível.”

O atleta paralímpico Mazinho Silva, representando os demais atletas, agradeceu o apoio recebido. “Hoje é um momento de gratidão a todos os envolvidos. Precisamos avançar cada vez mais e somos muito gratos por tudo o que está sendo feito.”

A vice-governadora do Estado do Acre, Mailza Assis da Silva, também destacou o trabalho desenvolvido no centro e o talento dos atletas. “Estou reconhecendo o excelente trabalho de toda a equipe, mas, acima de tudo, o talento de cada um de nossos atletas.”

Já o assessor do deputado estadual Eduardo Ribeiro, Jeferson Barroso, enfatizou a finalidade social da emenda. “O deputado Eduardo fica muito feliz em ver que o recurso está sendo bem gerenciado, garantindo direitos, igualdade e representatividade.”

Também compuseram o dispositivo de honra a pró-reitora de Inovação, Almecina Balbino, e um dos coordenadores do Centro de Referência Paralímpico, Antônio Clodoaldo Melo de Castro.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)



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Orquestra de Câmara da Ufac apresenta-se no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Orquestra de Câmara da Ufac apresenta-se no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Orquestra de Câmara da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 17, uma apresentação musical no auditório do E-Amazônia, no campus-sede. Sob a coordenação e regência do professor Romualdo Medeiros, o concerto integrou a programação cultural da instituição e evidenciou a importância da música instrumental na formação artística, cultural e acadêmica da comunidade universitária.

 

A reitora Guida Aquino ressaltou a relevância da iniciativa. “Fico encantada. A cultura e a arte são fundamentais para a nossa universidade.” Durante o evento, o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, destacou o papel social da arte. “Sem arte, sem cultura e sem música, a sociedade sofre mais. A arte, a cultura e a música são direitos humanos.” 

Também compôs o dispositivo de honra a professora Lya Januária Vasconcelos.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)

 



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