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Turquia, os curdos e o PKK – DW – 25/10/2024

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O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) assumiu a responsabilidade pelo ataque ao turco empresa de defesa TUSAS em Ancarasegundo a agência de notícias curda ANF.

O relatório afirma que o “Batalhão Imortal”, uma unidade autónoma do braço militar do PKK, foi responsável pelo ataque, que foi realizado em resposta aos “massacres” turcos e outras ações nas regiões curdas.

O ataque ocorreu logo após um avanço sobre a possível libertação do fundador do PKK Abdullah Ocalan sob a condição de que sua organização seja desarmada. O PKK nega qualquer ligação entre isto e o ataque.

Quem é o PKK e quais são os seus objectivos?

Manifestação pró-curda com um pôster do fundador do PKK, Abdullah Ocalan, e um slogan que diz "Liberdade para Ocalan"
O último ataque pode ter frustrado as tentativas de libertar o fundador do PKK, Abdullah Ocalan, após anos de prisão, em troca do desarmamento do PKKImagem: Christoph Hardt/Panama Pictures/aliança fotográfica

As origens do PKK

Na Turquia, as tensões sociais entre Turcos e Curdos têm sido um problema há décadas.

Os curdos têm exigido mais direitos culturais e políticos ao Estado turco centralmente organizado, enquanto Ancara frequentemente enquadra tais exigências como uma ameaça à estabilidade nacional.

Os curdos representam cerca de 20% da população da Turquia. Embora vivam em todo o país, as maiores comunidades estão concentradas no sudeste. Grupos curdos também vivem na estados vizinhos da Síria, Iraque e Irã.

Em Iraqueos curdos detêm um estatuto semiautónomo na Região Autónoma do Curdistão, enquanto no nordeste da Síria algumas áreas estão sob o domínio controlar das Forças Democráticas Sírias (FDS) dominadas pelos curdos.

Na Turquia, dois actores principais procuram representar os interesses dos Curdos: o Partido da Igualdade e Democracia dos Povos, ou DEM – o terceiro maior partido no parlamento – e o PKK. O Partido DEM está empenhado numa solução política pacífica, enquanto o PKK, originalmente marxista-leninista, está armado e os seus membros envolveram-se em tácticas de guerrilha.

Abdullah Ocalan está dentro de uma jaula de vidro para um réu em uma sala de tribunal
Diz-se que Abdullah Ocalan controla o PKK atrás das gradesImagem: Mustafa Abadan/AA/aliança de imagens

Quais são os objetivos do PKK?

Fundado em 1978, o objectivo original do PKK era estabelecer uma organização independente Estado curdo. No entanto, desde 1984, o PKK está envolvido num conflito armado com o Estado turco.

Segundo vários cientistas políticos, este conflito é considerado um guerra de baixa intensidade. Fez até 40.000 vítimas civis e militares de ambos os lados. O PKK é classificado como organização terrorista nos EUA e na UE.

Desde 1995, a organização tem lutado pela autonomia e pelos direitos culturais dos curdos na Turquia e desistiu da sua exigência de independência em favor de um sistema de autogoverno.

Acredita-se que o PKK tenha 60 mil membros, incluindo combatentes activos, apoiantes e simpatizantes.

As montanhas Kandil, no norte do Iraque, são a sua principal base de operações, onde organiza campanhas militantes e logística. A Turquia bombardeia regularmente posições de grupos curdos no Iraque e na Síria.

Criminalização da política curda

Nos últimos dez anos, Presidente Recep Tayyip Erdogan Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), criminalizou cada vez mais a política curda na Turquia.

O Partido DEM e outras facções têm estado associados ao PKK, embora o Partido DEM defenda oficialmente uma solução pacífica e se distancie do PKK.

Muitos políticos curdos, incluindo o antigo presidente do Partido Democrático Popular, ou HDP, Selahattin Demirtas, foram presos em acusações de terrorismo.

Embora alguns membros do HDP tenham laços familiares com o PKK, como Omer Ocalan, sobrinho do fundador do PKK, Abdullah Ocalan, o HDP afirmou que tais ligações são individuais e não reflectem as suas políticas.

O fundador do PKK, Ocalan, está preso desde 1999.

No mesmo ano, ele foi condenado à morte por alta traição. No entanto, antes de a sentença ser executada, a Turquia aboliu a pena de morte e a sentença de Ocalan foi convertida em prisão perpétua em 2002.

Ele continua a exercer influência na organização atrás das grades.

Familiares e parentes choram ao lado dos caixões das pessoas mortas no ataque a uma empresa de defesa em Ancara
Enquanto as vítimas do último ataque do PKK eram enterradas, o exército turco tinha como alvo instalações curdas no Iraque e na SíriaImagem: Adem Altan/AFP

A paz está no horizonte?

No passado, vários esforços foram feitos para criar a paz.

Nos primeiros anos do governo do AKP, em particular, os curdos receberam novos direitos, incluindo oportunidades educacionais na sua língua materna e nos meios de comunicação estatais de língua curda.

Contudo, uma paz duradoura continua sendo o horizonte.

No início deste mês, o líder do Partido do Movimento Nacionalista de extrema direita, Devlet Bahceli, surpreendeu a todos ao apertar a mão de representantes do Partido DEM pró-curdo no parlamento. Mais tarde, ele descreveu isso como “perfeitamente normal para um partido de unidade na Turquia”.

Bahceli, considerado um importante aliado de Erdogan na aliança governamental com o AKP, apelou para Ocalan em 15 de Outubro para persuadir o PKK a entregar as suas armas. Em 22 de outubro, apelou a Öcalan para anunciar a dissolução do PKK no parlamento.

Em 24 de outubro, Ocalan respondeu da prisão: “Tenho o poder teórico e prático para (transformar) este processo de um processo baseado no conflito e na violência para um processo baseado na lei e na política”.

Combatentes do PKK sentam-se no chão no Iraque
Diz-se que o PKK tem cerca de 60 mil membros, entre eles apoiantes, ativistas e soldados combatentes.Imagem: Yann Renoult/Wostok Press/MAXPPP/aliança de imagens

O que está por trás disso?

Segundo os especialistas, os desenvolvimentos regionais influenciaram a mudança de rumo da Turquia relativamente à questão curda. Mas o cientista político Sezin Oney não vê “nenhuma iniciativa de paz real” nestas medidas. “O principal objetivo é minimizar a ameaça representada por grupos armados como o PKK”, disse ela à DW.

Oney também sublinha as actuais restrições económicas da Turquia: “A Turquia não tem nem o poder político nem o base econômica para financiar uma nova guerra”, disse ela.

O cientista político Eren Aksoyoglu, antigo conselheiro parlamentar, concorda. “A Turquia vê o Guerra Israel-Hamas como uma ameaça e neste contexto, o governo quer integrar o movimento curdo na ‘Grande Turquia’ e controlar todos os atores internos”, disse ele à DW.

Um político do AKP, que deseja permanecer anónimo, confirmou que a situação geopolítica está a forçar a Turquia a lutar por uma política interna unificada e a resolver conflitos dentro do país.

Isto aplica-se não só à questão curda, mas também a outras tensões políticas internas.

No entanto, apenas um dia após o apelo de Bahceli, Ancara foi abalada pelo ataque à fábrica de defesa TUSAS, o que levou a mais ataques em áreas curdas fora do país. Muitos membros do público turco vêem o ataque como uma tentativa de minar os esforços de paz.

Berrak Güngör e Kayhan Ayhan contribuíram para este artigo, que apareceu originalmente em alemão.



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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre

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Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.

A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.

O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.

Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.

A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.

A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.

Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.



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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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