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Julgamento de Le Pen ilumina a ‘caixa preta’ das despesas dos eurodeputados – DW – 10/05/2024

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Marine Le Pen é mais conhecida como o rosto da extrema direita francesa e três vezes candidata à presidência, com os olhos postos ainda na possibilidade de chegar ao cargo mais importante de França. Mas foi o seu trabalho como deputada ao Parlamento Europeu entre 2004 e 2017 que esteve em destaque esta semana na abertura de um julgamento histórico em Paris.

Os promotores franceses acusaram Le Pen de presidir a um “sistema” ilegal ao abrigo do qual dinheiro público destinado ao trabalho parlamentar da UE era desviado para pagar funcionários concentrados em negócios partidários nacionais. No total, mais de 20 pessoas ligadas ao partido Eurocéptico e fortemente anti-imigração Reunião Nacional estão a ser julgadas.

Se for considerado culpado, Le Pen poderá ser condenado a até 10 anos de prisão e multado em até 1 milhão de euros (1,1 milhão de dólares). Ela também poderia enfrentar uma ordem de inelegibilidade de anos que a impediria de ocupar cargos públicos, o que poderia bloquear seu caminho planejado para o cargo. Palácio presidencial do Eliseu em 2027.

Mesmo assim, a senhora de 56 anos parecia imperturbável ao ir ao tribunal na segunda-feira. “Estou aqui para expor nossos argumentos. Estou muito serena”, disse ela aos repórteres. “A liberdade parlamentar está em jogo aqui. Não quebramos regras”, acrescentou.

A utilização indevida de fundos da UE «não é um caso único»

A Procuradoria de Paris alegou que Le Pen era um dos vários membros do Rali Nacionalanteriormente conhecida como Frente Nacional, que participou num esquema de empregos falsos de 2004 a 2016. O seu pai, Jean-Marie Le Pen, membro fundador da Frente Nacional, é outro dos acusados.

Os investigadores concluíram que os funcionários do partido de nível inferior, como guarda-costas, receberam títulos de nível superior, como assistente parlamentar da UE, para que pudessem ser pagos com dinheiro europeu e não a partir da conta bancária do partido.

Os deputados do Parlamento Europeu fazem fila para votar no hemicílio do edifício.
O Parlamento Europeu disse que tem regras rígidas sobre as despesas dos membros, mas os ativistas veem lacunasImagem: Johannes Simon/Getty Images

Embora o caso de Le Pen esteja a gerar manchetes, não é o único caso de alegada utilização indevida de fundos públicos no Parlamento Europeu.

Antes de o Reino Unido deixar a UE em 2020, vários parlamentares do partido eurocético UKIP – outrora sob a liderança do Nigel Farage — enfrentaram acusações semelhantes e foram forçados a devolver centenas de milhares de euros.

Em 2023, o meio de investigação holandês Follow the Money e o jornal alemão O mundo informou que 108 membros do Parlamento Europeu, ou eurodeputados, foram forçados a devolver 2 milhões de euros em fundos alegadamente utilizados indevidamente entre 2019-2022.

As despesas dos eurodeputados são uma “caixa preta”, acusam os ativistas

Esses casos, de acordo com Nick Aiossa, da filial europeia do grupo de defesa Transparência Internacional, podem envolver qualquer coisa, desde “contabilidade desleixada” até “fraude intencional”.

A questão é que conseguir que assistentes parlamentares da UE ajudem no trabalho político nacional de um legislador não é a única forma de desviar fundos em benefício de um eurodeputado individual ou do seu partido. “Este não é um problema único”, disse ele.

“Le Pen é acusado de usar indevidamente um determinado subsídio, mas há outros subsídios que são uma completa caixa preta de gestão financeira“, sublinhou Aiossa. “Para o subsídio para despesas gerais, que cumulativamente para todos os 705 eurodeputados equivale a cerca de 40 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes, não é necessário um único recibo.”

O pagamento mensal de cerca de 5.000 euros é concedido para cobrir despesas no círculo eleitoral de origem diretamente ligadas às atividades de um eurodeputado, como o aluguer e a manutenção de um escritório no Estado-Membro onde foi eleito. Existem regras sobre como esse dinheiro deve ser gasto, mas não são exigidos recibos de despesas.

Parlamento da UE diz que a transparência é uma prioridade máxima

Em geral, há uma série de regras e medidas que os eurodeputados e os seus funcionários devem seguir, destinadas a evitar o desvio ou uso indevido de fundos, sublinhou o serviço de imprensa do Parlamento Europeu à DW quando questionado sobre as actuais acusações contra o Rally Nacional.

Uma imagem disponibilizada pela Polícia Belga mostra uma combinação de imagens que mostram várias centenas de milhares de euros encontrados num quarto de hotel.
Alegações de corrupção engoliram o último mandato legislativo da UEImagem: AFP

“O Parlamento Europeu dá grande importância à integridade, transparência e responsabilização das actividades políticas dos seus membros”, disse um porta-voz, apontando também para um novo endurecimento das regras no ano passado, na sequência da Qatargate.

Esse escândalo, em que membros proeminentes da legislatura foram acusados ​​de receber dinheiro, por vezes entregue em malas, de vários Estados não pertencentes à UE exerçam influência a seu favorcausou grandes danos à reputação da instituição.

O que está em jogo para Le Pen?

O julgamento de Le Pen e outras figuras ligadas ao seu partido mostram que potenciais infratores podem ser sinalizados. Se forem considerados culpados, ela e seus co-réus poderão enfrentar multas, pena de prisão ou proibição de concorrer a cargos públicos.

Marta Lorimer, investigadora que acompanha a política francesa de extrema-direita da London School of Economics, disse que qualquer declaração de inelegibilidade para cargos políticos provavelmente resultaria em grandes protestos por parte dos apoiantes do National Rally.

Mas o resultado permanece totalmente incerto, com o julgamento previsto para durar cerca de dois meses. Antes disso, Lorimer acha improvável que seja um grande golpe em Le Pen.

“Seu eleitorado principal provavelmente não se importa”, disse Lorimer à DW. Considerando a Rali Nacional Com credenciais eurocépticas e nacionalistas, ela disse que é pouco provável que os apoiantes do partido fiquem indignados com a alegada utilização de fundos europeus para promover a sua “causa nacional”.

“Há uma maneira de Le Pen girar isto a seu favor: sugerindo que este é um julgamento político”, explicou Lorimer. “Essa parece ser a linha de defesa que ela está buscando e parece ser bastante inteligente.”

Editado por: Andreas Illmer



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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