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Justiça popular é um problema crescente em alguns países africanos – DW – 21/11/2024
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Quando uma multidão de pessoas enfurecidas faz justiça com as mãos, os resultados podem ser brutais.
Em alguns países africanos, justiça da multidão e vigilantismo estão profundamente enraizados nas mentes das pessoas como a coisa certa a fazer quando sentem que o sistema judicial está a falhar, diz Maame Efua Addadzi-Koom, professora de direito na Universidade de Ciência e Tecnologia Kwame Nkrumah, no Gana.
A violência popular ocorre quando a raiva e o ódio são desencadeados por um grupo de pessoas contra alguém que consideram punível. Muitas vezes a multidão é aplaudida pelos espectadores nas ruas enquanto ferem ou até assassinam um suspeito de crime.
Falhas da polícia contribuem para a justiça da multidão
Em particular em Nigéria, África do Sul, Ugandatambém Quênia e Gana este tipo de justiça nas ruas é endémico, diz Addadzi-Koom numa entrevista à DW. “Quando você olha para as acusações de crimes ou crimes que geralmente atraem a justiça da multidão, o roubo ou furto e roubo estão no topo”, acrescentou ela.
De acordo com um relatório da Amnistia Internacional publicado em Outubro de 2024, no sul da Nigéria, a violência das multidões atinge principalmente pessoas acusadas de roubo, de participar em rituais ou de praticar bruxaria.
No norte da Nigéria, no entanto, é usado principalmente contra aqueles acusados de blasfêmia e muitas vezes endossado por líderes religiosos, dizem os autores.
Em algumas regiões, a violência das multidões está gradualmente a tornar-se a norma, e muitas vezes ocorre em áreas movimentadas, como mercados e estradas movimentadas, disse Isa Sanusi, diretora da Amnistia Internacional na Nigéria.
Muitas das vítimas da violência popular são visadas devido ao seu estatuto social, identidades membros de grupos religiosos ou de outros grupos minoritários.
A ONG registou pelo menos 555 vítimas de violência popular na última década na Nigéria. Eles notaram um aumento de assassinatos relacionados com a blasfémia, alimentados por alegados incitamentos por parte de líderes religiosos e alegações de corrupção e falhas policiais que perpetuam a violência.
A violência faz parte da sociedade
Na Nigéria, a cultura da violência é frequentemente atribuída a determinados grupos étnicos ou religiosos. “A parte complicada da violência cultural é que ela se torna parte da estrutura da sociedade ou de um grupo de pessoas”, afirma Addadzi-Koom.
As pessoas praticam roubos ou assaltos à mão armada em grande parte devido à pobreza, diz ela. Morar em um país passando por uma crise econômica onde um número substancial de pessoas vive no limiar da pobreza ou abaixo dele, algumas pessoas sentem que não têm outra escolha, acrescenta ela.
Na África do Sul, a justiça popular assumiu um tom inegavelmente brutal, escreve Karl Kemp, autor do livro “Por que matamos”, publicado em março de 2024.
Dos 27 mil assassinatos registrados em África do Sul em 2022, pelo menos 1.894, cerca de 7%, foram atribuídos à justiça e ao vigilantismo da multidão, mais do dobro do número de cinco anos antes. Nos primeiros nove meses de 2023, foram registadas mais 1.472 mortes por justiça popular, diz ele.
A polícia registra o motivo de cada morte relacionada à máfia. “A justiça da máfia tem subido constantemente nesses rankings desde 2017, quando começaram esta prática”, disse Kemp à DW. Ele ressaltou que um aumento nos assassinatos e agressões contribuiu para um aumento na justiça popular após os bloqueios relacionados à pandemia.
Justiça da multidão ligada à pobreza
Kemp diz que a polícia está piorando em seu trabalho. Ele cita as baixas estatísticas de apuração de investigações criminais que são encerradas e levadas à Justiça. As estatísticas de apuramento medem a proporção de crimes denunciados que foram resolvidos através de prisão ou outros meios. “Apenas 12% dos casos de assassinato são processados”, ressalta.
À medida que os municípios da África do Sul crescem à medida que chegam migrantes de outros países, crescem os campos informais nas periferias dos municípios. Como resultado, muitos vivem em condições terríveis, com pouca ajuda do governo e onde as tensões aumentam, diz Klemp.
Os crimes nestas áreas exigem frequentemente uma “investigação complexa que requer muito tempo e mão-de-obra” que a polícia muitas vezes não fornece ou não pode fornecer, salienta o autor.
São necessárias leis mais eficientes
A investigação realizada pelo Centro para o Estudo da Violência e Reconciliação (CSVR) em Joanesburgo mostra que a violência não ocorre no vácuo. Na maioria dos casos, os membros da comunidade já tentaram formas mais pacíficas de abordar as questões e problemas prevalecentes nas suas comunidades, afirma a Directora Annah Moyo-Kupeta, uma advogada de direitos humanos.
É quando a polícia e as autoridades nada fazem para resolver as queixas da comunidade que as pessoas recorrem à violência, acrescenta Moyo-Kupeta. Ela salienta que os assassinatos violentos e a justiça popular são o produto de questões não resolvidas do passado traumático da África do Sul que foram deixadas sem solução durante demasiado tempo.
“Somos uma sociedade incrivelmente violenta desde que a África do Sul existe”, diz Kemp à DW. Mas pode-se salientar que existem outras sociedades com passados coloniais que não atingem o nível de violência alcançado na África do Sul, acrescenta.
Para convencer o público a parar de se envolver na justiça das multidões, são necessárias leis mais eficientes e nomear justiça da multidão pois é necessário um crime grave que será punido por lei, diz a Madre Efua Addadzi-Koom no Gana.
Ela diz que ainda não viu um exemplo de como a justiça das massas está a ser reduzida: “Precisamos de criar formação, sensibilização e mais diálogo na sociedade”.
O sistema de justiça também precisa ser capaz de agir em tempo hábil. Se há um infrator encaminhado à polícia, as celas ficam lotadas, eles são libertados poucos dias depois, há subornos e não há acusações, diz ela. “Uma das principais coisas que precisa ser feita é higienizar o sistema de justiça criminal de uma forma que restaure a confiança das pessoas no sistema”.
Conheça dois sul-africanos que enfrentam a violência anti-imigrante
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Este artigo foi editado por Sarah Hucal.
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre
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27 de janeiro de 2026O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.
A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.
“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.
A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.
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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano
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20 de janeiro de 2026Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025
Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.
De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.
Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.
Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025
O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções
No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.
Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:
- ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
- quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.
No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.
Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo
O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.
É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.
Um ano que já começa “com cara de planejamento”
Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.
No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.
Rio Branco também entra no compasso de 2026
Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.
Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).
Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC
Por que isso importa
O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.
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