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‘Mãe de todas as batalhas’: terror para os mexicanos enquanto a guerra avança dentro do cartel de Sinaloa | México

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Thomas Graham in Culiacán

Numa manhã ensolarada recente, Culiacán deu uma festa como nos velhos tempos, com chefs servindo aguachileum ceviche ao estilo de Sinaloa, e músicos fazendo barulho em suas trombetas e tambores.

“Costumava ser assim todo fim de semana”, disse Alexis, um dos chefs aprendizes, aproveitando o silêncio fresco da catedral.

Mas longe desta demonstração de espírito no centro da cidade, a mesma violência que eles desafiavam continuou. Um corpo apareceu num rio; outro foi queimado até os ossos em um campo nos arredores da cidade.

Os moradores locais saboreiam o aguachile, um ceviche ao estilo sinaloense, durante uma festa diurna no centro de Culiacán. Fotografia: Jesús Verdugo

Três meses de guerra entre facções rivais do cartel de Sinaloa deixaram mais de mil mortos ou desaparecidos, e uma cidade num tipo único de crise humanitária. Cooliescomo são conhecidos os habitantes da cidade, tentam regressar à normalidade – mas são constantemente lembrados de que vivem à mercê dos caprichos do crime organizado.

O conflito irrompeu abertamente em 9 de Setembro como uma bomba de acção retardada, seis semanas depois do prisão de dois dos chefes do crime mais poderosos do México em El Paso, Texas.

Ismael “El Mayo” Zambada García, que fundou o cartel de Sinaloa com Joaquín “El Chapo” Guzmánfoi detido junto com um dos filhos de Guzmán depois que um pequeno avião pousou nos EUA.

Enquanto as especulações giravam, El Mayo escreveu uma carta pública acusando o filho de El Chapo – também chamado Joaquín – de traí-lo e entregá-lo às autoridades norte-americanas.

Ainda quase não há informações oficiais sobre a operação por trás das prisões, mas a acusação de El Mayo parece praticamente confirmada pela guerra em Sinaloa, na qual seu filho lidera uma facção do cartel contra outra liderada pelos dois filhos de El Chapo que permanecem grátis em México.

O governo empilhou 11 mil soldados na cidade, mas a violência dá poucos sinais de acabar.

Óscar Loza, um activista dos direitos humanos, identificou três dimensões da crise humanitária em Sinaloa: homicídios, desaparecimentos forçados e deslocamentos forçados.

“Mas agora entrou outro elemento: a incerteza”, acrescentou. “Nós tivemos momentos críticos que duraram um dia ou uma semana – mas já se passaram três meses.”

Ativista de direitos humanos Óscar Loza. Fotografia: Jesús Verdugo

Mais de 500 pessoas foram mortas desde o início do conflito, quadruplicando a taxa anterior de homicídios.

Acredita-se que muitos dos mortos sejam soldados de infantaria ou batedores do cartel.

No entanto, pouco foi tornado público sobre as suas identidades ou as suas mortes, uma vez que o Ministério Público mantém informações em reserva durante meses.

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Muitas famílias ficam caladas por medo ou não são ouvidas porque moram fora da capital do estado, Culiacán.

Mas a família de Juan Carlos Sánchez, um empresário que foi morto num tiroteio entre homens armados e forças de segurança em Setembro, pressiona por respostas.

“Ainda não sabemos o que aconteceu”, disse Rafael Sánchez, sentado no parque de alimentação vazio que o seu irmão construiu e que o resto da sua família tenta agora manter vivo.

Retrato de Juan Carlos Sánchez, advogado e empresário que foi morto durante um tiroteio entre soldados do cartel e forças de segurança. Fotografia: Jesús Verdugo

O pouco que sabem é o que a esposa de Juan Carlos, que estava presente quando tudo aconteceu, pôde lhes contar.

Quando um tiroteio começou perto do prédio deles, dois assassinos invadiram seu apartamento em busca de abrigo. Os disparos continuaram enquanto os homens armados escapavam por uma janela – depois foi lançado gás lacrimogéneo sufocante e a mulher e a filha de Juan Carlos não conseguiram respirar.

“Ele saiu para buscar ajuda”, disse Rafael. “E isso é a última coisa que sabemos.”

Uma autópsia revelou que Juan Carlos morreu devido a perda de sangue devido a um ferimento na artéria femoral.

Rafael diz que querem saber o que aconteceu e que o governo dê apoio econômico à esposa e ao filho de Juan Carlos. “E queremos que eles saiam claramente e digam que ele foi vítima de uma operação ruim”, acrescentou. “Queremos que o nome dele seja limpo.”

O governo enviou mais de 11 mil soldados para Culiacán durante a atual guerra interna dos cartéis. Fotografia: Jesús Verdugo

Para as 504 pessoas que foram desapareceu à força desde que a guerra começou – e os muitos milhares que desapareceram antes – esse encerramento é uma perspectiva distante.

Num campo perto do aeroporto, Micaela González e um grupo de mães vasculhavam a erva seca quando se depararam com os restos de um corpo meio queimado.

González procura seus filhos Antonio de Jesús e Cristian Giovanni há 12 anos, desde que foram desaparecidos pela polícia durante uma guerra anterior dentro do cartel de Sinaloa.

“Graças à omissão, aos atrasos e à pouca humanidade das instituições públicas, as investigações não foram feitas como deveriam”, disse González. “E agora muito tempo se passou.

“Trabalhamos neste pedaço de terra há muitos anos”, disse ela. “O solo é muito duro, por isso tendemos a encontrar (corpos) na superfície.

“Já perdi a conta de quantos encontramos aqui.”

A polícia veio buscar o corpo – mas um pendência forense significa que pode não ser identificado por um longo tempo.

Um funcionário da agência que coordena a busca por pessoas desaparecidas no México examina o local onde foram encontrados restos mortais semi-queimados, perto do aeroporto. Fotografia: Jesús Verdugo

Desde o início da guerra, as mães não conseguem fazer buscas fora da cidade devido ao risco e ao fato de a polícia estadual estar muito ocupada para acompanhá-las.

No início, os tiroteios aconteciam nas ruas da cidade. “Mas aos poucos foi migrando para o campo”, disse Miguel Calderón, coordenador do Conselho Estadual de Segurança Pública, uma ONG. “E agora isso está deslocando pessoas.”

Ninguém sabe quantos foram deslocados. Muitos se mudam para Culiacán ou Mazatlán, uma cidade turística, e ficam com a família. Depois instalam-se onde quer que encontrem terra e segurança.

Ao longo dos trilhos do trem em Culiacán, existem centenas dessas famílias.

Sentado numa cadeira de plástico do lado de fora de uma cabana que construiu para a sua família, um homem, que pediu para permanecer anónimo, descreveu como tiveram de abandonar a sua comunidade há cinco anos.

“Se você fosse às lojas, arriscaria uma bala”, disse ele. “Ou se você parecia capaz de levantar uma arma, eles sequestraram você. E ou você trabalhou para eles ou apareceu morto no dia seguinte.

Ele não podia sair de casa para trabalhar, nem queria levar as filhas à escola. “A vida se tornou impossível”, disse ele. “E então abandonamos nossa casa.”

O governo estava ausente – ou cúmplice. “Você não podia contar a eles o que estava acontecendo”, disse ele. “Eles entregariam você aos narcotraficantes.”

Junto aos trilhos do trem eles se sentem mais seguros, mesmo ouvindo tiros todas as noites.

Centenas de famílias deslocadas pela violência formaram uma nova comunidade perto dos trilhos do trem em Culiacán. Fotografia: Jesús Verdugo

O que o preocupa agora é a economia. Ele é pedreiro – mas ninguém está construindo. “Acho que a crise económica já está aqui”, disse ele. “As dívidas estão se acumulando e não há trabalho para saldá-las.”

À medida que a guerra avança, o número de mortos, desaparecidos e deslocados continua a aumentar – e ninguém pode dizer quanto tempo irá durar.

“Não sabemos qual é o seu inventário de armas, munições, homens e veículos”, disse Calderón. “Imagino que eles estejam juntando tudo o que têm. Esta é a mãe de todas as batalhas.”

Enquanto isso coolies tentam recuperar as suas vidas, movidos pela necessidade económica – mas também pelo desejo de recuperar os seus direitos e liberdades.

“Vai demorar um pouco”, disse Josué, um músico presente na festa, com o rosto vermelho de tanto tocar a buzina. “Não é como um furacão, que vai e vem e nós limpamos e tudo volta ao normal.

“Não, isso é uma espécie de dano psicológico.”



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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