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Mais de um milhão de haitianos forçados a deixar suas casas em meio à violência de gangues | Haiti

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Tom Phillips Latin America correspondent

Mais de um milhão de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas em Haiti em meio a um forte aumento nos ataques de gangues na capital do país, Porto Príncipe, disse a ONU.

A agência de migração da ONU, a OIM, afirmou que nunca antes se tinha registado que um número tão grande de haitianos tivesse sido deslocado pela violência. Mais de metade dessas pessoas deslocadas internamente (PDI) eram crianças que suportavam o maior peso do colapso da segurança no Haiti. Muitos foram deslocados repetidamente.

“O Haiti precisa de assistência humanitária sustentada neste momento para salvar e proteger vidas”, disse a diretora da agência, Amy Pope, instando a comunidade internacional a agir e “escolher a solidariedade em vez da indiferença”.

“Devemos trabalhar juntos para abordar as causas profundas da violência e da instabilidade que levaram a tantas mortes e destruição… Os haitianos merecem um futuro”, acrescentou Pope.

Nos últimos meses assistimos a uma reintensificação do conflito que tem estado a desenrolar-se nas ruas de Porto Príncipe desde Fevereiro passado, quando os chefes do crime uniram forças para lançar uma rebelião coordenada e politicamente carregada contra o governo.

Essa insurreição criminosa – que viu combatentes de gangues fortemente armados atacarem edifícios governamentais, hospitais, escolas e o aeroporto – levou a cidade a uma paralisação virtual, derrubou o primeiro-ministro e forçou milhares de cidadãos a fugirem das suas casas.

A chegada de centenas de agentes da polícia quenianos provenientes de uma missão de segurança multinacional apoiada pelos EUA, em Junho, trouxe alguma esperança de salvação e uma pausa temporária na violência. Mas em outubro, quando o Guardian passou uma semana reportando de Porto Príncipea situação estava novamente fora de controle.

O som de tiros podia ser ouvido dia e noite. Das colinas acima da capital do Haiti, podia-se ver fumaça subindo para o céu vindo do bairro de Solino, enquanto combatentes de gangues desfilavam pelas ruas incendiando casas.

Ao lado, numa comunidade chamada Kokiyo, residentes aterrorizados de Solino poderiam ser vistos fugindo para salvar suas vidascarregando tudo o que podiam. Uma pilha de móveis foi colocada em uma esquina enquanto os moradores tentavam resgatar seus pertences. Perto dali, um homem armado com um facão vigiava uma das entradas da área.

“Esta é efectivamente uma guerra civil… Cada dia, cada mês, cada ano, os gangues tornam-se mais poderosos”, disse Felicen Dorcevah, um treinador de boxe de 45 anos, enquanto famílias deslocadas passavam pela sua casa em busca de segurança.

Dorcevah mudou-se para Kokiyo depois que sua casa foi danificada durante o terremoto de 2010, que devastou Porto Príncipe há 15 anos, na semana passada. Ele disse que temia ser desenraizado novamente. Várias semanas mais tarde, esse medo foi confirmado quando Dorcevah e a sua família foram forçados a abandonar a sua casa para escapar a outro ataque de gangues.

A agência de migração da ONU disse que existem agora 108 locais de deslocamento severamente superlotados em Porto Príncipe para essas famílias, contra 73 há um ano. Incluem escolas, igrejas e até edifícios de ministérios governamentais que foram ocupados por haitianos desamparados, sem saber quando – ou mesmo se – poderão regressar a casa. O número de pessoas deslocadas triplicou no último ano, passando de cerca de 315.000 em Dezembro de 2023 para 1,04 milhões agora.

“O que está a acontecer aqui no Haiti é consequência da impunidade: impunidade para crimes financeiros, corrupção e também impunidade para violações dos direitos humanos”, disse Rosy Auguste Ducena, uma proeminente defensora dos direitos humanos em Porto Príncipe, cujo grupo ajuda a vítimas da violência de gangues.

Apesar de uma sucessão de massacres de gangues de alto nível em que dezenas de pessoas foram mortas, o colapso do sistema judicial do Haiti não levou nenhum dos culpados à justiça, acrescentou Ducena. “Até hoje, nem mesmo um membro de gangue foi condenado – nem mesmo à revelia”, disse Ducena, acrescentando: “Os direitos humanos são violados todos os dias e, infelizmente, aqueles que governam o país não parecem compreender que estamos em uma situação urgente.”



Leia Mais: The Guardian

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna.jpg

A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.

Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.

Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.

O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.

Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna-2.jpg

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.

 



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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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