NOSSAS REDES

ACRE

Nenhuma criança deveria ver os horrores de Gaza | Conflito Israel-Palestina

PUBLICADO

em

Há 15 meses que as crianças de Gaza foram reduzidas a uma estatística. O número de mortos relatado fornece uma contagem específica para crianças. A desnutrição e a fome são relatadas em termos do número de crianças que afectaram e mataram. Até o tempo frio é medido em termos de quantos bebés matou em tendas improvisadas.

Mas por trás destes números estão histórias comoventes de crianças palestinianas cuja infância foi interrompida. Como enfermeira que trabalhava no Complexo Médico al-Shifa e depois numa clínica improvisada num campo de deslocados, deparei-me com tantas histórias dolorosas de crianças que sofrem no meio desta guerra hedionda.

Ver tantas crianças sofrer tornou a miséria de tentar sobreviver a um genocídio muito mais insuportável.

No início de novembro de 2023, quando eu estava de plantão no pronto-socorro, vários feridos foram levados às pressas após outro violento atentado. Fui atender uma delas: Tala, de 10 anos.

Quando a verifiquei, vi que seu braço já havia sido amputado e ela tinha queimaduras graves por todo o corpo. Ela chorava intensamente, perguntando pela tia. Eu não sabia o que dizer. Dei-lhe um analgésico para acalmá-la um pouco.

Tentei conversar com ela e aliviar suas lágrimas. Ela me contou que havia perdido toda a sua família devido a um bombardeio anterior em sua casa. Ela não estava em casa, então se tornou a única sobrevivente. Ela foi acolhida pela tia e estava hospedada em sua casa quando um míssil atingiu um prédio vizinho. A explosão e os estilhaços a feriram.

À medida que o efeito do analgésico passou, Tala começou a chorar muito novamente devido à dor física e mental do que havia acontecido com ela. Foi comovente ver esta menina sofrendo tanto. Ela deveria estar indo para a escola, brincando com os amigos, abraçando a família. E aqui estava ela sozinha, com dor e tristeza insuportáveis. Como ela iria continuar sua vida?

Depois de cada visita à cama dela, eu chorava. Ela ficou duas semanas no hospital e acabou recebendo alta para a casa de sua tia.

Tala foi apenas uma das muitas crianças que atendi no pronto-socorro de al-Shifa antes de partirmos. banido pelos israelenses no final de novembro. A maioria das vítimas dos bombardeios que tratei eram crianças. Muitos tiveram ferimentos como Tala, alguns muito piores que os dela. A grande maioria deles tinha visto membros das suas famílias despedaçados, sangrando até a morte ou gravemente feridos. Muitos ficaram órfãos.

Quando me mudei para um campo de deslocados no sul, o sofrimento das crianças que vi não diminuiu. Ofereci-me como voluntário num posto médico do campo, onde muitos dos pacientes eram crianças.

Um dia, em janeiro de 2024, uma mãe preocupada veio até nós com seu filho de sete anos, chamado Youssef. Ela nos contou que ele estava doente há várias semanas e ela não sabia o que o estava machucando. Quando o examinamos, determinamos que ele sofria de hepatite viral e que estava em estágio avançado da doença. Ele sentia muitas dores, vômitos e diarreia, cólicas abdominais e febre.

Não podíamos fazer muito por ele. Poucos dias depois, Youssef morreu.

Sua morte nem sequer se tornou uma estatística. Ele não foi morto por uma bomba israelense, portanto não foi adicionado ao número de mortos relatado naquele dia.

Mas ele ainda foi vítima desta guerra genocida. Se o sistema de saúde de Gaza não tivesse sido destruído, ele teria sido salvo.

Há outras lesões que as crianças de Gaza sofrem e que eu, como profissional médico, não posso ajudar, mesmo que tivesse todos os medicamentos e todos os equipamentos do mundo. Estas são as feridas psicológicas que cada criança sobrevivente deste genocídio carrega.

Em julho, conversei com Ahmad, de 11 anos, em uma área em Khan Younis onde as crianças vão empinar pipas. Eu tinha ido lá para falar com crianças “saudáveis” – aquelas que eu não veria na clínica improvisada.

“Não há nada pior do que esta situação. A situação das crianças é como um sapato!” ele me disse.

Fiquei surpreso com sua resposta e ri.

Perguntei a ele: “O que mais te machucou nesta guerra?” Ele respondeu com os olhos pesados ​​de tristeza, com uma palavra: perda. Ele havia perdido a mãe.

Ele contou: “A ocupação lançou um ataque maluco contra nós e bombardeou todo o nosso quarteirão residencial. Quanto à minha mãe, não a vi, pois naquele dia fui atingido na cabeça por estilhaços próximos ao crânio e fui levado para a UTI. Depois de três dias, quando acordei e liguei para minha mãe, eles me disseram que Israel a havia matado, simplesmente assim.”

Eu me controlei; Eu não queria chorar na frente dele. Tenho certeza de que fui mais fraco que ele neste momento.

Nenhuma criança merece esta vida miserável. Nenhuma criança deveria sofrer de uma doença evitável; nenhuma criança deveria ser queimada ou mutilada por bombas. Nenhuma criança deveria ver seus pais morrerem.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



Leia Mais: Aljazeera

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Exame Nacional de Acesso ENA/Profmat em 2026 — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

PDF

A Coordenação Institucional do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT/UFAC) divulga a lista de pedidos de matrícula deferidos pela Coordenação, no âmbito do Exame Nacional de Acesso 2026.

LISTA DE PEDIDO DE MATRÍCULA DEFERIDOS

1 ALEXANDRE SANTA CATARINA
2 CARLOS KEVEN DE MORAIS MAIA
3 FELIPE VALENTIM DA SILVA
4 LUCAS NASCIMENTO DA SILVA
5 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA
6 ISRAEL FARAZ DE SOUZA
7 MARCUS WILLIAM MACIEL OLIVEIRA
8 WESLEY BEZERRA
9 SÉRGIO MELO DE SOUZA BATALHA SALES
10 NARCIZO CORREIA DE AMORIM JÚNIOR

Informamos aos candidatos que as aulas terão início a partir do dia 6 de março de 2026, no Bloco dos Mestrados da Universidade Federal do Acre. O horário das aulas será informado oportunamente.

Esclarecemos, ainda, que os pedidos de matrícula serão encaminhados ao Núcleo de Registro e Controle Acadêmico da UFAC, que poderá solicitar documentação complementar.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Linguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Linguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Ufac chega aos 20 anos com um legado consolidado na formação de profissionais da educação na Amazônia. Criado em 2005 e com sua primeira turma de mestrado iniciada em 2006, o PPGLI passou a ofertar curso de doutorado a partir de 2019. Em 2026, o programa contabiliza 330 mestres e doutores titulados, muitos deles com inserção em instituições de ensino e pesquisa na região.

Os dados mais recentes apontam que 41% dos egressos do PPGLI atuam como docentes na própria Ufac e no Instituto Federal do Acre (Ifac), enquanto 39,4% contribuem com a educação básica. Com conceito 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no quadriênio 2017-2020, o PPGLI figura entre os melhores da região Norte.

“Ao longo dessas duas décadas, o programa de pós-graduação em Linguagem e Identidade destaca-se pela excelência acadêmica e pela forte relevância social”, disse a reitora Guida Aquino. “Sua trajetória tem contribuído de forma decisiva para a produção científica e cultural, especialmente no campo dos estudos sobre linguagens e identidades, fortalecendo o compromisso da Ufac com formação qualificada, pesquisa e transformação social.”

O coordenador do programa, Gerson Albuquerque, destacou que, apesar de recente no contexto da pós-graduação brasileira, o PPGLI promove uma transformação na educação superior da Amazônia acreana. “Nesses 20 anos, o PPGLI foi responsável não apenas pela formação de centenas de profissionais altamente qualificados, mas por inúmeras outras iniciativas e realizações que impactam diretamente a sociedade.”

Entre essas ações, Gerson citou a implementação de uma política linguística pioneira que possibilitou o ingresso e permanência de estudantes indígenas e de outras minorias linguísticas, além do protagonismo de pesquisadores indígenas em projetos voltados ao fortalecimento de suas culturas e línguas. “As ações do PPGLI transcenderam os limites acadêmicos, gerando impactos sociais, culturais e econômicos significativos”, opinou. “O programa contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente de sua riqueza linguística e cultural.”

Educação básica, pesquisa e projetos

Sobre a inserção dos egressos na educação básica, Gerson considerou que, embora a formação stricto sensu seja voltada prioritariamente ao ensino superior e à pesquisa, o alcance do PPGLI vai além. “Se analisarmos o perfil de nossos mestres e doutores, 72% atuam em instituições de ensino superior, técnico, tecnológico ou na educação básica. Isso atesta a importância do programa para a Amazônia e para a área de linguística e literatura, uma das que mais forma mestres e doutores no país.”

O professor também destacou a trajetória de 15 egressos que hoje se destacam em instituições de ensino, projetos de extensão e pesquisa, tanto no Brasil quanto no exterior. Para ele, esses exemplos ilustram a diversidade de atuações do corpo formado pelo programa, que inclui professores indígenas, pesquisadores em literatura comparada, especialistas em língua brasileira de sinais (Libras), artistas da palavra, autores de livros, lideranças educacionais e docentes em universidades peruanas.

A produção científica do PPGLI também foi ressaltada pelo coordenador, que apontou os avanços no quadriênio 2021-2024 como reflexo de um projeto acadêmico articulado com os desafios amazônicos. “Promovemos ações de ensino, pesquisa e extensão com foco na diversidade étnica, linguística e cultural. Nossas parcerias internacionais ampliam o alcance do programa sem perder o vínculo com as realidades locais, especialmente as regiões de fronteira com Peru e Bolívia.”

Entre os destaques estão as políticas afirmativas, a produção de material didático bilíngue para escolas indígenas, a inserção em redes de pesquisa e eventos científicos, a publicação de livros e dossiês temáticos e a atuação dos docentes e discentes em comunidades ribeirinhas e florestais.

Para os próximos anos, o desafio, segundo Gerson, é manter e ampliar essas ações. “Nosso foco está no aprimoramento das estratégias de educação inclusiva e no fortalecimento do impacto social do Programa”, afirmou. Para marcar a data, o PPGLI irá realizar um seminário comemorativo no início de fevereiro de 2026, além de uma série de homenagens e atividades acadêmico-culturais ao longo do ano.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac lança nova versão do SEI com melhorias e interface moderna — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac lança nova versão do SEI com melhorias e interface moderna — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a solenidade de lançamento da nova versão do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que passa a operar na versão 5.0.3. A atualização oferece interface mais moderna, melhorias de desempenho, maior segurança e avanços significativos na gestão de documentos eletrônicos. O evento ocorreu nesta segunda-feira, 12, no auditório da Pró-Reitoria de Graduação.

A reitora Guida Aquino destacou a importância da modernização para a eficiência institucional. Ela lembrou que a primeira implantação do SEI ocorreu em 2020, antes mesmo do início da pandemia, permitindo à universidade manter suas atividades administrativas durante o período de restrições sanitárias. “Esse sistema coroou um momento importante da nossa história. Agora, com a versão 5.0, damos mais um passo na economia de papel, na praticidade e na sustentabilidade. Não tenho dúvida de que teremos mais celeridade e eficiência no nosso dia a dia.” 

Ela também pontuou que a universidade está entre as primeiras do país a operar com a versão mais atual do sistema e reforçou o compromisso da gestão em concluir o mandato com entregas concretas. “Trabalharei até o último dia para garantir que a Ufac continue avançando. Não fiz da Reitoria trampolim político. Fizemos obras, sim, mas também implementamos políticas. Digitalizamos assentamentos, reorganizamos processos, criamos oportunidades para estudantes e servidores. E tudo isso se comunica diretamente com o que estamos lançando hoje.” 

Guida reforçou que a credibilidade institucional conquistada ao longo dos anos é resultado de um esforço coletivo. “Tudo o que fiz na Reitoria foi com compromisso com esta universidade. E farei até o último dia. Continuamos avançando porque a Ufac merece.”

Mudanças e gestão documental

Responsável técnico pela atualização, o diretor do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), Jerbisclei de Souza Silva, explicou que a nova versão exigiu mudanças profundas na infraestrutura de servidores e bancos de dados, devido ao crescimento exponencial de documentos armazenados.

“São milhões de arquivos em PDF e externos que exigem processamento, armazenamento e desempenho. A atualização envolveu um trabalho complexo e minucioso da nossa equipe, que fez tudo com o máximo cuidado para garantir segurança e estabilidade”, explicou. Ele ressaltou ainda que o novo SEI já conta com recursos de inteligência artificial e apresentou melhora perceptível na velocidade de navegação.

O coordenador de Documentos Eletrônicos e gestor do SEI, Márcio Pontes, reforçou que a nova versão transforma o sistema em uma ferramenta de gestão documental mais ampla, com funcionalidades como classificação, eliminação e descrição de documentos conforme tabela de temporalidade. “Passamos a ter um controle mais efetivo sobre o ciclo de vida dos documentos. Isso representa um avanço muito importante para a universidade.” Ele informou ainda que nesta quinta-feira, 15, será realizada uma live, às 10h, no canal UfacTV no YouTube, para apresentar todas as novidades do sistema e tirar dúvidas dos usuários.

A coordenação do SEI passou a funcionar em novo endereço: saiu do pavimento superior e agora está localizada no térreo do prédio do Nurca/Arquivo Central, com acesso facilitado ao público. Os canais de atendimento seguem ativos pelo WhatsApp (68) 99257-9587 e e-mail sei@ufac.br.

Também participaram da solenidade o pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; e a pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS