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Netflix adapta Pedro Páramo, o grande romance mexicano que inspirou Márquez | Mexico

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Thomas Graham in Mexico City

“Vim para Comala porque me disseram que aqui morava meu pai, um certo Pedro Páramo.”

Muitos mexicanos sabem de cor a primeira frase do venerado romance de Juan Rulfo, Pedro Páramo. Esta semana eles vão ouvir na Netflix, com o lançamento da primeira adaptação cinematográfica em quase 50 anos do texto que inspirou Gabriel Garcia Márquez escrever Cem Anos de Solidão.

“Este país, onde a Morte se escreve com letra maiúscula porque nos define de forma inexorável, ora brutal, ora poética, não encontrou metáfora mais poderosa do que a história de Pedro Páramo”, escreveu a romancista mexicana Alma Delia Murillo em uma crítica extasiada do novo filme.

A história se passa nas décadas em torno da revolução mexicana, há mais de 100 anos, e essas primeiras palavras são proferidas por Juan Preciado, que viajou para a cidade de Comala para cumprir uma promessa feita à sua mãe moribunda de que reivindicaria o dinheiro que lhe é devido por seu pai, que é uma espécie de senhor feudal.

Mas no caminho, Preciado encontra um almocreve que lhe conta que Páramo morreu há muito tempo e que Comala está abandonada. Páramo também é o pai do tropeiro. Preciado pergunta como ele era. “Ressentimento vivo,” murmura o arrieiro – bile viva.

Dores Heredia os Eduviges na produção Netflix de Pedro Páramo. Fotografia: Juan Rosas/Netflix

Preciado desce a Comala como se estivesse entrando no submundo. A partir daí a história é narrada não apenas por Preciado, mas por um coro fantasmagórico num lugar onde o véu entre o presente e o passado, os vivos e os mortos, está esfarrapado.

Pedro Páramo tem pouco mais de 100 páginas e Rulfo nunca terminou outro livro, trabalhando como agente de imigração, vendedor ambulante de pneus e editor na agência nacional de comunidades indígenas. Mas ainda foi o suficiente para colocá-lo no panteão da literatura mexicana.

“Eu acho que em México os escritores sabem que não é possível seguir os passos de Juan Rulfo”, diz Víctor Jiménez, diretor da Fundação Juan Rulfo. “Mas as pessoas leem suas obras e mergulham nelas. Para muitos ele é o autor da obra literária mais importante do México. E para alguns ele é o autor mexicano mais importante.”

Outros colocam Pedro Páramo como pedra angular de grande parte da ficção latino-americana que se seguiu. Jorge Luis Borges disse que foi um dos maiores obras da literatura já escritas. García Márquez afirmou que poderia recitar o livro inteiro, “para frente e para trás”.

Tenoch Huerta como Juan Preciado (esquerda) e Mayra Batalla como Damiana na produção Netflix de Pedro Páramo. Fotografia: Juan Rosas/Netflix

Quando García Márquez chegou ao México em 1961, um amigo pressionou-o e ele leu-o duas vezes naquela mesma noite. Mais tarde, ele escreveria um prefácio para isso. “O exame aprofundado da obra de Juan Rulfo me deu finalmente o caminho que buscava para dar continuidade aos meus livros”, disse ele.

Os ecos de Pedro Páramo em Cem Anos de Solidão são claros, desde as marcas marcantes das suas linhas iniciais e os temas da violência política e das famílias poderosas até ao aspecto mítico das suas cidades isoladas, Comala e Macondo.

Pedro Páramo é frequentemente considerado a faísca que acendeu o boom do realismo mágico na América Latina, do qual Cem Anos de Solidão se tornaria o principal exemplo.

Mas se o romance realmente pertence ao realismo mágico é fonte de algum debate.

O próprio Rulfo gostava de fazer comentários irônicos sobre Pedro Páramo durante as entrevistas, dizendo precisava ser lido três vezesou que ele tirou tantas páginas na edição que no final nem ele entendeu.

Rulfo também estava cético quanto à possibilidade de algum dia ser traduzido para o cinema “devido à própria complexidade de sua estrutura, que avança e retrocede no tempo”, diz Jiménez.

Nenhuma das adaptações anteriores, dirigidas por Carlos Velo, José Bolaños e Salvador Sánchez, satisfez. Jiménez conta com uma nota de horror como o roteiro do filme de Velo desmembrou a narrativa do romance e eventos reordenados cronologicamente.

Os mexicanos se perguntam se a nova entrada, lançada na quarta-feira, terá um desempenho melhor. Jiménez, que esteve na estreia, avalia que é o melhor esforço até agora.

“O novo filme pega o touro pelos chifres. Mas esta é uma obra que se revela nas mãos dos leitores.”



Leia Mais: The Guardian

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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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