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No Brics, Lula critica guerras e faz alerta sobre mudanças climáticas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, nesta quarta-feira, na Cúpula do Brics, o fim dos conflitos no Oriente Médio, com ataques de Israel à Faixa de Gaza, Cisjordânia, Iêmen e Síria, e entre Rússia e Ucrânia. Os russos são os anfitriões do evento, que reúne chefes de Estado do bloco em Kazan.

O discurso de Lula foi por videoconferência. O presidente teve de cancelar a viagem à Rússia após sofrer um acidente doméstico no último sábado.

“No momento em que enfrentamos duas guerras com potencial de se tornarem globais, é fundamental resgatar nossa capacidade de trabalhar juntos em prol de objetivos comuns”, disse.

Lula citou uma declaração do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, quando o chefe de Estado afirmou que a Faixa de Gaza se tornou “o maior cemitério de crianças e mulheres do mundo”.

O petista também falou sobre as mudanças climáticas e voltou a cobrar dos países mais desenvolvidos o financiamento para ações de proteção ambiental. Lula criticou os organismos financeiros internacionais. Citou a promessa de repassar US$ 100 bilhões aos países mais pobres feita pelos Estados Unidos e não cumprida. “Os dados da ciência exprimem um sentido de urgência sem precedentes”, pontuou.

Ele destacou o papel do Brics como uma forma de aumentar a força dos países do Sul Global no cenário internacional, fez críticas aos países ricos e à dependência do dólar nas transações.

Apesar de ressaltar a importância do Brics, o presidente não comentou sobre a nova expansão do bloco, que deve aceitar mais 12 países como parceiros.

Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — que entrou um ano depois —, o grupo aceitou como membros plenos, no ano passado, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Arábia Saudita, apesar de o último ainda não ter formalizado sua adesão. Espera-se que, após a Cúpula de Kazan, outros 12 países entrem como parceiros, com menos poder de decisão do que os membros plenos.

Os chefes do bloco aprovaram durante a cúpula uma lista prévia com os parceiros, que inclui Cuba, Bolívia, Indonésia, Malásia, Uzbequistão, Casaquistão, Tailândia, Vietnã, Nigéria, Uganda, Belarus e Turquia.

A Venezuela e a Nicarágua ficaram de fora do rol de candidatos, em decisão vitoriosa para a diplomacia brasileira. Os dois países vivem uma crise diplomática com o Brasil. A Venezuela, com apoio da Rússia, era considerada uma forte candidata, mas foi barrada durante as negociações, apesar da presença de Nicolás Maduro em Kazan e do forte lobby venezuelano.

“Muitos insistem em dividir o mundo entre amigos e inimigos. Mas os mais vulneráveis não estão interessados em dicotomias simplistas. O que eles querem é comida farta, trabalho digno e escolas e hospitais públicos de acesso universal e de qualidade. E um meio ambiente sadio, sem eventos climáticos que ponham em risco sua sobrevivência. E uma vida de paz, sem armas que vitimam inocentes”, declarou Lula.

Ele agradeceu o apoio dos países do Brics à presidência brasileira do G20 e destacou a iniciativa para taxar grandes fortunas — uma das prioridades do bloco neste ano. “Seu respaldo foi fundamental para avançar em iniciativas que são cruciais para a redução das desigualdades, como a taxação de super-ricos”, afirmou. Também mencionou a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, que será lançada na Cúpula do G20, em novembro, no Rio de Janeiro, e que está reunindo adesões.

Sobre o Brics, garantiu que a presidência brasileira do bloco, que começa no ano que vem, vai manter a defesa de um multilateralismo e uma relação menos desigual entre os países ricos e o Sul Global, dos quais o bloco desponta como representação após a expansão dos últimos anos.

Outro tema central do discurso de Lula foi o sistema econômico promovido pelo Brics. Ele destacou que o bloco reúne países com 3,6 bilhões de habitantes no total e 36% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. “Entretanto, os fluxos financeiros continuam seguindo para nações ricas. É um Plano Marshall às avessas, em que as economias emergentes e em desenvolvimento financiam o mundo desenvolvido”, argumentou.

Lula enfatizou que o comércio do Brasil com os membros do Brics cresceu 12 vezes entre 2003 e 2023 e que o bloco é responsável por fornecer um terço das importações brasileiras. Além disso, deu destaque à iniciativa para diminuir a dependência do dólar e do norte-americano Sistema Swift nas transações internacionais. “Por meio do Mecanismo de Cooperação Interbancária, nossos bancos nacionais de desenvolvimento vão estabelecer linhas de crédito em moedas locais, que reduzirão os custos de transação de pequenas e médias empresas”, sustentou.

 

 

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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