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No Líbano, ordens de evacuação israelenses ‘enganosas’ e esporádicas inspiram medo | Israel ataca o Líbano
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Beirute, Líbano – Ayham Ali Mohammad, de dois anos, estava sentado no colo do avô comendo uma banana do outro lado da rua do Hospital Rafik Hariri, em Jnah, na periferia sul de Beirute.
Dois dias antes, em 22 de outubro, um ataque aéreo israelense atingiu a casa da criança síria, soterrando-a sob os escombros e destruindo vários edifícios ao seu redor.
Ele ficou preso por uma hora antes que os moradores locais conseguissem retirá-lo, escavando os destroços com as próprias mãos.
Ele agora usa as cicatrizes do ataque no rosto. Ele tem dois olhos pretos. Arranhões marcam sua testa, bochechas, lábios e queixo.
Vestido com um agasalho marrom, ele era tipicamente inquieto para sua idade. Mas, em momentos calmos, ele olhava para o espaço. Ele não falou enquanto seu avô contava sua história.
Ele e seu pai sobreviveram. Mas sua mãe e seu irmão mais velho, que dormiam lado a lado quando o ataque aconteceu, não. Pelo menos 18 pessoas morreram no ataque, enquanto cerca de 60 ficaram feridas.
“Houve um alerta de evacuação para Ouzai (um subúrbio próximo), mas então eles atacaram aqui”, disse Hassan Bou Kaseb, de 40 anos, do local da explosão. Ele mora próximo aos edifícios destruídos. O exército israelense não deu nenhum aviso, disseram ele e outros moradores locais.
Nesse mesmo dia, em Chiyah, a cerca de 10 minutos de carro, outro edifício foi reduzido a escombros. Mas antes dessa explosão, houve um aviso de evacuação.
Rana Nasserddine, que trabalha com vendas para uma empresa de banheiros e azulejos com sede em Dubai, estava em seu escritório na cidade dos Emirados quando um parente compartilhou o aviso de evacuação israelense no bate-papo do grupo familiar.
“Eu desmaiei”, disse Nasserddine à Al Jazeera.
Cerca de 40 minutos depois, um foguete atingiu a base do prédio e o derrubou.
“Saí correndo do escritório chorando e saí para respirar”, disse ela. “Mesmo agora, descrever o que senti traz lágrimas aos meus olhos. Fiquei na estrada por uma hora, apenas tentando processar isso.”
Naquele dia, o fogo israelita destruiu as casas de Mohammad – a criança – e de Nasserddine, bem como as de muitas outras pessoas.
Os avisos de evacuação, quando emitidos, podem evitar a perda de vidas. Mas os observadores duvidam que estes alertas sejam emitidos de boa fé.
“Estas ordens de evacuação estão longe de funcionar como um apelo genuíno para proteger os civis”, afirmou um relatório do Beirut Urban Lab, um estúdio de investigação interdisciplinar da Universidade Americana de Beirute.
“Nós os lemos como parte da estratégia de Israel para fabricar consentimento para os próximos ataques, legitimando os bombardeamentos ao alegar a presença de uma chamada ameaça ‘terrorista’.”
O porta-voz militar de Israel em língua árabe não compartilhou um motivo específico para o ataque ao prédio de Nasserddine em uma declaração compartilhada no site de mídia social X, a não ser para dizer que eles estavam nas proximidades dos “interesses” ou “instalações” do Hezbollah.
Mais do que 3.000 pessoas foram mortas no Líbano desde que a última guerra entre o Hezbollah e Israel começou em 8 de outubro de 2023. As mortes aceleraram desde meados de setembro, quando Israel detonou dispositivos eletrônicos em todo o país, intensificou ataques aéreos em grandes áreas do país e assassinou importantes Números do Hezbollah.
Em Outubro, o sul do Líbano, o Vale do Bekaa, a leste, e o subúrbio de Dahiyeh, no sul de Beirute, foram repetidamente bombardeados.
Desde 27 de setembro, os militares israelitas emitiram vários avisos de evacuação, ordenando aos residentes que abandonassem as suas casas.
Às vezes, estes avisos aplicam-se a edifícios específicos, como o de Nasserddine. Noutras ocasiões, são dados avisos de evacuação para bairros inteiros, como em Tiro, a quinta maior cidade do Líbano, ou mesmo para a maior parte de uma cidade e seus subúrbios, como foi o caso em Baalbequelar de mais de 80.000 pessoas e antigas ruínas romanas.
Em Beirute, os militares israelitas anunciaram pelo menos 99 ataques a 152 edifícios entre 27 de Setembro e 24 de Outubro de 2023, de acordo com o relatório do Beirut Urban Lab.
A maioria das ordens de evacuação na capital foi enviada tarde da noite ou nas primeiras horas da manhã.
Eles são compartilhados pelo porta-voz militar israelense em língua árabe no X, geralmente na forma de mapas com o edifício alvo ou grupos de edifícios em vermelho. Alertas também foram enviados por mensagem de texto e WhatsApp.
‘Não há segurança’
Os militares de Israel afirmam que as ordens de evacuação visam proteger a população civil do Líbano.
Na realidade, as ordens de evacuação nem sempre chegam. Se o fizessem, talvez a mãe e o irmão de Ayham ainda pudessem estar vivos.
Sentado em frente ao Hospital Rafik Hariri em Jnah, um homem sírio de 42 anos que pediu anonimato tremia de emoção.
“Netanyahu, seu criminoso, saia de cima de nós”, disse ele através de uma máscara cirúrgica usada para se proteger da poeira, referindo-se ao líder israelense. “Deixe-nos em paz.”
Ele estava em casa com a esposa e cinco filhas, de seis a 15 anos, quando ocorreu o ataque.

Eles estavam perto do ponto de impacto, mas felizmente ninguém de sua família ficou gravemente ferido.
A explosão sugou o ar da sala, dificultando a respiração, e eles sentiram uma pressão intensa.
Tudo estava coberto de poeira. “Eu vi a morte com meus olhos”, disse ele.
“A segurança é o mais importante”, acrescentou. “Agora, voltarei para a Síria por causa dos meus filhos. Eu posso morrer.
Mas regressar à Síria está repleto de riscos. Ele pode ser convocado à força, preso ou até morto, explicou. A sua família está agora sem abrigo e montou uma tenda junto ao Mar Mediterrâneo.
“Se você tem dinheiro você pode fugir. Então, quem é atingido? Os pobres”, disse ele.
‘Eu me sinto quebrado além das palavras’
Mesmo quando chegam avisos, as pessoas que os recebem dificilmente os consideram humanos, nem os grupos de direitos humanos.
“Os avisos emitidos… foram inadequados”, disse Agnes Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, num relatório publicado em 10 de Outubro. “A nossa análise mostra que não só os avisos emitidos pelos militares israelitas incluíam mapas enganosos, mas também eram emitido num curto espaço de tempo – num caso, menos de 30 minutos antes do início das greves – a meio da noite, através das redes sociais, quando muitas pessoas estavam a dormir, offline ou não acompanhando as reportagens dos meios de comunicação social”.
Tal como muitos no Líbano que tentavam escapar aos horrores dos bombardeamentos israelitas, a família de Nasserddine tinha evacuado dias antes devido a outros ataques na área.
O ataque destruiu seu quarto com varanda com vista para a cidade. Levou a cara máquina de costura de sua mãe. E aproveitou a possibilidade de acrescentar novas memórias às antigas.
Ela se lembra de cenas esparsas ao longo dos anos: tomando café de pijama na varanda da irmã no sétimo andar, sua mãe repreendendo sua tia por fumar dentro de casa.
“Não consigo descrever completamente a sensação”, disse Nasserddine. “Em um momento, a casa da minha mãe, da minha irmã e minha casa desapareceram. Como você descreve a perda de tudo que você ama quando está tão longe? Eu me sinto quebrado além das palavras.
“Agarro-me às nossas memórias e confio que o vínculo que compartilhamos perdurará.”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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