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No meio da agitação na Síria, como irá a Turquia beneficiar? – DW – 11/12/2024
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Quando o presidente turco Recep Tayyip Erdogan ordenou que tropas invadissem Síria em 2016, ele justificou a medida afirmando: “Não temos reivindicações territoriais sobre a Síria. Queremos apenas garantir que os legítimos proprietários recuperem o seu país. Apenas invadimos para acabar com o governo do tirano (Bashar) Assad.”
Mas mesmo naquela altura, as suas palavras abrangentes foram apoiadas por políticas de hard power. Ancara apoiou insurgentes armados na Síria desde o primeiro dia e estava determinada a derrubar o ditador sírio Assad. Cinco anos depois, a Turquia estabeleceu uma presença militar permanente no reduto rebelde de Idlib, no norte da Síria.
Hoje, a Turquia é um dos maiores vencedores estratégicos na convulsão política da Síria, enquanto a Rússia e o Irão podem ser considerados alguns dos maiores perdedores. Moscovo foi o aliado mais importante do regime de Assad e Teerão forneceu apoio com forças paramilitares.
A queda de Assad: como as potências regionais estão reagindo
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“Em comparação com a situação de há duas semanas, a Turquia venceu definitivamente na Síria”, disse Zaur Gasimov, especialista em relações turco-russas da Universidade Turco-Alemã em Istambul.
Gasimov acredita que Ancara trabalhará em estreita colaboração com o futuro governo da Síria. “A Turquia estará fortemente envolvida nos esforços de reconstrução e continuará a ser o principal investidor na Síria devastada pela guerra”, disse ele.
Berk Esen, cientista político da Universidade Sabanci, em Istambul, concorda. “Ancara também lucrará economicamente com a reconstrução da Síria, assim que as empresas de construção turcas receberem encomendas”, disse ele.
“Embora a política da Turquia em relação à Síria tenha sido considerada malsucedida há muito tempo, Erdogan repetia que um dia Assad perderia o poder. Agora, isso lhe renderá pontos”, acrescentou Esen.
Turquia pretende “expandir a sua esfera de influência”
“A Turquia desempenhou um papel importante na ofensiva recente”, destacou Esen. “Ancara usará isso no novo (governo) sírio para expandir sua esfera de influência.”
A Turquia aumentará a sua influência na Síria?
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A Turquia apoia a Exército Nacional Sírio, que agora controla grandes partes do norte da Síria. Segundo Esen, graças à presença da Turquia no país, o país também desenvolveu uma certa proximidade com o grupo militante Hayat Tahrir al-Sham (HTS), apesar de rejeitar repetidamente as alegações de ter estado envolvido na impressionante ofensiva que derrubou Assad.
Embora a Turquia não apoie oficialmente o HTS, e até o classifique como uma organização terrorista, Ancara apoia várias milícias do norte da Síria que estiveram envolvidas na insurgência.
O especialista regional Andre Bank, do Instituto GIGA de Estudos do Médio Oriente, em Hamburgo, acredita que é plausível presumir que a Turquia fornece apoio militar indirecto ao HTS.
“A HTS adquiriu recentemente novas armas. O grupo atualmente usa drones e sistemas de mísseis. Pode-se presumir que foram adquiridos na Turquia”, disse ele.
Que políticas globais estão em jogo na guerra da Síria?
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Simon Mabon, professor de política internacional na Universidade de Lancaster, no Reino Unido, está menos convencido. “É um assunto obscuro”, disse ele. “Não temos certeza até que ponto a Turquia realmente apoiou esta ofensiva.”
A Turquia, membro da Aliança militar da OTANna verdade mantém boas relações com a Rússia e o Irão – para grande frustração dos aliados ocidentais. Mas o cientista político Gasimov não vê isto como causa de um conflito entre Moscovo e Ancara. Em vez disso, ele espera que os laços bilaterais se aprofundem com o tempo.
“A derrubada de Assad tornará a Turquia mais importante para a Rússia”, disse ele.
O que acontece com os curdos?
Oficialmente, o objectivo da Turquia no norte da Síria é impedir que as forças curdas alcancem a unidade territorial. Ancara teme que isto possa levar à criação de um Estado curdo na região.
Agora, as forças apoiadas pela Turquia movem-se contra as milícias curdas e capturaram áreas do norte da Síria, incluindo a cidade de Manbij. As Forças Democráticas Sírias (SDF), uma coligação composta principalmente por combatentes curdos, controlam partes do norte da Síria e são consideradas afiliadas à Turquia. Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
Em conflito com a Turquia desde 1984 com o objectivo de conquistar um Estado curdo independente, o PKK é classificado como organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia, entre outros governos.
“No futuro, poderemos realmente ver uma região curda autónoma na Síria como a do Iraque”, disse Esen. “A diferença é que, no norte montanhoso do Iraque, é mais fácil para os curdos defenderem o seu território, enquanto isso pode ser mais difícil em terreno plano da Síria.”
Ele acrescentou que ainda não se sabe como o HTS irá comportar-se em relação aos curdos e outras minorias no país, como os cristãos.
Turquia apoia retorno “seguro e voluntário” de migrantes sírios
A Turquia partilha uma fronteira de cerca de 900 quilómetros (560 milhas) com a Síria e acolhe cerca de 3 milhões de sírios deslocados, tornando-se o país com o maior número de refugiados sírios no mundo.
Embora o governo de Erdogan tenha acolhido inúmeros sírios após a eclosão da guerra civil em 2011, a sua administração está agora sob imensa pressão. O ressentimento em relação aos migrantes sírios tem aumentado nos últimos anos, no meio de dificuldades económicas.
“A Turquia atribui grande importância à unidade nacional, estabilidade, soberania e integridade territorial da Síria”, disse no domingo o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan. “Milhões de sírios que foram forçados a abandonar as suas casas podem agora regressar às suas terras.”
Agora, crescem as expectativas na Turquia de que isso acontecerá mais cedo ou mais tarde. Na segunda-feira, Erdogan anunciou que a Turquia estava a abrir a sua porta fronteiriça de Yayladagi com a Síria, para permitir o regresso “seguro e voluntário” dos migrantes sírios.
Este artigo foi escrito originalmente em alemão.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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