NOSSAS REDES

ACRE

No Sahel, Marrocos estabelece-se como mediador essencial para os ocidentais

PUBLICADO

em

O Rei de Marrocos, Mohammed VI, em Rabat, 28 de outubro de 2024

O sucesso reforça o peso dado ao Marrocos como mediador entre o Ocidente e as juntas que tomaram o poder no Mali, Burkina Faso e Níger. Após um ano de bloqueio, o reino obteve a libertação de quatro agentes franceses da Direção Geral de Segurança Externa (DGSE)mantido desde 1é Dezembro de 2023 pela junta em Burkina Fasoanunciou um despacho da Maghreb Arabe Presse (MAP), a agência de notícias marroquina, quinta-feira, 19 de dezembro. Segundo a diplomacia marroquina, a sua libertação foi aceite a pedido do rei pelo capitão Ibrahim Traoré, à frente do Burkina Faso desde o seu golpe de Estado em Setembro de 2022.

Ao agir como intermediário, Marrocos presta um serviço importante à França, com a qual a cooperação foi retomada ao mais alto nível após mais de dois anos de uma grave crise bilateral. Paris estava consciente de estar num impasse nas negociações para a libertação dos seus agentes, enquanto as suas relações com Ouagadougou se tinham tornado execráveis. Desde que chegou ao poder, Ibrahim Traoré rompeu com a antiga potência colonial o credo da sua política externa, recusando a nomeação de um novo embaixador e ordenando, no início de 2023, aos soldados franceses que abandonassem o país.

Dos quatro agentes detidos, a França contou, portanto, com a intervenção de terceiros países para abrir as discussões. Os Emirados Árabes Unidos e o Togo, que permitiram a colocação dos quatro responsáveis ​​franceses em prisão domiciliária, foram os primeiros a intervir. Mas foram, em última análise, os esforços envidados por Marrocos que valeram a pena.

No Níger, o caso Bazoum

Assim que foi conhecida a notícia da libertação dos agentes franceses, os jornais marroquinos apressaram-se a enumerar a lista dos europeus, reféns na região, que beneficiaram da « bons escritórios » de Rabat.

Em agosto de 2023, Bucareste acolheu “o papel fundamental” da Direcção Geral de Estudos e Documentação (DGED, os serviços de inteligência estrangeiros marroquinos) na libertação do oficial de segurança romeno Iulian Ghergut. Sequestrado no Burkina Faso em 2015 por um grupo aliado da Al-Qaeda, este funcionário de uma mina de manganês era então o mais velho detido ocidental no Sahel. Oito meses antes, a DGED tinha contribuído para o regresso à Alemanha de um engenheiro civil, Jörg Lange, raptado por islamitas no Níger em 2018 e depois sequestrado no Mali durante quatro anos.

No caso dos agentes franceses cativos em Ouagadougou, as discussões desta vez foram conduzidas entre aparelhos estatais. A diplomacia marroquina, que nunca comunicou sobre a assistência prestada à libertação de reféns nas mãos de jihadistas, não hesitou, portanto, em destacar “excelência nos relacionamentos” entre Maomé VI et “Presidente Traoré”. O que demonstra a compreensão de Marrocos, ao contrário da França, “do novo contexto soberanista” no Sahel, segundo o jornalista nigerino Seidik Abba, autor de vários trabalhos sobre a região.

Leia também | Artigo reservado para nossos assinantes Embaixador francês em Marrocos visita o Sahara Ocidental pela primeira vez

Ao mesmo tempo, conforme carta especializada Inteligência de Áfricaa DGED está em conversações com a junta em Níger com vista à libertação do Presidente Mohamed Bazoum, detido em Niamey desde a sua deposição em Julho de 2023. A comitiva do antigo chefe de Estado garante Mundo que sua libertação foi mencionada durante Visita de Emmanuel Macron a Rabat, de 28 a 30 de outubroacrescentando que o regime de transição só o aceitará com a condição de que o Sr. Bazoum renuncie e vá para o exílio. Dois pré-requisitos que este último recusou durante mais de um ano, sem levantar a hipótese de uma saída para Marrocos, solução ideal para os golpistas, porque está geograficamente longe do Níger.

Presença econômica

Do ponto de vista da junta nigerina, o reino goza de outra vantagem: a sua relativa neutralidade, não sendo Rabat membro da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que sancionou fortemente a nova Aliança dos Estados do Sahel (AES). formada por Níger, Burkina Faso e Mali, levando este último a romper com a organização.

Mantenha-se informado

Siga-nos no WhatsApp

Receba as notícias africanas essenciais no WhatsApp com o canal “Monde Afrique”

Juntar

Sem condenar nenhum dos golpes, Marrocos continuou a ser um interlocutor das novas potências, acolhendo os seus representantes e continuando a partilhar com eles a sua experiência em defesa e segurança, particularmente na luta contra o terrorismo e o fundamentalismo. Oferecendo-lhes inclusive, numa iniciativa ainda em fase de planeamento, acesso comercial à sua costa atlântica.

O mesmo se aplica ao reforço da sua presença económica, em troca da qual Rabat não impõe quaisquer condições políticas – mesmo em Malique no entanto reconhece a República Árabe Saharaui Democrática proclamada pelos separatistas da Frente Polisário. No Sahel, esta presença abrange tanto as telecomunicações como os bancos, muitos dos quais compraram títulos emitidos pelos governos para se financiarem. Marrocos também discutiria com os fundos soberanos do Golfo com vista a compromissos financeiros nesse país. O que faz com que um ex-ministro do Mali diga que “Os marroquinos podem exigir ser recebidos e considerados dignos dos seus investimentos”.

Leia também | Artigo reservado para nossos assinantes Marrocos quer dar aos estados do Sahel acesso ao Atlântico

As mesquitas “Mohammed VI” que floresceram na África Ocidental, símbolos da influência religiosa de Marrocos a sul do Sahara, ainda não se espalharam pelo Sahel. Mas o nome do monarca está inscrito em letras grandes, há dois anos, na entrada de uma clínica perinatal em Bamako, paga pelo orçamento de uma fundação real.

No dia 12 de dezembro, foi inaugurada em Niamey uma central térmica “Sua Majestade o Rei Mohammed VI”, oferecida por Marrocos. Exibido no local, um cartaz XXL mostrava o retrato oficial do soberano naquele dia ao lado do do general golpista Abdourahamane Tiani usando uma boina marrom. Durante o feriado nacional do Níger, 3 de agosto, Mohammed VI assegurou-lhe a “disposição constante” de Marrocos para trabalhar “a favor de uma cooperação bilateral reforçada”.



Leia Mais: Le Monde

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac retoma reuniões presenciais dos conselhos superiores após 6 anos — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Reunião Cepex (2).jpg

A Ufac retomou as sessões presenciais dos seus órgãos colegiados após quase seis anos. O retorno foi marcado pela 2ª reunião ordinária do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepex) de 2026, a qual ocorreu nesta quarta-feira, 19, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede.

As sessões passaram a ser remotas devido à pandemia da covid-19, em 2020. Depois, foram impactadas por paralisações dos servidores, crise no transporte público de Rio Branco e greve dos estudantes. “É um recomeço e o cumprimento de um dos principais compromissos assumidos durante nossa campanha eleitoral”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Este anfiteatro foi arena de grandes lutas do movimento sindical e dos próprios conselhos universitários.”

Segundo o servidor Jairo Nogueira, que atuou na intermediação do encontro com a Reitoria, a volta do formato presencial é fundamental para resgatar a interação direta entre os colegas e destravar os processos acumulados do Cepex. A sessão serviu de preparo para a reunião do Conselho Universitário (Consu), agendada para esta quinta-feira, 20.

Entre as propostas para a sessão do Consu, destacam-se reformulações no organograma da universidade, como a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, a reestruturação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, que passará a incorporar ações de inovação e o fortalecimento da autonomia do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, com a criação da figura do diretor do campus e de duas diretorias administrativas de suporte.

Por conta dos custos operacionais para o deslocamento dos 21 conselheiros de Cruzeiro do Sul, o modelo no campus do interior seguirá de forma híbrida temporariamente. A gestão está estruturando uma sala com suporte tecnológico para garantir a transmissão em tempo real, sem prejuízos aos participantes remotos. Paralelamente, nos próximos cem dias, a Reitoria pretende adaptar um espaço definitivo para as reuniões dos órgãos colegiados no campus-sede.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Podcast da Ufac entrevista novo reitor Josimar Ferreira — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

e9759ed7-c6b3-4fc8-af9a-cc571768d53c.jpeg

O canal UfacTV no YouTube transmitiu ao vivo, na quinta-feira, 13, a estreia da terceira temporada do CapiCast, podcast oficial produzido pela Assessoria de Comunicação da universidade. O episódio inaugural trouxe como convidado o professor Josimar Ferreira, que assumiu a Reitoria da instituição para o quadriênio 2026-2030, em uma entrevista conduzida pela apresentadora e assessora de Comunicação Nattércia Damasceno. A solenidade oficial de transmissão de cargo será na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Com a temática geral “Ufac em Perspectiva: Floresta, Conhecimento, Futuro”, a nova temporada busca debater o papel da universidade na transformação social e no desenvolvimento regional, integrando a produção acadêmica à preservação ambiental e às demandas da comunidade acreana.

Durante a conversa, o novo reitor relembrou sua trajetória acadêmica iniciada em 1997, quando ingressou no curso de Agronomia como filho de produtores rurais e enfrentou os desafios do ensino superior na época, como a escassez de transporte e de bolsas de estudo. “Estar no cargo de reitor me faz refletir isso, porque eu sei de onde vim, como se diz, o chão de fábrica, um filho de um produtor rural que, graças ao processo educacional, chega ao maior posto da sua casa.”

Ao tratar das prioridades para os primeiros cem dias de gestão, Josimar antecipou medidas voltadas à reestruturação de serviços e ao diálogo com a comunidade. O primeiro ato administrativo a ser submetido ao Conselho Universitário (Consu) será a revogação das reuniões virtuais, garantindo o retorno das sessões presenciais dos colegiados.

O plano de ação inicial também inclui a retomada dos serviços de xerox para alunos e docentes, o estudo para implantação de reconhecimento facial nas catracas do Restaurante Universitário e o foco na conclusão de obras pendentes, como a passarela da Medicina Veterinária e as instalações do Colégio de Aplicação.

Outro tema abordado foi o compromisso com a inclusão e a equidade. O gestor anunciou que proporá ao Consu a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, estrutura planejada para centralizar e fortalecer as políticas voltadas aos estudantes indígenas, ao Núcleo de Apoio à Inclusão e aos observatórios sociais da instituição.

Por fim, o fortalecimento da comunicação pública foi apontado como peça-chave para romper os muros da academia e levar o conhecimento científico diretamente à sociedade.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS