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CORONAVÍRUS

O lento progresso da Itália no combate ao coronavírus é um alerta para o Ocidente

The Wall Street Journal, via Acre.com.br

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O crescimento de novas infecções na Itália está desacelerando, mas o progresso é lento, provocando temores de que o bloqueio mais draconiano do Ocidente acabe falhando em acabar com o vírus completamente.

Foto de capa: Um edifício temporário de emergência, criado para aliviar a pressão sobre o sistema de saúde de um hospital em Brescia, em 16 de março. FOTO: FRANCESCA VOLPI PARA O WALL STREET JOURNAL.

Médicos em Brescia, uma cidade no norte da Itália, no centro da pandemia de coronavírus do país, viram vislumbres de esperança em sua batalha contra a doença nos últimos dias.

O vírus matou cerca de 1.000 pessoas no local e o número de infectados internados em seu grande hospital está começando a cair, diminuindo de metade para 50 por dia, sugerindo que o extremo bloqueio imposto à população poderia estar funcionando.

Mas as autoridades locais acreditam que o número real de pessoas infectadas pelo vírus é talvez seis vezes o número oficial de 7.000. E eles estão dando novos passos: os que recebem alta do hospital, mas continuam positivos para o vírus, são enviados para instalações temporárias de quarentena por duas semanas antes de voltar para casa, uma medida que está sendo introduzida gradualmente em outras partes do país.

Mais de duas semanas depois que a Itália decretou uma quarentena nacional que continua sendo a mais drástica no Ocidente – as pessoas são proibidas de deixar suas casas – o crescimento de novas infecções está diminuindo para aumentos de um dígito a cada dia, em média, mais que uma semana atrás.

A equipe médica faz check-in na unidade de terapia intensiva dedicada a pacientes Covid-19, Hospital Poliambulanza em Brescia, Itália, 26 de março.

FOTO: FRANCESCA VOLPI PARA O WALL STREET JOURNAL

No entanto, o progresso é desigual e lento, com outras 712 pessoas morrendo na quinta-feira, elevando o total na Itália a 8.215 mortos da doença, a maior parte do mundo.

Pouco mais de 80.000 pessoas na Itália testaram positivo para o vírus até agora. Mas o chefe dos serviços de emergência da Itália disse que até 650.000 italianos podem ter sido infectados, muitos deles assintomáticos, o que significa que mesmo medidas mais rigorosas de quarentena podem não impedir a propagação.

A experiência do país – que serviu de modelo para os bloqueios em grande parte do Ocidente e que seguiu várias semanas de quarentenas mais limitadas no norte do país – mostra que essas medidas são muito lentas para produzir resultados e podem, no final das contas, não acabar com o vírus completamente.

Isso é instrutivo para outros países que precisam decidir o quão difícil reprimir suas populações e como calcular o dano econômico resultante. No momento, os EUA têm uma colcha de retalhos de políticas, enquanto a maior parte da Europa está sob algum tipo de bloqueio.

“As restrições tiveram um grande impacto. É a única coisa que nos permitiu sobreviver ”, disse Alessandro Triboldi, chefe do Hospital Brescia Poliambulanza.

“Mas precisamos entender que estamos nisso a longo prazo”, acrescentou. “Na China, foram necessários dois meses de fechamento completo para chegar a zero contágio. O que foi feito aqui até agora ajudou a salvar (a região norte da) Lombardia, mas ainda não acabou. ” A província chinesa de Zhejiang registrou uma nova infecção doméstica em 26 de março.

Um edifício temporário de emergência, criado para aliviar a pressão sobre o sistema de saúde de um hospital em Brescia, em 16 de março.

FOTO: FRANCESCA VOLPI PARA O WALL STREET JOURNAL

A Itália adotou suas primeiras medidas de bloqueio em 22 de fevereiro, colocando em quarentena 11 cidades no centro dos aglomerados iniciais de infecções nas regiões norte da Lombardia e do Veneto. Mas grande parte do país continuou normalmente. Cerca de 40% dos que deixaram suas casas antes da chegada do vírus ainda o faziam regularmente antes de um recente endurecimento das regras, de acordo com dados de localização de telefones celulares citados pelas autoridades.

Em 10 de março, o governo estendeu restrições a todo o país. Os residentes só podem sair de casa para comprar comida ou remédio ou procurar atendimento médico. Os infratores enfrentam multas de até € 3.000 (US $ 3,90) ou prisão.

O bloqueio da Itália ainda não é tão rigoroso quanto o da China e o país não adotou as táticas agressivas que ajudaram a parar o vírus em Wuhan, onde se acredita que a pandemia tenha se originado.

Lá, casos leves ou suspeitos – incluindo parentes saudáveis ​​dos infectados – foram colocados em centros de quarentena improvisados ​​em hotéis e escolas. Os médicos que tratam pacientes com coronavírus foram separados de suas famílias. Por outro lado, na Itália, as pessoas com sintomas leves já foram instruídas a se auto-isolar em casa e raramente são testadas para o vírus.

ARTIGOS

Em cidade pequena tudo é pequeno, menos a língua do povo

Folha de São Paulo, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Entre boatos e fofocas, população vira fiscal de casos de coronavírus.

Interiorização da Covid-19 leva a vigilância crescente de pessoas doentes e de situações contrárias ao isolamento.

Diz o ditado que em cidade pequena tudo é pequeno, menos a língua do povo. A expressão ganha evidência em tempos do novo coronavírus, quando comportamentos outrora considerados normais, como festas, churrascos e almoços entre amigos e familiares, se tornaram ilegais ou, ao menos, moralmente reprováveis.

Pelo interior do país, a própria população se tornou fiscal das atitudes alheias: “Fulano está com Covid-19”, “Beltrano furou a quarentena” ou “Sicrano foi visto numa festa” viraram assuntos crescentes nas rodas de conversa, agora restritas às redes sociais e aplicativos de mensagens.

Com a doença se espalhando cada vez mais capilarmente por cidades pequenas, a mistura de informações verdadeiras com boatos parece destinada a crescer. Em especial em municípios onde são raros ou inexistentes os veículos de comunicação para checar os fatos e desmentir as fofocas.

Onde todo mundo se conhece, a identidade das pessoas é facilmente exposta, levando a episódios em que moradores são hostilizados pessoalmente ou nas redes sociais.

Foi o que ocorreu em Mallet, cidade de 13.630 habitantes no centro-sul do Paraná. No início de maio, quando foi registrado o primeiro caso de coronavírus no município, a identidade da pessoa contaminada, um homem de 60 anos, foi logo parar nos grupos de WhatsApp.

O homem foi acusado de ter levado a doença para a cidade após voltar de uma viagem a Minas Gerais.

Não demorou para conhecidos relatarem que o viram passeando pelo comércio local, sem máscara. A família passou a ser hostilizada depois de reunir pessoas para o aniversário do filho, ainda quando o morador não apresentava sintomas da doença.

A mulher do idoso afirmou que pessoas começaram a fiscalizar o isolamento da família. Com a comoção, ela se viu forçada a prestar esclarecimentos publicamente.

“A partir do momento em que o resultado deu positivo, por ser um local pequeno, divulgaram nosso endereço e informações da nossa família, diferente de outras cidades em que pessoas que tiveram casos confirmados tiveram dados preservados”, reclamou a mulher em entrevista a uma rádio local.

Não foi muito diferente do que ocorreu em Prudentópolis. Na cidade de 52.241 habitantes, também no centro-sul do Paraná, uma lista com os nomes de 150 convidados de uma festa clandestina realizada no sábado anterior ao Dia das Mães viralizou em mensagens.

Dias depois de participar da balada, uma jovem fez um exame em um laboratório particular e o laudo foi positivo para a Covid-19. Nas redes sociais espalhou-se a informação de que ela teria se infectado em Curitiba e levado a doença para o interior. Rapidamente, ela virou alvo de ataques e chacota dos moradores e teve que usar uma mídia social para se defender.

“As pessoas estão falando que eu levei o vírus de Curitiba para Prudentópolis, só que eu estava em Prudentópolis há um mês e meio. Eu cheguei em Curitiba segunda-feira [11] e fiz o exame quarta-feira [13]. Fui fazer os meus exames de rotina e aproveitei para fazer o exame do coronavírus. Não esperava por isso”, lamentou.

A publicação expôs ainda mais a história, mas permitiu que pessoas que tiveram contato com a jovem tomassem as devidas precauções sanitárias. Além disso, a prefeitura teve que agir, determinando o isolamento domiciliar por 14 dias para 94 moradores, que estão sendo monitorados pelas equipes de saúde. O município proibiu qualquer evento com mais de dez pessoas.

A jovem fez novo exame em um laboratório credenciado, na sexta-feira (22), e essa contraprova deu resultado negativo para a Covid-19.

Imagens de uma festa regada a bebidas alcoólicas também acabaram nas redes sociais e levaram a uma ação do Ministério Público contra um enfermeiro em Wenceslau Braz, cidade de 19.414 habitantes no norte do Paraná.

O homem, servidor do município, teve contato com uma pessoa infectada pelo novo coronavírus e recebeu notificação de isolamento domiciliar como medida preventiva.

Ele, porém, descumpriu a medida para participar da festa na casa de uma amiga. Por determinação da Justiça, ele deve manter o isolamento até o dia 24 de maio sob pena de multa de R$ 5.000.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade de 47.673 habitantes no interior de São Paulo, informações falsas sobre o estado de saúde de uma mulher internada no hospital da cidade com sintomas do novo coronavírus circularam no WhatsApp. Um áudio anônimo dava conta que ela ia morrer, mas tudo não passava de um boato.

A mulher, que é médica, realmente recebeu diagnóstico de Covid-19 na metade de março, após voltar dos Estados Unidos com o marido, também médico, mas seu quadro não era grave. Assim que se recuperou da doença, ela gravou um áudio para desmentir as fofocas.

Apesar de reconhecer que o caso tomou uma proporção não justificada, o secretário de comunicação local, Cláudio Antonioli, avaliou como “interessante a participação da população” em fiscalizar. “Mas aqui é mais denúncia de aglomeração, de comércio aberto. Isso o pessoal tem denunciado mais do que as próprias pessoas com o vírus”, contou.

Na sutil linha que divide privacidade e interesse público, o Ministério Público Federal do Acre se manifestou a favor da exposição em redes sociais de pessoas que promovem festas, reuniões e descumprem isolamento social.

O ato de denunciar ou expor pessoas “é protegido pelo dever republicano inerente a todos os cidadãos e pelo direito à liberdade de expressão”, afirmou o procurador Lucas Costa Almeida Dias. Por Katna Baran.

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Acrelândia

Bebê de 6 meses chega em hospital no AC com febre e é internado após exame confirmar Covid-19

G1, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Médico diz que criança também tinha dificuldade em respirar e diarreia. Nesta sexta-feira (29), criança apresentou melhoras, segundo o hospital.

Capa: Ao chegar com febre e dificuldade de respirar em hospital no AC, bebê de 6 meses é internado com Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal. 

A Unidade Mista de Saúde de Acrelândia registrou, nesta quinta-feira (28), a internação de um bebê de 6 meses que testou positivo para Covid-19. O diretor clínico do hospital, o médico Rafael Lemos, contou que a criança estava com febre, dificuldade de respirar, sem apetite e ainda com diarreia.

É um menino de 6 meses, que testou positivo para Covid-19 no teste rápido. Fizemos na mãe também, que deu negativo. Investigamos, mas, infelizmente, não conseguimos identificar o laço dessa infecção”, disse.

Um dia após ter dado entrada no hospital, a criança já apresenta melhoras, segundo o médico.

A criança chegou com febre, tosse, desconforto respiratório, falta de apetite, anemia e diarreia. Suspeitamos do caso e fizemos logo o teste. Mas hoje [sexta, 29], a criança está melhor, mamando e o padrão respiratório também melhorou. Estamos tomando todos os cuidados e, por ser uma criança carente, tem recebido bastante doações também”, explicou.

A criança está acompanhada da mãe que tem apenas 16 anos. Com pouco mais de 150 casos positivos e um óbito, Acrelândia é o município com a maior taxa da doença proporcionalmente.

Além da unidade mista de atendimento, as unidades de saúde da família também estão atendendo os casos leves da doença e fazendo testes rápidos em quem apresentar os sintomas.

Temos visto que o teste rápido tem evoluído bastante, mas mostra a responsabilidade porque a gente vem testando de forma indiscriminada todos os pacientes. Isso permite isolar e interromper a cadeia de transmissão. Estamos tratando os pacientes nessa unidade, que falta um pouco de recurso, mas não falta amor e cuidado”, diz o diretor ao se referir sobre o atendimento na unidade mista de saúde.

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