NOSSAS REDES

CORONAVÍRUS

Putin explora o coronavírus para justificar o poder centralizado da Rússia

The Wall Street Journal, via Acre.com.br

PUBLICADO

em

Presidente elogia modelo russo, ridicularizando democracias liberais ocidentais como fracas e globalismo como frágil.

Foto de capa: Uma família perto de Moscou observou o presidente russo Vladimir Putin fazer um discurso televisionado esta semana. FOTO: YURI KOCHETKOV / SHUTTERSTOCK.

MOSCOU – A pandemia de coronavírus deu ao presidente russo Vladimir Putin uma nova oportunidade de voltar para casa, para russos preocupados, com um tema recorrente de seu longo reinado: as democracias liberais ocidentais são fracas, o globalismo é frágil e o modelo russo de centralizar o poder em um líder forte é superior em tempos de crise.

Durante grande parte da pandemia, o líder do Kremlin procurou projetar força e calma, garantindo ao povo que a disseminação do novo coronavírus está sob controle na Rússia, já que matou 14.000 e adoeceu pelo menos 247.667 em toda a Europa, onde a maioria dos países trancou suas economias.

Na quarta-feira, a Rússia seguiu o exemplo de Putin, recomendando que trabalhadores de setores não essenciais fiquem em casa na próxima semana e introduzindo um pacote de medidas para ajudar a fortalecer a economia e proteger os meios de subsistência. Na quinta-feira, as autoridades anunciaram a suspensão de todos os vôos internacionais a partir de sexta-feira.

Restrições reforçadas, que foram impostas em etapas para evitar o pânico do público, também levaram ao adiamento de uma votação nacional das propostas de emendas à constituição do país, que permitiriam que Putin voltasse ao poder após seu quarto mandato presidencial terminar em quatro anos , potencialmente prolongando seu controle de duas décadas sobre o poder até 2036.

Cartazes de conscientização sobre coronavírus em Golokhvastovo, Rússia.

FOTO: ANDREY RUDAKOV / BLOOMBERG NEWS

No entanto, supermercados, farmácias, bancos, instituições médicas e transporte permanecerão abertos. E um elaborado desfile militar em 9 de maio, marcando o 75º aniversário da derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, ainda está a caminho. É um evento importante para um presidente que habilmente despertou sentimentos patrióticos entre os russos que viram seu padrão de vida declinar nos últimos anos de seu reinado de 20 anos.

A Rússia, um país de cerca de 146 milhões de pessoas, registrou 1.036 casos e três mortes até agora. As autoridades daqui dizem que a resposta rápida da Rússia, como fechar sua fronteira de 2.600 milhas com a China imediatamente após o surto na província de Wuhan e impor rapidamente restrições a voos da Europa, ajudou a adiar uma explosão de casos. Alguns russos expressaram ceticismo em relação à veracidade da contagem nas mídias sociais.

Os países ocidentais têm relutado em usar táticas que alguns estados autoritários, como a China, empregaram para conter a disseminação do vírus – incluindo ir de porta em porta em prédios de apartamentos para registrar a temperatura corporal e uma vigilância generalizada para rastrear os contatos das pessoas infectadas.

Mas Putin elogiou as duras medidas de Pequim, que ajudaram a zerar novos casos chineses.

As autoridades de Moscou usaram câmeras de reconhecimento facial para prender aquelas que violam as quarentenas oficiais. E nesta semana o primeiro-ministro Mikhail Mishustin pediu o desenvolvimento de um sistema para rastrear pessoas que entraram em contato com alguém com coronavírus usando informações de geolocalização de operadoras de telefonia móvel.

Putin usava um traje de proteção amarelo durante uma visita ao hospital para pacientes com coronavírus em Kommunarka. FOTO: ALEXEI DRUZHININ / KREMLIN POOL / ZUMA PRESS.

A emergência global permitiu que as autoridades russas justificassem a restrição das liberdades civis, como a proibição de grandes protestos para desafiar o padrão de vida em declínio e a tentativa de Putin, de 67 anos, de permanecer no poder até os 80 anos.

Na quinta-feira, Putin disse aos membros da comunidade empresarial que as medidas restritivas que ele anunciou na quarta-feira são “forçadas e temporárias”, mas ajudariam a situação do coronavírus a melhorar em menos de dois a três meses, informou a agência de notícias oficial russa TASS.

“É uma boa desculpa para qualquer tipo dessas ações”, disse Andrei Kolesnikov, analista político em Moscou. “Agora o Kremlin terá um álibi – baixos rendimentos e baixo crescimento do PIB são uma consequência da pandemia e não da nossa fraca política econômica”. Por Ann Simmons.

ARTIGOS

Em cidade pequena tudo é pequeno, menos a língua do povo

Folha de São Paulo, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

PUBLICADO

em

Entre boatos e fofocas, população vira fiscal de casos de coronavírus.

Interiorização da Covid-19 leva a vigilância crescente de pessoas doentes e de situações contrárias ao isolamento.

Diz o ditado que em cidade pequena tudo é pequeno, menos a língua do povo. A expressão ganha evidência em tempos do novo coronavírus, quando comportamentos outrora considerados normais, como festas, churrascos e almoços entre amigos e familiares, se tornaram ilegais ou, ao menos, moralmente reprováveis.

Pelo interior do país, a própria população se tornou fiscal das atitudes alheias: “Fulano está com Covid-19”, “Beltrano furou a quarentena” ou “Sicrano foi visto numa festa” viraram assuntos crescentes nas rodas de conversa, agora restritas às redes sociais e aplicativos de mensagens.

Com a doença se espalhando cada vez mais capilarmente por cidades pequenas, a mistura de informações verdadeiras com boatos parece destinada a crescer. Em especial em municípios onde são raros ou inexistentes os veículos de comunicação para checar os fatos e desmentir as fofocas.

Onde todo mundo se conhece, a identidade das pessoas é facilmente exposta, levando a episódios em que moradores são hostilizados pessoalmente ou nas redes sociais.

Foi o que ocorreu em Mallet, cidade de 13.630 habitantes no centro-sul do Paraná. No início de maio, quando foi registrado o primeiro caso de coronavírus no município, a identidade da pessoa contaminada, um homem de 60 anos, foi logo parar nos grupos de WhatsApp.

O homem foi acusado de ter levado a doença para a cidade após voltar de uma viagem a Minas Gerais.

Não demorou para conhecidos relatarem que o viram passeando pelo comércio local, sem máscara. A família passou a ser hostilizada depois de reunir pessoas para o aniversário do filho, ainda quando o morador não apresentava sintomas da doença.

A mulher do idoso afirmou que pessoas começaram a fiscalizar o isolamento da família. Com a comoção, ela se viu forçada a prestar esclarecimentos publicamente.

“A partir do momento em que o resultado deu positivo, por ser um local pequeno, divulgaram nosso endereço e informações da nossa família, diferente de outras cidades em que pessoas que tiveram casos confirmados tiveram dados preservados”, reclamou a mulher em entrevista a uma rádio local.

Não foi muito diferente do que ocorreu em Prudentópolis. Na cidade de 52.241 habitantes, também no centro-sul do Paraná, uma lista com os nomes de 150 convidados de uma festa clandestina realizada no sábado anterior ao Dia das Mães viralizou em mensagens.

Dias depois de participar da balada, uma jovem fez um exame em um laboratório particular e o laudo foi positivo para a Covid-19. Nas redes sociais espalhou-se a informação de que ela teria se infectado em Curitiba e levado a doença para o interior. Rapidamente, ela virou alvo de ataques e chacota dos moradores e teve que usar uma mídia social para se defender.

“As pessoas estão falando que eu levei o vírus de Curitiba para Prudentópolis, só que eu estava em Prudentópolis há um mês e meio. Eu cheguei em Curitiba segunda-feira [11] e fiz o exame quarta-feira [13]. Fui fazer os meus exames de rotina e aproveitei para fazer o exame do coronavírus. Não esperava por isso”, lamentou.

A publicação expôs ainda mais a história, mas permitiu que pessoas que tiveram contato com a jovem tomassem as devidas precauções sanitárias. Além disso, a prefeitura teve que agir, determinando o isolamento domiciliar por 14 dias para 94 moradores, que estão sendo monitorados pelas equipes de saúde. O município proibiu qualquer evento com mais de dez pessoas.

A jovem fez novo exame em um laboratório credenciado, na sexta-feira (22), e essa contraprova deu resultado negativo para a Covid-19.

Imagens de uma festa regada a bebidas alcoólicas também acabaram nas redes sociais e levaram a uma ação do Ministério Público contra um enfermeiro em Wenceslau Braz, cidade de 19.414 habitantes no norte do Paraná.

O homem, servidor do município, teve contato com uma pessoa infectada pelo novo coronavírus e recebeu notificação de isolamento domiciliar como medida preventiva.

Ele, porém, descumpriu a medida para participar da festa na casa de uma amiga. Por determinação da Justiça, ele deve manter o isolamento até o dia 24 de maio sob pena de multa de R$ 5.000.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade de 47.673 habitantes no interior de São Paulo, informações falsas sobre o estado de saúde de uma mulher internada no hospital da cidade com sintomas do novo coronavírus circularam no WhatsApp. Um áudio anônimo dava conta que ela ia morrer, mas tudo não passava de um boato.

A mulher, que é médica, realmente recebeu diagnóstico de Covid-19 na metade de março, após voltar dos Estados Unidos com o marido, também médico, mas seu quadro não era grave. Assim que se recuperou da doença, ela gravou um áudio para desmentir as fofocas.

Apesar de reconhecer que o caso tomou uma proporção não justificada, o secretário de comunicação local, Cláudio Antonioli, avaliou como “interessante a participação da população” em fiscalizar. “Mas aqui é mais denúncia de aglomeração, de comércio aberto. Isso o pessoal tem denunciado mais do que as próprias pessoas com o vírus”, contou.

Na sutil linha que divide privacidade e interesse público, o Ministério Público Federal do Acre se manifestou a favor da exposição em redes sociais de pessoas que promovem festas, reuniões e descumprem isolamento social.

O ato de denunciar ou expor pessoas “é protegido pelo dever republicano inerente a todos os cidadãos e pelo direito à liberdade de expressão”, afirmou o procurador Lucas Costa Almeida Dias. Por Katna Baran.

Continue lendo

Acrelândia

Bebê de 6 meses chega em hospital no AC com febre e é internado após exame confirmar Covid-19

G1, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

PUBLICADO

em

Médico diz que criança também tinha dificuldade em respirar e diarreia. Nesta sexta-feira (29), criança apresentou melhoras, segundo o hospital.

Capa: Ao chegar com febre e dificuldade de respirar em hospital no AC, bebê de 6 meses é internado com Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal. 

A Unidade Mista de Saúde de Acrelândia registrou, nesta quinta-feira (28), a internação de um bebê de 6 meses que testou positivo para Covid-19. O diretor clínico do hospital, o médico Rafael Lemos, contou que a criança estava com febre, dificuldade de respirar, sem apetite e ainda com diarreia.

É um menino de 6 meses, que testou positivo para Covid-19 no teste rápido. Fizemos na mãe também, que deu negativo. Investigamos, mas, infelizmente, não conseguimos identificar o laço dessa infecção”, disse.

Um dia após ter dado entrada no hospital, a criança já apresenta melhoras, segundo o médico.

A criança chegou com febre, tosse, desconforto respiratório, falta de apetite, anemia e diarreia. Suspeitamos do caso e fizemos logo o teste. Mas hoje [sexta, 29], a criança está melhor, mamando e o padrão respiratório também melhorou. Estamos tomando todos os cuidados e, por ser uma criança carente, tem recebido bastante doações também”, explicou.

A criança está acompanhada da mãe que tem apenas 16 anos. Com pouco mais de 150 casos positivos e um óbito, Acrelândia é o município com a maior taxa da doença proporcionalmente.

Além da unidade mista de atendimento, as unidades de saúde da família também estão atendendo os casos leves da doença e fazendo testes rápidos em quem apresentar os sintomas.

Temos visto que o teste rápido tem evoluído bastante, mas mostra a responsabilidade porque a gente vem testando de forma indiscriminada todos os pacientes. Isso permite isolar e interromper a cadeia de transmissão. Estamos tratando os pacientes nessa unidade, que falta um pouco de recurso, mas não falta amor e cuidado”, diz o diretor ao se referir sobre o atendimento na unidade mista de saúde.

Continue lendo

TOP MAIS LIDAS

Grupos de notícias