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O papa está certo sobre Israel e Gaza. Isto é crueldade, não guerra | Opiniões

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O Papa Francisco é uma figura paradoxal.

Apesar de liderar uma igreja com uma longa e flagrante história de ser sinónimo de conflitos, injustiças e abusos, o velho e enfermo jesuíta argentino parece-me, no fundo, um modesto clérigo que abomina o sofrimento e a miséria humanos.

Tal como você e eu, o papa pode ver o que Israel tem feito com uma ferocidade tão implacável aos palestinos sitiados há mais de um ano nos remanescentes áridos e distópicos de Gaza e da Cisjordânia ocupada.

Acredito que Francisco compreende que testemunhar o sofrimento humano e a miséria numa escala quase incompreensível requer uma resposta, que o silêncio sob as terríveis circunstâncias prevalecentes significa, no mínimo, uma aceitação alegre e, na pior das hipóteses, uma cumplicidade consciente.

Portanto, para seu crédito, o pontífice disse o que precisava ser dito.

O papa abandonou, com efeito, a neutralidade em favor de uma honestidade crua e revigorante para declarar – com linguagem sincera – a sua simpatia e solidariedade para com os milhões de vítimas palestinianas da implacável luxúria assassina de Israel.

Estou convencido de que Francisco será lembrado por ter assumido uma posição honrosa no momento certo e pelas razões certas, enquanto tantos outros “líderes” na Europa e fora dela armaram um regime de apartheid com as armas e cobertura diplomática para arquitetar um século XXI ainda em curso. genocídio do século.

Francisco também será lembrado por rejeitar os esforços para intimidá-lo ou intimidá-lo para qualificar ou retratar declarações feitas “do coração” de que Israel é culpado de “crueldade”, enquanto reduz metodicamente grande parte de Gaza e da Cisjordânia ao pó. e memória.

Em vez disso, apoiado pela verdade e por um sentido de justiça adequado, o pontífice recusou-se a recuar ou a “suavizar” as suas observações.

O desafio do Papa não é apenas uma prova admirável, mas também tangível de que ele não pretende abandonar os palestinianos. Muitos charlatões os abandonaram, alegando, de forma pouco convincente, estar chocados com o número de inocentes mortos e a maneira horrível como foram mortos.

O que disseram e fizeram o Papa Francisco e o Vaticano para atrair a ira apoplética do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e da legião de apologistas do acusado de criminoso de guerra, no país e no estrangeiro?

A apoplexia de Israel começou para valer em Fevereiro. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, denunciado A chamada campanha militar de Israel é desproporcional dado o número de palestinos mortos repentinamente sob bombardeios constantes ou lentamente devido à fome e doenças.

“O direito de Israel à autodefesa deve ser proporcional e, com 30 mil mortos, certamente não o é”, disse Parolin na altura.

A resposta de Israel foi tão rápida quanto previsível. Diplomatas agitados vinculados à embaixada de Israel na Santa Sé emitiram uma missiva qualificando os comentários de Parolin de “deploráveis”.

Sim, eu concordo. A verdade às vezes pode ser “deplorável”. No entanto, continua a ser a verdade.

Desde então, é claro, o número “deplorável” de vítimas palestinianas aumentou, com mais de 45 mil mortos – a maioria crianças e mulheres – e outros 108 mil feridos, muitas vezes de forma grave.

Entretanto, dezenas de palestinianos têm suportado marchas forçadas de e para “zonas seguras” fantasmas em Gaza, onde são bombardeados enquanto procuram refúgio inútil em “casas” improvisadas no meio dos escombros ou congelar até a morte em tendas frágeis engolfadas pela chuva e pela lama.

Depois, em excertos de livros publicados pelo diário italiano La Stampa no final de Novembro, o pontífice argumentou que vários especialistas internacionais descobriram que “o que está a acontecer em Gaza tem as características de um genocídio”.

“Devemos investigar cuidadosamente para avaliar se isto se enquadra na definição técnica (de genocídio) formulada por juristas e organizações internacionais”, disse o papa.

Mais uma vez, as autoridades israelitas reagiram furiosamente, insistindo que as observações do pontífice eram “infundadas” e representavam uma “banalização” do termo “genocídio”.

A resposta hiperbólica foi curiosa desde que o Tribunal Internacional de Justiça em Haia governou quase por unanimidade, em Janeiro, que a África do Sul apresentou um caso plausível, demonstrando que Israel demonstrou a intenção de executar o genocídio.

Como resultado, o tribunal foi obrigado, pelo direito internacional, a proceder a uma audiência completa e, em última análise, a tomar uma decisão sobre a questão colocada pelo papa: Será Israel culpado pelo crime de genocídio em Gaza?

Anistia Internacional entregue o seu veredicto no início de Dezembro, concluindo “que Israel cometeu e continua a cometer genocídio contra os palestinianos na Faixa de Gaza ocupada”.

Agnes Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, disse que a “intenção específica” de Israel era “destruir os palestinianos em Gaza”.

“Mês após mês, Israel tem tratado os palestinianos em Gaza como um grupo subumano indigno dos direitos humanos e da dignidade, demonstrando a sua intenção de destruí-los fisicamente”, acrescentou.

Seguindo uma pista fidedigna, Israel e os seus representantes rejeitaram a Amnistia Internacional como um ninho de anti-semitas, numa tentativa pedestre de desacreditar as suas conclusões contundentes.

É muito mais difícil criticar o líder espiritual de 1,4 mil milhões de católicos com o mesmo canard cansado depois de ele o acusar de “crueldade”.

No seu discurso de Natal, Francisco condenado o assassinato de crianças num ataque aéreo israelense um dia antes.

“Ontem, crianças foram bombardeadas. Isso é crueldade. Isto não é guerra. Queria dizer isto porque toca o coração”, disse o pontífice.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel convocado o embaixador do Vaticano para uma dura conversa para transmitir, supostamente, a sua “profunda insatisfação” com os comentários contundentes do papa.

Segundo relatos da mídia israelense, a reunião não constituiu uma “repreensão formal”. Tenho certeza de que o Vaticano ficou aliviado.

O que considero instrutivo é que o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita expressou a sua “profunda insatisfação” com o uso justificável por parte do pontífice de uma palavra de três sílabas e não com o facto de as suas forças saqueadoras terem matado 45.541 palestinianos e a contar em pouco mais de 14 meses.

De qualquer forma, penso que o papa mostrou uma notável contenção. Ele poderia ter descrito a dor, a perda e a angústia que Israel causou em Gaza e na Cisjordânia ocupada – sem um momento de arrependimento ou remorso – como obscena, abominável ou antitética à decência e à humanidade, e muito menos às regras da “guerra”.

Suspeito que a “crueldade” atingiu o alvo sensível porque é um reflexo pungente da conclusão da Amnistia Internacional de que a intenção global de Israel é arquitetar a destruição em massa de Gaza e das almas desesperadas que de facto considera “subumanas”.

A “crueldade” de Israel é deliberada. Não é um “erro” ou o lamentável subproduto dos caprichos inesperados da “loucura” da guerra.

A crueldade é uma escolha.

O dividendo tácito dessa escolha é que o perpetrador obtém uma medida inebriante de satisfação, se não de prazer, ao exercer a sua vingança desinibida sobre um povo em grande parte indefeso.

Essa é a essência da crueldade.

O Papa Francisco não disse isso, mas poderia muito bem ter dito.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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