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O que está acontecendo nos debates africanos sobre a solidariedade com Gaza é descabido | Conflito Israel-Palestina

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Em agosto de 2023, assumi o cargo de diretor do Centro de Estudos Africanos (CAS) da Universidade da Cidade do Cabo. Um dos compromissos importantes que herdei foi que o CAS acolheria a reunião inaugural de lançamento da Associação Africana de Humanidades em Dezembro desse ano.

Este foi um desenvolvimento significativo, baseado no legado da formação do Conselho para o Desenvolvimento da Investigação em Ciências Sociais em África (CODESRIA) em 1973, e nas décadas seguintes, algumas outras instituições académicas e académicas pan-africanas comprometeram-se a intervir no reconhecimento global do trabalho que os académicos africanos baseados no continente estão a realizar.

Quando chegámos à reunião de lançamento, em Dezembro, o mundo estava preocupado com as consequências do ataque do Hamas em 7 de Outubro. Além do já alarmante número de mortos resultante dos incansáveis ​​bombardeamentos de Israel, já tínhamos visto e lido relatos da destruição de instituições educativas e do assassinato de reitores e académicos universitários na Faixa de Gaza.

Antes do evento, um membro sénior do novo comité organizador da Associação Africana de Humanidades abordou vários colegas com a proposta de apresentar uma moção de solidariedade com os académicos em Gaza que condenasse a escala de assassinatos e destruição.

No entanto, a proposta nunca foi além da discussão na comissão executiva, uma vez que foram levantadas objecções. Em vez disso, o académico que propôs a moção leu uma declaração a título pessoal durante a sessão plenária e na discussão que se seguiu, tornou-se claro que não haveria apoio maioritário a uma declaração de solidariedade da assembleia.

Em vez disso, foi oferecido outro compromisso: a declaração do colega que interveio seria colocada no site da associação e qualquer pessoa que quisesse assiná-la poderia fazê-lo.

Para vários académicos, incluindo o renomado intelectual tanzaniano Issa Shivji, esta foi uma decisão preocupante por parte da associação. O próprio Shivji proferiu um dos discursos principais e recordou os fortes impulsos descolonizadores e anti-imperiais que motivaram a sua geração a responder positivamente à iniciativa do economista egípcio radical Samir Amin no início da década de 1970 para formar o que viria a ser o CODESRIA. Amin e outros viram a necessidade de os africanos escreverem os seus próprios relatos sobre África como parte dos esforços pós-coloniais para descolonizar sociedades muitas vezes limitadas por dependências neocoloniais.

Mas voltando ao plenário da Associação Africana de Humanidades, quais foram as razões das objecções? Esta é a minha preocupação aqui.

Para ser claro, as objecções articuladas não foram expressas em termos de apoio a Israel. Alguns académicos africanos individuais podem ter uma solidariedade com Israel motivada pelo cristianismo-sionismo, mas isso não foi articulado em voz alta.

Em vez disso, houve duas objeções expressas com mais veemência. A primeira era que se tratava de uma questão que causava divisão e que uma declaração enfraqueceria os esforços para construir coerência e consenso numa associação incipiente e, portanto, não deveria ser discutida.

A segunda objecção, mais fortemente expressa, era uma preocupação do tipo “e daí”: porquê concentrar-se em Gaza quando há uma série de conflitos preocupantes em África que requerem atenção, desde os conflitos de longa data no leste da República Democrática do Congo (RDC) até aos sul dos Camarões, Sudão e, mais recentemente, à Etiópia e ao norte de Moçambique?

A emissão de uma declaração sobre Gaza não foi uma continuação de um antigo tropo racializado para simplesmente subestimar a morte e a destruição em alguns países africanos? Porque é que os académicos que fizeram campanha por declarações de solidariedade com Gaza não exerceram a mesma energia e vigor em relação a outros africanos e aos nossos conflitos?

Estas eram preocupações legítimas que apontavam correctamente para uma desumanização secular da vida africana e para as suas ressonâncias contemporâneas, mesmo entre os africanos, relativamente a outros africanos.

Dado que uma associação como a Associação Africana de Humanidades foi formada precisamente para desafiar a invisibilização das vozes africanas, era natural que os apelos à solidariedade com Gaza levantassem estas questões. Também foram levantadas noutros locais e contextos entre académicos e activistas africanos.

Como resultado, observei, alguns eventos de solidariedade em Gaza na África do Sul começaram a reflectir a sensibilidade a estas críticas, escolhendo slogans mais “inclusivos”. Um banner de evento que vi dizia “Congo Livre, Sudão Livre, Palestina Livre”. Outro evento declarado “Em solidariedade com Gaza e Congo”.

Embora seja louvável reagir a críticas motivadas por uma preocupação legítima, a minha preocupação com este tipo de respostas é que elas utilizem uma combinação problemática. Os conflitos em Gaza, no Sudão e na RDC, por exemplo, partilham uma característica óbvia: o assassinato em massa de civis. Mas diferem fundamentalmente em termos da natureza dos problemas que levam à perda de vidas e, portanto, exigem respostas diferentes.

Os palestinianos estão a perder as suas vidas porque estão envolvidos numa luta anticolonial contra um Estado ocupante colonial. Portanto, faz sentido político apelar a uma “Palestina Livre”. Por outro lado, os sudaneses e os congoleses estão a perder as suas vidas devido a situações pós-coloniais não resolvidas, problemas de descolonização, problemas decorrentes de questões complexas sobre quem pertence ao Estado-nação, quem é a maioria dominante ou quem se sente uma minoria subjugada.

Neste contexto, a lógica de apelar a uma “Palestina Livre” e a um “Sudão Livre e um Congo Livre” como exigências políticas proporcionais que nomeiam o mesmo tipo de luta ou causa não é inteiramente útil para resolver o conflito no Sudão e na RDC em a presente conjuntura.

O anticolonialismo envolve uma luta contra uma potência ou grupo colonizador e ocupante. A descolonização pós-colonial é menos uma luta contra um grupo ocupante estrangeiro e mais uma luta que se desenrola quando o grupo ocupante cede a soberania aos povos colonizados.

O trabalho de descolonização começa quando o colonizador sai fisicamente, quando a resistência anticolonial se torna o projecto para criar a liberdade pós-colonial. Isto significa abordar os legados coloniais na economia, nas ideias de uma sociedade, na vida política e institucional da comunidade e na concepção de cidadania.

Se confundirmos a solidariedade com os palestinianos na sua luta anticolonial com conflitos que deveriam ter mais atenção e urgência no continente africano, como o Sudão e a RDC sob a forma de que tal, acabamos por oferecer uma resposta problemática a uma questão legítima.

A solidariedade dos africanos com os palestinianos baseia-se não apenas na preocupação com as violações dos direitos humanos, mas também numa solidariedade anticolonial. Isto está resumido na injunção de Nelson Mandela de que, como sul-africanos que derrotaram o apartheid como forma de colonialismo, “não seremos livres até que os palestinianos sejam livres”.

A questão que devemos colocar a nós próprios, como africanos, é: quando dizemos que somos solidários com os palestinianos, mas também deveríamos ser solidários, por exemplo, com os congoleses, não estaremos a perpetuar uma problemática falta de compreensão e atenção aos conflitos em África, enquadrando nosso apelo à ação como uma necessidade de sermos “solidários com”? Se a solidariedade implica apoiar, apoiar, com quem somos solidários nas linhas partidárias rebeldes e mutáveis ​​entre os africanos nestes conflitos?

É necessário tornar visível a perda de vidas africanas como parte dos esforços para humanizar e aumentar a visibilidade dos desafios africanos como desafios globais. No entanto, esse esforço para abordar a invisibilização dos conflitos africanos como resultado da desumanização histórica dos africanos não é necessariamente abordado pela acção de ser “solidário” com um conflito específico ou outro no continente.

Como académicos africanos, deveríamos ser particularmente sensíveis a este desafio, uma vez que este é frequentemente o momento em que os conflitos africanos são alvo de caricatura por parte de estranhos. Muitas vezes são achatados em categorias simplistas e universalizadas de quadros de direitos humanos, como uma questão de bem e mal, maus líderes versus civis vitimizados, e assim por diante.

Lembra-se da época em que houve uma pressão inebriante para apoiar um “Darfur Livre” ou um “Sudão do Sul Livre”? Agora, ao testemunharmos o desmoronamento do Sudão do Sul, a lição é: tenha cuidado com o que deseja.

Hoje, se quisermos ser “solidários” com a RDC, assumindo que isto se refere ao conflito de longa data no Kivu, seria mais significativo se isso implicasse que estamos a encorajar mais pessoas a fazerem um esforço para compreender as complexidades dos dois países. Kivus, o legado histórico das reivindicações de cidadania e as histórias regionais e artérias globais que atravessam o coração do conflito, incluindo as guerras civis no Ruanda e a deslocação de um grande número de pessoas para além das fronteiras congolesas. Esta continuidade colocou vários grupos uns contra os outros com base em reivindicações de pertença e de cidadania e reconvenções de território.

Se Gaza exige a nossa solidariedade anticolonial, conflitos como os da RDC poderão exigir esforços mais rigorosos da nossa parte para compreender melhor o problema, vozes mais vociferantes para se levantarem e mobilizarem a acção política; e um impulso académico para descolonizar as soluções para que possam surgir diferentes formas de comunidade política.

Podemos ser solidários com os palestinianos, como um acto de solidariedade anticolonial de um povo sujeito a décadas de deslocamento e governo colonial de colonos, impulsionado por essa história partilhada de colonização. E podemos desafiar a invisibilização dos conflitos africanos e a perda de vidas em África, que exigem a humanização da vida africana através de mais estudo, investigação rigorosa e sensível, e da compreensão e reflexão sobre como podemos concretizar os objectivos emancipatórios, na sua maioria falhados, das gerações anticoloniais. que chegou ao poder nas décadas de 1950 e 1960.

Do nosso ponto de vista actual sobre a história, estamos em melhor posição para concordar com Frantz Fanon que os movimentos anticoloniais muitas vezes não “ousaram inventar” o futuro descolonizando totalmente as sociedades. Existem legados do colonialismo que continuam a moldar as instituições políticas e entendimentos de cidadania e pertença que perpetuam os conflitos nas sociedades pós-coloniais.

O que deveríamos evitar é transformar a nossa preocupação legítima com a invisibilização dos conflitos africanos pós-coloniais, resultado da desumanização da vida africana em geral, num cálculo concorrente que determine com quem expressamos solidariedade.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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