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O que leva Han Kang, ganhador do Prêmio Nobel, a escrever – DW – 10/12/2024
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Ao lado dos laureados do Prêmio Nobel em Física, Química, Fisiologia ou Medicina e Ciências Econômicas, Sul-coreano a autora Han Kang receberá seu prêmio em uma cerimônia realizada no Stockholm Concert Hall, na Suécia, em 10 de dezembro – aniversário da morte de Alfred Nobel.
Ela fez sua palestra sobre o Prêmio Nobel antes da cerimônia, em 7 de dezembro.
Em sua palestra intitulada “Luz e Fio”, a autora revisita os impulsos que nortearam sua trajetória literária. Voltando a um livro de poemas que escreveu aos 8 anos, ela vê uma forte continuidade entre sua paixão inicial pelas palavras e seu trabalho atual: “Onde está o amor? Está dentro do meu peito batendo forte. O que é o amor? É é o fio de ouro que conecta nossos corações”, diz seu poema.
Ela então ressalta que ao longo de seu trabalho, que inclui “The Vegetarian” ou “Human Acts”, ela explora a questão de por que os humanos são tão violentos e o que significa “pertencer à espécie chamada humana”.
“Por que o mundo é tão violento e doloroso? E ainda assim, como pode o mundo ser tão bonito?” são duas questões centrais em sua escrita, diz ela.
Foi a poderosa exploração dessas questões por Han Kang que levou a Academia Sueca a reconhecer a autora com o maior prêmio mundial da literatura, destacando sua “intensa prosa poética que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana”.
Dos poemas à prosa
Han Kang, de 53 anos, tem formação literária, sendo seu pai um romancista conceituado. Iniciou sua carreira em 1993 com a publicação de diversos poemas na revista Literatura e Sociedadeenquanto sua estreia em prosa ocorreu em 1995 com a coleção de contos “Love of Yeosu”.
Mais tarde, ela começou a escrever obras mais longas em prosa e teve seu grande avanço internacional com “The Vegetarian”. Publicado pela primeira vez em coreano em 2007, o romance foi traduzido para o inglês em 2015 e ganhou o Prêmio Internacional Man Booker um ano depois.
Conta a história de Yeong-hye, uma dona de casa que, um dia, decide parar de comer carne após ter uma série de sonhos com imagens de abate de animais. Sua decisão de não comer carne gerou reações diversas; eventualmente a distancia de sua família e da sociedade e, em última análise, a faz cair em uma condição semelhante à psicose.
“Human Acts” (2014) conta as histórias dos sobreviventes e vítimas da Revolta de Gwangju de 1980 na Coreia do Sul. Tendo crescido em Gwangju, o livro de Han Kang capturou o evento em que centenas de estudantes e civis desarmados foram assassinados durante um massacre perpetrado pelos militares sul-coreanos.
A Academia Sueca afirmou: “Ao procurar dar voz às vítimas da história, o livro confronta este episódio com uma atualização brutal e, ao fazê-lo, aproxima-se do género da literatura testemunhal”. Alguns críticos citaram este como o melhor romance de Han. Ganhou o Prêmio Manhae de Literatura da Coreia em 2014 e o Prêmio Malaparte da Itália em 2017.
Em “O Livro Branco” (2016), a narradora anônima da história muda-se para uma cidade europeia, onde é assombrada pela história de sua irmã mais velha, que morreu apenas duas horas após o nascimento. Este livro sobre luto, renascimento e a tenacidade do espírito humano foi selecionado para o Prêmio Internacional Man Booker em 2018.
Na sua citação, a Academia Sueca elogiou o trabalho de Han pela sua “consciência única das ligações entre corpo e alma, os vivos e os mortos”. Através de seu “estilo poético e experimental”, disse a academia, Han “tornou-se uma inovadora na prosa contemporânea”.
Prêmio Nobel de Han Kang é ‘uma surpresa’
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Representação asiática
Han Kang não é apenas a primeira sul-coreana a ganhar o prêmio, mas também a primeira mulher asiática a fazê-lo.
Com a vitória, junta-se a outros oito asiáticos que até agora ganharam o prémio. O poeta, filósofo, compositor e visionário Rabindranath Tagore (1861-1941) foi o primeiro asiático a ganhar o Prêmio Nobel de literatura em 1913.
Fundada em 1786 pelo rei sueco Gustav III, a Academia Sueca é o órgão responsável pela seleção dos ganhadores do Nobel de literatura. Composto por 18 membros – conhecidos como “De Aderton” (ou Os Dezoito) – com mandato vitalício, os membros atuais incluem ilustres escritores suecos, linguistas, estudiosos da literatura, historiadores e um jurista proeminente.
A academia tem sido criticada há muito tempo pela representação excessiva de autores europeus e norte-americanos e predominantemente brancos do sexo masculino entre os seus laureados, e foi abalada por uma Escândalo #MeToo em 2018. Dos 120 laureados, apenas 18 eram mulheres, sendo que oito delas receberam o prémio nos últimos 20 anos.
Han Kang segue Autor norueguês Jon Fosseum dramaturgo querido conhecido por seu estilo vanguardista. Autor francês Anne Ernauxque a academia elogiou por sua “coragem e acuidade crítica”, foi a vencedora de 2022; em 2021, a academia homenageou o escritor britânico nascido na Tanzânia Abdulrazak Gurnahcujo trabalho explora o exílio, o colonialismo e o racismo.
Editado por: Elizabeth Grenier
Atualização: Este artigo, escrito pela primeira vez em 10 de outubro, quando o laureado de 2024 foi anunciado, foi atualizado em 10 de dezembro para a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel.
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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli
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7 dias atrásem
16 de abril de 2026No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo.
O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:
SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.
A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.
Veja o vídeo:
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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