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O que pode impedir a ascensão do populismo na Alemanha e noutros lugares? – DW – 26/10/2024
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O populismo tem muitas faces, mas o seu padrão é sempre o mesmo. Quer venha de Donald Trump nos EUA, Narendra Modi na Índia ou de Björn Höcke e da Alemanha Alternativa para a Alemanha (AfD) trata-se sempre de supostas elites que conspiraram contra o povo.
Estas elites são então consideradas os “inimigos do povo” numa mentalidade “eles contra nós”.
E quer se trate da crise climática, do conflito ou da rápida mudança social, os movimentos populistas prometem sempre a salvação a um público incerto. Os populistas apresentam-se como líderes fortes e carismáticos que resolverão tudo. E quando as autoridades ou os tribunais vêm atrás deles, essas instituições também se tornam “inimigas do povo”.
Höcke, o presidente da secção da AfD no estado da Turíngia, no leste da Alemanha, também flertou em apresentar-se como o suposto salvador do país.
“Estou convencido de que o anseio dos alemães por uma figura histórica que mais uma vez cure as feridas da nação, supere a divisão e coloque as coisas em ordem está profundamente enraizado em nossas almas”, escreveu ele em seu livro. Nunca duas vezes no mesmo rio.
Höcke está aludindo a um vídeo de propaganda de extrema direita que o retrata como o Sacro Imperador Romano Barbarossa do século XII. De acordo com uma antiga lenda, Barbarossa, que é conhecido por fazer a paz entre os reinos germânicos e além, não está morto, apenas dormindo e acordará novamente para unir seus leais seguidores.
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Contra a igualdade e a liberdade de discriminação
A ascensão dos partidos populistas tornou-se um sério desafio para os Estados democráticos.
“O que estamos a ver é que valores centrais estão a ser postos em causa pelos populistas de direita, como a igualdade, a dignidade humana e o direito à liberdade de não ser discriminado”, disse o cientista político Hans Vorländer, professor da Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, que passou uma carreira pesquisando o populismo de direita.
“É necessário que compreendamos que os partidos populistas de direita não vão simplesmente desaparecer. Temos que aprender a lidar com eles”, disse ele. “Isso é mais difícil em Alemanha do que em outros países porque vimos como as forças podem destruir a democracia.”
Académicos e legisladores de todo o mundo soaram o alarme sobre a ameaça que o populismo representa para as sociedades democráticas. O invasão do Capitólio dos EUA em Washington pelos apoiantes de Trump em 6 de janeiro de 2021, mostrou quão justificados são estes avisos.
Também na Alemanha há provas crescentes de quão perigosa a AfD pode ser para o Estado de direito. No início de setembro, a AfD na Turíngia tornou-se o primeiro partido de extrema direita desde Segunda Guerra Mundial para ganhar o maior número de votos nas eleições estaduais alemãs. Höcke foi amplamente celebrado pelos seus apoiantes na sequência da vitória, e a AfD abriu o parlamento com tal desdém pelo resto dos legisladores que eventualmente um tribunal teve de intervir.
No entanto, apesar de toda a investigação recente e da preocupação dos meios de comunicação social, o populismo tem sido largamente autorizado a avançar sem controlo nos últimos anos. Então, o que deve ser feito a respeito?
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Investimentos para combater o populismo de direita
O Instituto Kiel para a Economia Mundial, com sede na Alemanha, apresentou uma solução interessante para a Europa: o investimento. O instituto investigou a influência do investimento público em regiões estruturalmente fracas da Europa na partidos populistas de direita. Os resultados, publicados em abril de 2024, mostraram que nas regiões que receberam apoio, a percentagem de votos nos partidos populistas de direita caiu 15-20%.
O estudo concluiu que “o financiamento regional da UE de cem euros per capita reduz a proporção de votos para partidos populistas de direita numa região média em 0,5 pontos percentuais”.
Cientistas como Vorländer também afirmam que os políticos precisam de investir muito mais na educação política se quiserem proteger, em particular, os jovens contra conteúdos populistas nas redes sociais.
Está a tornar-se mais difícil para os partidos democráticos chegar aos eleitores pela primeira vez porque estão a perder o poder de os alcançar, diz Vorländer.
“Temos que perceber que a democracia partidária está a perder estrutura e força. A democracia partidária está a transformar-se numa democracia de movimento, que é muito mais volátil”, disse ele à DW.
A lealdade aos partidos políticos já não é tão permanente como era antes. Os especialistas apelam, portanto, a que as pessoas comuns se envolvam mais na tomada de decisões políticas fora das eleições.
O sociólogo Steffen Mau, da Universidade Humboldt de Berlim, por exemplo, defendeu os chamados conselhos de cidadãos, onde pessoas com visões de mundo muito diferentes deveriam reunir-se para discutir questões políticas e encontrar soluções. Isto, acredita ele, ajudaria as pessoas a questionar ideologias extremas.
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Proibições como último recurso
A medida definitiva contra a ameaça à democracia está agora a ser debatida na Alemanha: processos judiciais para proibir a AfD. Durante anos, os tribunais, as autoridades de segurança e as organizações civis têm recolhido provas de que a festa é perigosa.
Uma proibição total do partido, no entanto, enfrenta grandes obstáculos legais. Ou o governo do Chanceler Olaf Scholz ou uma das duas câmaras do parlamento teria de solicitar oficialmente tal proibição. Esse pedido seria então analisado pelo Tribunal Constitucional da Alemanha.
Um partido só foi banido duas vezes na história do pós-guerra da Alemanha, e a última vez que isso aconteceu foi em 1956.
Mas Vorländer diz que, neste caso, a proibição é mais do que justificável.
“Os partidos democráticos devem deixar claro que estão preparados para estabelecer limites. Não devem evitar que esses limites sejam implementados pelo Tribunal Constitucional”, afirmou.
Este artigo foi escrito originalmente em alemão.
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21 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.
A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.
O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.
Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.
A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.
A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.
O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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