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O telhado de vidro do Supremo, segundo seus própri…

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O telhado de vidro do Supremo, segundo seus própri...

Laryssa Borges

Em pé de guerra com parlamentares que apoiam Jair Bolsonaro e acusam o Supremo Tribunal Federal (STF) de ativismo judicial – e mais recentemente de agilizar despropositadamente o julgamento que vai decidir se o ex-presidente virará réu pelo crime de golpe de Estado – ministros da Corte acreditam ter uma permanente fonte de desgaste que tende a virar arma política na mão de deputados e senadores de oposição. Para integrantes do STF ouvidos por VEJA sob reserva, o telhado de vidro do tribunal não é outro senão os supersalários do Judiciário.

Embora os onze juízes da Suprema Corte não tenham eles próprios vencimentos exorbitantes, partiram de integrantes do STF decisões administrativas que, na avaliação de parte do colegiado, abriram a porteira para juízes de primeira instância e desembargadores incorporassem diversos tipos de penduricalhos, transformando a Justiça em alvo fácil de críticas.

Recentemente, sob a presidência do ministro Luís Roberto Barroso, por exemplo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reafirmou a equiparação das carreiras da magistratura e do Ministério Público, permitindo que benefícios pagos a procuradores, por exemplo, sejam também pagos a juízes.

Para Barroso, a Constituição estabelece que “uma [carreira] não pode ter em relação à outra situação de inferioridade ou superioridade”. “Naturalmente, sendo a magistratura o paradigma para o Ministério Público, em termos de direitos e obrigações, juízes não podem, nem devem, ter situação desfavorável em relação a membros do MP”, resumiu ele em voto no CNJ em 2023.

A avaliação sobre o teto de vidro do Supremo ocorre em meio a pressões parlamentares para que o tribunal torne públicos os inquéritos que investigam irregularidades no uso de recursos de emendas – e atingem pelo menos 70 parlamentares – e a lobbies para que o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) leve adiante a proposta de uma CPI contra supostos abusos do Judiciário, conforme mostra a edição de VEJA que chega nesta semana às bancas e plataformas digitais.

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No cabo de guerra com o Supremo, deputados e senadores querem convencer o STF de que os ministros vivem em uma espécie de cativeiro parlamentar, no qual seriam reféns do Congresso, que, a depender dos interesses contrariados, também poderia dar andamento a projetos que limitam os poderes do tribunal, derrubem decisões individuais dos juízes ou simplesmente congelem reajustes e penduricalhos salariais do Judiciário. O diagnóstico é, de certa forma, mais torcida do que fato.

Experientes, os ministros do Supremo fizeram chegar nas últimas semanas às cúpulas da Câmara e do Senado que o tribunal se preparava para mudar mais uma vez o entendimento sobre o alcance do foro privilegiado de políticos e decidir que todos os casos serão analisados no STF, independentemente de o deputado ou senador continuar ou não no cargo nos próximos anos.

Na terça-feira, 11, a Corte confirmou a nova regra para o foro. Sob condição de anonimato, um integrante do tribunal disse que dificilmente Câmara e Senado levarão adiante as pressões por uma CPI ou por procedimentos de abuso de autoridade sabendo que os juízes alvos de hoje serão os julgadores desses mesmos políticos no futuro. “O Congresso não vai abrir uma CPI nem ela vai funcionar e nem o Supremo será o alvo, mas tudo isso funciona como um jogo de empurra”, disse esse magistrado.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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