POLÍTICA
Os ataques de Bolsonaro contra os próprios comandados
PUBLICADO
1 ano atrásem
Matheus Leitão
A nova estratégia da defesa de Jair Bolsonaro é, no mínimo, arriscada.
Para se livrar de uma possível acusação no inquérito do golpe, o ex-presidente sustenta a tese de que a tentativa de ruptura democrática beneficiaria os militares envolvidos, não ele. Em outras palavras, a defesa afirma que o golpe não seria para Bolsonaro, mas para uma junta militar.
Essa linha jurídica fragiliza a própria base que o apoiou. Ao se eximir de responsabilidade, Bolsonaro deixa seus antigos aliados — como os generais Braga Netto e Augusto Heleno — sob risco, além de aproximadamente 40 outros militares investigados por envolvimento no plano de golpe.
A divisão na direita bolsonarista se aprofunda, expondo uma ruptura na lealdade do grupo, com a clara convicção de que “Bolsonaro não carrega seus feridos” — frase que circula entre aliados do ex-presidente, segundo apurou a coluna.
É uma estratégia que pode custar caro. Como destacou o ministro Flávio Dino, trata-se de uma “democracia do piti”: quando a realidade não agrada, a resposta é a explosão de narrativas insustentáveis.
A defesa do ex-presidente aposta em dizer que todos agiram por conta própria. Mas a pergunta que fica é: até que ponto seus comandados vão aceitar serem sacrificados para salvar a pele de Bolsonaro?
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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10 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
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