NOSSAS REDES

ACRE

Os Camarões estão prontos para outro mandato Biya? – DW – 16/01/2025

PUBLICADO

em

Quando os Camarões forem às urnas, no final deste ano, o Presidente Paul Biya, de 92 anos, muito provavelmente estará novamente nas urnas pelo oitavo mandato consecutivo, tornando-o no governante mais antigo de África.

“Os membros do partido (de Biya) já redigiram uma série de moções de apoio pedindo-lhe que se candidatasse”, diz o Dr. John Akpo, um comentador político que vive nos Camarões.

“Não há dúvidas sobre a candidatura do Presidente Paul Biya para as próximas eleições”, acrescenta – apesar das preocupações generalizadas sobre a sua saúde.

92 e contando

Biya ainda não anunciou a sua candidatura, mas governa os Camarões há mais de 42 anos. Se ele concorrer e for eleito, terá 99 anos quando ocorrerem as próximas eleições em 2032 – se conseguir viver tanto tempo.

Segundo Akpo, o líder nonagenário conta até com o apoio da oposição, pelo menos pelo valor nominal.

“Aqueles na oposição que pedem o regresso do Presidente Paul Biya são partidos satélites que foram criados pelo mesmo partido no poder para combater a oposição (real)”, explica Akpo.

“Esta é a maior maldade que caiu sobre esta nação e muitos camaroneses não se orgulham disso”, disse o Dr. Akpo à DW.

Uma nação fraturada

Paul Biya é creditado por estabelecer a democracia multipartidária nos Camarões e por aprofundar os laços do país com os governos ocidentais. Mas uma guerra civil de sete anos liderada por separatistas anglófonos nas regiões sudoeste e noroeste diminuiu a prosperidade económica do país.

“Não tenho certeza se Biya teria permitido que estas crises se agravassem hoje”, disse o advogado e político da oposição Tamfu Richard, sugerindo que a idade de Biya pode ter prejudicado a sua capacidade de resolver as crises nacionais da última década.

“Ele não pode ir a essas zonas devido à sua idade”, acrescenta Richard, destacando que o presidente não tem experiência em primeira mão de como poderá realmente ser a situação no terreno.

Em vez de tentar o diálogo, o presidente reprime a oposição políticaprendendo centenas de manifestantes pacíficosincluindo Maurice Kamto, vice-campeão nas últimas eleições presidenciais de 2018, que passou nove meses na prisão sem acusações em 2019 e só foi libertado após forte pressão internacional.

Elvis Ngolle Ngolle, membro do Movimento Democrático Popular dos Camarões (CPDM), de Biya, disse à DW que o partido está a preparar-se para as eleições de 2025, sem especular se – e quando – os Camarões poderão entrar na sua era pós-Biya.

“Qualquer conversa sobre a preparação para um pós-mandato é prematura e equivale a uma análise especulativa”, disse Ngolle.

Paul Biya fotografado com sua esposa Chantel
Quando Biya se tornou líder dos Camarões, a Internet não tinha sido inventada, não havia telemóveis e Ronald Reagan estava na Casa BrancaImagem: MOHAMED ABD EL GHANY/REUTERS

Um casamento de inconveniência

O partido no poder, CPDM, depende fortemente do apoio dos seus parceiros de coligação, principalmente do Movimento Democrático para a Defesa da República (MDR), bem como de uma facção da União das Populações dos Camarões (UPC), para manter o controlo do parlamento.

Mas o apoio tanto ao MDR como ao UPC diminuiu, com o MDR a ganhar apenas um assento nas eleições parlamentares de 2020, enquanto o UPC foi impedido de concorrer.

No entanto, os dois partidos continuam a ser importantes para o governo no poder, como parte de uma coligação mais ampla com outro grupo de partidos mais pequenos, denominado G20.

O G20 surgiu em 2018 para contrariar o domínio crescente do referido candidato da oposição Kamto, líder do partido Movimento do Renascimento dos Camarões (CRM) e uma figura-chave da oposição.

Kampto foi apontado como um possível sucessor do presidente. No entanto, O filho de Biya, Franck Biya, também tem sido cada vez mais visível nos círculos políticos e acredita-se que esteja sendo preparado para substituir seu pai.

Religião vs. política

No início desta semana, houve relatos de bispos católicos que avaliaram a situação política nos Camarões durante o seu 48º seminário anual na cidade ocidental de Buea, apelando ao presidente para transferir o poder e para que o governo criasse melhores condições de vida para as pessoas – segundo às reportagens da mídia local.

A declaração dos Bispos suscitou duras críticas por parte dos círculos governamentais. Entretanto, o diretor de comunicações da Diocese de Buea, Solomon Lyonga, negou que tais declarações tenham sido feitas:

“Nenhum bispo pediu ao presidente que renunciasse”, disse Lyonga à DW. “Em vez disso, os bispos fizeram apelos ao governo para melhorar o bem-estar dos camaroneses”.

A Igreja Católica exerce influência significativa sobre a população predominantemente católica do país. Qualquer posição política assumida pela igreja poderia potencialmente influenciar a opinião pública.

“Os bispos não estão em luta com o governo, a Igreja e o Estado podem coexistir. A relação não deve ser conflituosa”, sublinhou ainda Lyonga.

Segundo Mimi Mefo, jornalista camaronês da DW, alguns bispos do país, “particularmente o arcebispo de Douala, já faziam declarações sobre a situação política” antes.

Um clima económico frágil

A situação económica dos Camarões mostrou alguns sinais de recuperação nos últimos anos, mas em 2023, o crescimento real do PIB do país abrandou para 3,3%, face aos 3,6% em 2022, segundo o Banco Mundial.

Esta desaceleração contribuiu para vários factores, incluindo o aumento da inflação interna, a consolidação fiscal e os conflitos internos.

Apesar destes desafios, registou-se uma ligeira recuperação no início de 2024, com o PIB real a crescer 3,7% em termos anuais, impulsionado pela melhoria do desempenho nos serviços e na produção agrícola orientada para a exportação.

Contudo, ao mesmo tempo, a redução da pobreza estagnou, com cerca de 23% da população a viver abaixo do limiar de pobreza extrema internacional.

Entretanto, os recentes índices de corrupção marcaram os Camarões como uma das nações mais corruptas do mundo.

Akpo acredita que “a corrupção está na medula óssea de cada ser político nos Camarões”.

“Os projetos estatais foram abandonados por projetos pessoais, os camaroneses não conseguem comer e os professores camaroneses não conseguem pagar condições básicas de vida”.

Crise anglófona coloca em risco o direito das crianças à educação

Para ver este vídeo, ative o JavaScript e considere atualizar para um navegador que suporta vídeo HTML5

Para Biya ou não para Biya? Essa é a questão

Os Camarões também enfrentam uma série de fraquezas estruturais, como infra-estruturas deficientes, conectividade limitada à Internet e forte dependência das exportações de produtos de base.

Abordar estas questões é crucial para alcançar o crescimento económico sustentável e reduzir a pobreza, concordam os analistas. Mas isso acontecerá em mais um mandato Biya?

Apesar da sua popularidade, ainda persistem dúvidas sobre a capacidade de Biya para governar o país aos 92 anos. oposição atormentado por lutas internas também não conseguiu fornecer aos camaroneses quaisquer alternativas claras.

Entretanto, a advogada e apoiante da oposição Michele Ndoki atribui a enorme longevidade de Biya como presidente a alguns camaroneses que querem que “o poder permaneça o mesmo”.

“A questão é se ele é ou não capaz de cumprir o seu dever como Presidente da República”, disse Ndoki.

“Nós (a oposição) temos dito não.”

Editado por: Sertan Sanderson



Leia Mais: Dw

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

PUBLICADO

em

I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

09 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC

Mais informações

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS