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Os desafios de pessoas com deficiência intelectual – 03/11/2024 – Equilíbrio

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Will Fyfe

“Conseguir um emprego, me apaixonar e ter minha própria casa.”

Estas foram as ambições de vida listadas por Ellie Lane, depois que o diagnóstico de câncer da mãe desencadeou uma conversa séria sobre seu futuro.

Existe um receio sobre o que vai acontecer com milhares de adultos com deficiências graves de aprendizagem quando seus pais morrerem.

Acredita-se que 75% desses adultos nunca saíram de casa, tendo vivido sempre com a família, de acordo com a instituição beneficente Mencap.

Mas um grupo de jovens amigos com deficiência está tentando “mudar o sistema” —e construir sua própria casa compartilhada para morar com cuidadores.

Na casa da mãe, na Península de Gower, no País de Gales, Ellie faz questão de mostrar seu quarto.

A decoração é toda inspirada na saga Harry Potter.

O personagem favorito da jovem de 24 anos, Draco Malfoy, aparece em lençóis, pôsteres e em recortes de papelão em tamanho real.

Ellie espera levar, em breve, esta coleção para sua própria casa.

Não faz muito tempo, a mãe dela, Jane, foi diagnosticada com câncer.

Foi o tipo de problema de saúde que motivou uma conversa séria, cujo assunto era: o que Ellie queria exatamente para sua vida?

A resposta foi simples, como Jane explicou:

“Ela tinha três ambições. A primeira delas era se apaixonar. A segunda era conseguir um trabalho que fosse remunerado. E a terceira era sair de casa.”

O uniforme de trabalho impecável de Ellie e as fotos sorridentes com o namorado mostram que ela foi bem-sucedida nas duas primeiras ambições.

A última, porém, como para tanta gente, provou ser muito mais difícil.

Ellie tem síndrome de Down e diabetes tipo um, por isso vai precisar de apoio aonde quer que vá.

Embora os adultos com deficiência de aprendizagem possam solicitar moradia às autoridades locais, as opções são limitadas, segundo Jane, uma enfermeira recém-aposentada.

Ellie não teria poder de decisão sobre para onde ir ou com quem iria morar.

De acordo com a Mencap, cerca de três quartos dos adultos com deficiências graves de aprendizagem ainda vivem na casa da família —e os pais deles muitas vezes dizem à instituição que esperam viver mais do que os filhos, por medo de onde eles possam acabar.

O diagnóstico de câncer deu a Jane um novo “foco”, e ela encontrou um grupo de famílias semelhantes nas proximidades (muitas delas de ex-colegas de escola de Ellie), que estavam querendo iniciar algo chamado cooperativa habitacional.

É um tipo de moradia que existe desde os anos 1800, e inclui casas compartilhadas entre grupos de pessoas com os mesmos interesses —como aquelas que querem viver de forma autossustentável.

Cada morador tem uma parte igual da casa, e pode opinar sobre como ela é mantida e quem mais mora lá.

Depois de quase sete anos, o grupo diz acreditar que está a apenas alguns meses de se tornar legalmente uma cooperativa habitacional, o que permitirá a eles ter acesso a subsídios habitacionais para construir sua casa, sem que as famílias tenham que investir dinheiro.

O grupo, formado por oito famílias, quer que o modelo ofereça a seus filhos uma família substituta, além de um local seguro para viverem depois que seus pais tiverem partido.

Para Ellie e os amigos, os planos são mais imediatos.

Eles estão procurando um lugar próximo ao centro da cidade de Swansea, no País de Gales, ideal para sair à noite com os amigos.

Eles gostariam de ter seu próprio quarto e banheiro, mas compartilhar a cozinha e a sala de estar, com espaço para cuidadores residentes.

“Eu só quero meu próprio espaço, e viver os melhores momentos da minha vida”, diz Ellie.

“Poderíamos fazer uma reunião só para mulheres —ou uma noitada só para mulheres.”

“Só quero ser mais independente.”

Elin, 26, planeja morar com Ellie.

A mãe dela, Alison, também acelerou a busca por um lar de longo prazo para a filha, depois de ficar gravemente doente.

“Uma das coisas que Elin sempre me perguntou é: ‘Quem vai cuidar de mim quando você partir?'”, explica Alison, 59.

“Ela adora Lego, e adora Disney. Ela aproveita a vida, mas nós somos 30 anos mais velhos que ela. Não é o ideal para uma mulher de 26 anos passar todo seu tempo social com os pais.”

A expectativa é de que os jovens estejam em seu novo lar em 2026.

Atualmente, o grupo se reúne uma vez por mês para praticar culinária, além de conversar sobre decoração.

Alison disse que os pais haviam considerado a possibilidade de tentar financiar o projeto por conta própria, mas perceberam que corriam o risco de continuar vinculados à vida dos filhos muito tempo depois de terem a capacidade de ajudá-los.

“Queremos que esta seja uma nova maneira de fazer as coisas, uma maneira que mude o sistema”, diz Alison.

‘Espero que morram antes de mim’

No País de Gales, existem cerca de 16 mil adultos com deficiências graves de aprendizagem, mas apenas 4.000 deles vivem em acomodações com suporte.

Acredita-se que os 12 mil restantes (75% do total) ainda vivam com as suas famílias.

“O que sempre nos surpreende é quando as famílias dizem: ‘Espero que morram antes de mim'”, explica Wayne Crocker, da Mencap.

“Ter que pensar nisso é algo terrível para um pai.”

Crocker afirma que a questão da moradia para pessoas com deficiências graves de aprendizagem é “complexa”.

“Muitas pessoas moram com os pais até que, infelizmente, eles falecem”, diz ele.

“Para muitos, isso significa que além do choque e da tristeza de perder a mãe ou o pai, de repente, eles também precisam encontrar acomodações de emergência.”

O governo do País de Gales afirmou estar “comprometido em melhorar a acessibilidade a habitações sociais” —e que tem investido na construção de novas moradias para este fim.

Acrescentou ainda que fornecia subsídios a autoridades locais e associações habitacionais para adaptar as casas.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC.



Leia Mais: Folha

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Foto de capa [internet]

Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.

São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”

A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.

A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.

No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.

 



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