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Os israelenses poderiam ser processados por crimes de guerra na Alemanha? – DW – 15/01/2025
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Uma fundação com sede em Bruxelas ganhou as manchetes internacionais com a sua missão muito específica: processar soldados israelitas suspeitos de crimes de guerra enquanto viajam para o estrangeiro.
Na semana passada, o Fundação Hind Rajab (HRF) foi notícia após a sua tentativa mais bem sucedida até agora de processar um soldado israelita individual. Um juiz no Brasil instruiu a Polícia Federal a investigar Yuval Vagdani, 21, que estava de férias no país. Vagdani já havia postado vídeos e fotos suas destruindo edifícios civis em Gaza, disse a HRF.
Então, esta semana, a HRF apresentou uma queixa contra o major-general Ghassan Alian, chefe do Coordenador de Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT) do governo israelense. Ele é conhecido pelos comentários que fez três dias depois Ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 sobre Israel, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas e o rapto de mais de 250 outros.
“Os animais humanos devem ser tratados como tal”, disse Alian numa mensagem de vídeo dirigida aos habitantes de Gaza. “Não haverá eletricidade nem água. Haverá apenas destruição. Você queria o inferno; você vai conseguir o inferno.”
Sua declaração é frequentemente citada por organizações de direitos como prova da intenção genocida de Israel contra os palestinos. Desde 7 de Outubro de 2023, uma campanha militar israelita em Gaza tem matou mais de 45.000 pessoas.
Na segunda-feira, a HRF disse que Alian estava em Roma numa “visita secreta” e pediu às autoridades italianas que o prendessem.
Campanha internacional
Fundada como uma organização sem fins lucrativos em setembro de 2024 e batizada em homenagem a Hind Rajab, uma menina de seis anos que morreu sozinha no carro de sua família que foi bombardeado pelas forças israelenses, a HRF apresentou queixas semelhantes em todo o mundo, inclusive no Equador, nos Estados Unidos. Emirados Árabes, Sri Lanka, França, Chipre e Tailândia.
As autoridades israelenses afirmam regularmente que a HRF é dirigida por extremistas antissemitas ou anti-Israel, algo que os fundadores da HRF negam.
Em entrevista a um noticiário independente, “Atualização do sistema”no fim de semana, o presidente da HRF, Dyab Abou Jahjah, explicou como eles funcionam.
Durante o ano passado, os soldados israelitas publicaram milhares de vídeos e fotografias nas redes sociais do seu tempo em Gaza. Estes incluem vídeos de soldados que dizem estar a exigir “vingança”, bem como provas de outros comportamentos, como saques, atear fogo a casas, posar ao lado de cadáveres e falar abertamente sobre torturar e exterminar palestinianos.
Os militares israelenses disseram aos soldados para não fazerem ou postarem tais vídeos.
No início de dezembro, o Washington Post verificou cerca de 120 vídeos e descobriu que alguns estavam “registrando efetivamente evidências de possíveis violações do direito humanitário internacional”.
Jahjah explicou que a HRF também utiliza esse tipo de informação de código aberto.
Nem todos os soldados israelitas são alvo, apenas aqueles que cometem possíveis violações, disse ele. Os casos potenciais são preparados quando as evidências surgem, mas só são usados se e quando o suposto autor viaja para o exterior. Advogados voluntários em outros países abrem então os processos contra eles.
Poderia a mesma coisa acontecer na Alemanha?
A HRF ainda não abriu nenhum processo na Alemanha contra soldados israelenses, disse um porta-voz à DW. Mas a lei na Alemanha permitiria a acusação de crimes de guerra cometidos no estrangeiro por estrangeiros, afirma o advogado Alexander Schwarz, co-diretor do Programa de Crimes Internacionais e Responsabilidade no Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos, com sede em Berlim. Ele observou que, desde 2002, a Alemanha incorporou crimes internacionais no seu sistema jurídico com o seu Código de Crimes contra o Direito Internacional, ou CCAIL.
Dos diferentes tipos de crimes internacionaisum “crime de guerra” poderia ser mais facilmente processado, explicou Schwarz. “Por exemplo, um soldado mata ilegalmente um civil em Gaza”, continuou ele. “Mas quando falamos de ‘crimes contra a humanidade’, é muito mais difícil processar porque o limite para provar isso é muito maior.”
Na Alemanha, os procuradores federais também devem decidir se investigam tais casos. Uma organização como a HRF poderia apresentar uma queixa, mas um procurador alemão tem “discrição” sobre se deve proceder quando se trata de crimes que envolvem estrangeiros.
As autoridades alemãs têm poder discricionário quando se trata de não-alemães, mas na verdade são obrigadas por lei a investigar quando alemães são vítimas no estrangeiro, salientou Schwarz. Contudo, um caso envolvendo o Mortes em outubro de 2024 da família germano-palestina Abujadallah de seis pessoasdevido ao bombardeamento israelita de Gaza, aparentemente não foi investigado ao abrigo do direito internacional. Nem o caso da mulher germano-israelense Shani Loukque foi morto no ataque do Hamas em 7 de outubro. Apenas a legislação nacional foi utilizada.
“É por isso que argumentamos que o procurador federal não está cumprindo o seu dever de investigar”, disse Schwarz.
Isto também significa que os procuradores alemães são menos propensos a investigar um caso envolvendo soldados israelitas que viajam na Alemanha, acrescentou.
Kai Ambos, professor de direito penal internacional na Universidade de Göttingen, concorda amplamente. “Temos o CCAIL e a jurisdição universal, e o procurador-geral alemão normalmente agiria se um suspeito estivesse presente na Alemanha. Ele poderia até realizar uma chamada ‘investigação estrutural’ se o perpetrador ainda estivesse no exterior”, disse Ambos à DW. “Mas o caso de Israel é altamente sensível e há certamente oposição política, que pode impactar as investigações contra cidadãos israelenses”.
Sem veredictos
Até agora, as provas da HRF não foram testadas em tribunal. De acordo com uma história recente no semanário dos EUA nova iorquino revista, vários casos estão a avançar nos Países Baixos, na Bélgica e em França, mas até agora nada foi apresentado a um juiz.
No caso brasileiro da semana passada, o soldado israelense apagou suas postagens nas redes sociais e fugiu do país com ajuda do governo israelense.
O caso desta semana em Itália provavelmente também terá problemas, disseram advogados alemães à DW, porque, ao contrário da Alemanha, a Itália não incorporou o direito internacional no seu código jurídico.
Contudo, como forma de “lawfare”, actos definidos como o “uso de acção legal para causar problemas a um oponente”, o HRF teve um impacto.
O New York Times informou na semana passada que as autoridades israelenses estavam minimizando as queixas da HRF, comentando que nenhuma delas havia chegado ao tribunal.
No entanto, todos os incidentes da HRF causaram alvoroço nos meios de comunicação israelitas e, no passado recente, os soldados foram avisados para regressar imediatamente a casa de alguns países, por medo de serem presos.
No final da semana passada, o O exército israelense também reforçou as regras para a cobertura mediática dos soldados, a fim de os proteger de possíveis processos judiciais no estrangeiro. Agora, todos aqueles que servirem sob a patente de coronel não poderão mostrar rostos ou nomes completos ou estar vinculados ao evento de combate específico do qual participaram.
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Editado por: Anne Thomas
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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre
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26 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.
Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.
Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.
O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.
Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.
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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
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23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre
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17 de junho de 2026A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
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