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Os remédios descobertos nas águas do mar – 31/10/2024 – Ciência Fundamental

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Rossana Soletti

Em 1945, nas águas calmas de um recife no Caribe, foi descoberta uma esponja marinha, a Tectitethya crypta. Ao estudá-la, o jovem químico Werner Bergmann, interessado em isolar compostos lipídicos, acabou surpreendido: em vez de gotículas de gorduras, ele encontrou um abundante material cristalino. O composto era muito parecido com os nucleosídeos, as pequenas peças presentes nas fitas de DNA e RNA, como a timidina e a uridina. Dada essa semelhança, as substâncias foram chamadas de espongotimidina e espongouridina.

Os pesquisadores observaram que células humanas tratadas com espongotimidina utilizavam essa substância para sintetizar o DNA, mas a síntese era bloqueada, impedindo a proliferação celular. Tal descoberta, revolucionária, ampliava as possibilidades de tratamento do câncer e de infecções virais, tendo originado medicamentos de grande impacto: os antivirais vidarabina e aciclovir; a citarabina, um dos principais componentes da terapia contra leucemias e linfomas; a gencitabina, utilizada no câncer de mama, pâncreas e pulmão, e o AZT, o primeiro antirretroviral aprovado para o tratamento do HIV.

Por serem criaturas imóveis e com poucos mecanismos de defesa, as esponjas precisaram desenvolver estratégias de sobrevivência e de proteção contra patógenos, como a produção de compostos químicos. Em um oceano lotado de criaturas incomuns e de complexas interações ecológicas, não é raro encontrar substâncias com propriedades úteis aos seres humanos — a vida marinha se destaca pela imensa diversidade estrutural e atividade biológica.

A biotecnologia azul – conhecimento, serviços e produtos criados a partir dos recursos marinhos – já nos fornece medicamentos, alimentos, cosméticos e fertilizantes, entre outros, mas pode nos trazer mais inovação. A área envolve o estudo dos vertebrados e invertebrados marinhos, como as esponjas, anêmonas e gastrópodes; e das algas e dos microrganismos, como fungos, bactérias e microalgas. A pesquisa biotecnológica azul implica a descoberta dos organismos e suas características, os compostos que produzem e suas funções biológicas. As múltiplas oportunidades que ela oferece requerem um investimento que inclui o financiamento de expedições marinhas, a manutenção de laboratórios bem equipados e a própria conservação oceânica.

Dos milhares de produtos testados – com centenas de substâncias com potencial aplicação tecnológica ou farmacológica –, chegam ao mercado poucas dezenas, em geral com grande valor agregado e potencial para promover o desenvolvimento social e econômico e melhorar a qualidade de vida da população.

Tesouros farmacológicos podem estar escondidos até mesmo em bactérias das gélidas águas da Antártida. A maioria dos produtos marinhos está por ser descoberta, e estima-se que os medicamentos a serem desenvolvidos contra o câncer a partir dessas fontes representem um retorno de mais de 5 trilhões de dólares. Investir na biotecnologia azul do Brasil, com sua extensa costa e rica diversidade biológica e química, poderá alavancar a ciência e o desenvolvimento social e econômico nacional.

*

Rossana Soletti é farmacêutica e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O blog Ciência Fundamental é editado pelo Serrapilheira, um instituto privado, sem fins lucrativos, de apoio à ciência no Brasil. Inscreva-se na newsletter do Serrapilheira para acompanhar as novidades do instituto e do blog.


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Cerimônia do Jaleco marca início de jornada da turma XVII de Nutrição — Universidade Federal do Acre

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No dia 28 de março de 2026, foi realizada a Cerimônia do Jaleco da turma XVII do curso de Nutrição da Universidade Federal do Acre. O evento simbolizou o início da trajetória acadêmica dos estudantes, marcando um momento de compromisso com a ética, a responsabilidade e o cuidado com a saúde.

 

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Ufac realiza aula inaugural do MPCIM em Epitaciolândia — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza aula inaugural do MPCIM em Epitaciolândia — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a aula inaugural da turma especial do mestrado profissional em Ensino de Ciência e Matemática (MPCIM) no município de Epitaciolândia (AC), também atendendo moradores de Brasileia (AC) e Assis Brasil (AC). A oferta dessa turma e outras iniciativas de interiorização contam com apoio de emenda parlamentar da deputada federal Socorro Neri (PP-AC). A solenidade ocorreu na sexta-feira, 27.

O evento reuniu professores, estudantes e representantes da comunidade local. O objetivo da ação é expandir e democratizar o acesso à pós-graduação no interior do Estado, contribuindo para o desenvolvimento regional e promovendo a formação de recursos humanos qualificados, além de fortalecer a universidade para além da capital. 

A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Lima Carvalho, ressaltou que a oferta da turma nasceu de histórias, compromissos e valores ao longo do tempo. “Hoje não estamos apenas abrindo uma turma. Estamos abrindo caminhos, sonhos e futuros para o interior do Acre, porque quando o compromisso atravessa gerações, ele se transforma em legado. E o legado transforma vidas.”

 



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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.

A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.

Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.

Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.

Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.



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