NOSSAS REDES

ACRE

OTAN revisará estratégia sobre como enfrentar a guerra híbrida – DW – 12/05/2024

PUBLICADO

em

Como ministros das Relações Exteriores do Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) atacaram Bruxelas esta semana, o combate à guerra híbrida estava no topo da agenda. A guerra híbrida é a utilização de meios convencionais e não convencionais que ficam aquém de uma guerra total e, no entanto, criam instabilidade nos países visados.

Os aliados da OTAN decidiram aumentar a partilha de informações, reforçar a cooperação com empresas privadas e tornar as infraestruturas críticas mais resilientes para enfrentar a guerra híbrida no meio de casos crescentes de suspeita de sabotagem em território da OTAN.

“Nos últimos anos, a Rússia e a China tentaram desestabilizar as nossas nações com actos de sabotagem, ataques cibernéticosdesinformação e chantagem energética para nos intimidar”, afirmou o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte. “Os aliados da OTAN continuarão a unir-se para enfrentar estas ameaças através de uma série de medidas, incluindo uma maior partilha de informações e uma melhor protecção de infra-estruturas críticas.”

Dois cabos de telecomunicações de fibra óptica no Mar Báltico foram cortadas no mês passado, uma ligando a Finlândia à Alemanha e a outra da Suécia à Lituânia, enquanto um navio chinês estava nas proximidades.

Este é o caso mais recente numa lista cada vez mais longa daquilo que a NATO suspeita serem actos planeados e coordenados de guerra híbrida instigados directamente por ou a mando de Moscovo.

Um alto funcionário da NATO que falou sob condição de anonimato disse que, à medida que a Rússia demonstra um “ausente apetite pelo risco”, a aliança estava a rever a sua estratégia de 2015 no combate à guerra híbrida para a reforçar com mais medidas.

Ministros das Relações Exteriores da OTAN discutem ameaça de ataques híbridos

Para ver este vídeo, ative o JavaScript e considere atualizar para um navegador que suporta vídeo HTML5

Infraestruturas resilientes, mais cooperação entre os Estados-Membros e com empresas privadas

De acordo com um New York Times relatório No início deste ano, a Rússia tentou vários ataques híbridos contra membros da NATO, incluindo ataques incendiários num armazém no Reino Unido, numa fábrica de tintas na Polónia e numa loja Ikea na Lituânia.

Embora a Rússia tenha uma miríade de armas no seu conjunto de ferramentas de guerra híbrida, incluindo ataques cibernéticos e campanhas de desinformaçãoos meios submarinos da OTAN emergiram entre os mais vulneráveis ​​à sabotagem. Milhões de quilómetros de cabos e condutas submarinos passam debaixo de água para permitir comunicações e fornecer energia às pessoas nos países da NATO.

Entre as ideias que circulam pela NATO estão uma melhor protecção física das infra-estruturas subaquáticas, como enterrar cabos no fundo do mar e cobrir oleodutos e gasodutos com materiais mais duros, como o betão. Os especialistas acreditam que isso poderia criar uma camada extra de proteção contra arrastões e âncoras. Outra sugestão é colocar cabos falsos, para confundir o inimigo.

Um homem se preparando para instalar um cabo submarino de telecomunicações no fundo do Mar Báltico a partir da base militar da ilha de Santahamina, em Helsinque, Finlândia.
Os cabos de telecomunicações subaquáticos como este no Mar Báltico fazem parte da infra-estrutura crítica da OTAN que é cada vez mais vulnerável à sabotagem por parte de intervenientes estatais e não estatais. Imagem: Heikki Saukkomaa/Lehtikuva/AFP/Getty Images

Os aliados também estão se concentrando na vigilância consistente da infraestrutura submarina para permitir-lhes não apenas identificar o culpado, mas também apressar os navios próximos e responsabilizá-los. Os especialistas acreditam que tais medidas poderiam dissuadir futuras tentativas de sabotagem.

“A OTAN está a falar de uma vigilância consistente da sua infra-estrutura submarina crítica, de uma gravação de vídeo ou de algum tipo de dados”, que possa ajudar a identificar o perpetrador, “como na superfície e até mesmo drones subaquáticos instalados com câmaras”, disse Rafael Loss, um político. bolsista do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) e especialista em segurança e defesa na área euro-atlântica, disse à DW.

Dado que os intervenientes privados são frequentemente proprietários da infra-estrutura sob ataque, a OTAN prevê uma maior cooperação com as empresas que podem partilhar informações rapidamente. Após a sabotagem dos gasodutos Nord Stream no ano passado, A OTAN estabelecida uma nova Célula de Coordenação de Infraestruturas Submarinas para coordenar esforços com o setor privado.

Um cabo debaixo d'água
A OTAN decidiu aumentar a cooperação com intervenientes privados que possuem infraestruturas subaquáticas de cabos e oleodutosImagem: AFP

A OTAN não está pronta para nomear e envergonhar

Embora as provas circunstanciais em vários casos apontem para os suspeitos do costume, os estados membros da NATO estão divididos quanto a nomear e envergonhar na ausência de provas sólidas que estabeleçam a cadeia de comando, que os especialistas dizem ser difícil de obter em casos de guerra híbrida.

Alguns especialistas sugerem que há também considerações políticas e económicas em jogo.

“Você realmente quer culpar a liderança estatal chinesa pelo que poderia equivaler a um ato de agressão quando o relacionamento é extremamente complexo?” perguntou Loss do ECFR, destacando os laços comerciais entre Pequim e a UE. “Alguns também esperam que a China possa desempenhar um papel na difusão da guerra na Ucrânia e na política climática global”.

No entanto, há apelos crescentes para que, se necessário, a OTAN possa invocar o Artigo 5º, ou pelo menos apresentá-lo como uma ameaça para dissuadir Moscovo.

Alemanha alerta para sabotagem após corte de cabos

Para ver este vídeo, ative o JavaScript e considere atualizar para um navegador que suporta vídeo HTML5

Irá a OTAN invocar o Artigo 5.º contra a guerra híbrida?

Alguns acreditam que a OTAN pode invocar o Artigo 5 do Tratado da OTAN – que apela a todos os Estados-membros para que saiam em defesa de qualquer membro sob ataque – no caso de um ataque híbrido ultrapassa um certo limite.

“O uso extensivo de medidas híbridas pela Rússia aumenta o risco de que a OTAN acabe por considerar invocar a sua cláusula de defesa mútua do Artigo 5”, disse o chefe da inteligência alemã, Bruno Kohl, num evento de think tank em Berlim, na semana passada.

Eitvydas Bajarunas, ex-vice-embaixador na Missão da Lituânia junto à OTAN em Bruxelas e atualmente membro visitante do Centro de Análise de Política Europeia (CEPA), disse à DW que na última cimeira da OTAN, em julho de 2024, os líderes aliados reafirmaram que se o sistema híbrido Se as operações contra os Estados-Membros escalarem até ao nível de um ataque armado, poderá potencialmente levar à invocação do Artigo 5.º.

No entanto, os especialistas dizem que a Rússia está ciente dos cálculos e provavelmente manterá a gravidade dos ataques um pouco abaixo do ponto que parece ser uma guerra total.

De acordo com o próprio relatório da OTAN definição “a guerra híbrida implica uma interação ou fusão de instrumentos de poder convencionais e não convencionais e ferramentas de subversão.” No entanto, estas definições são ambíguas, tornando difícil a atribuição e, portanto, uma resposta.

Os governos europeus expulsaram mais de 700 espiões russos que se faziam passar por diplomatas desde que Moscovo invadiu a Ucrânia em 2022. Mas os ataques híbridos não pararam e a Rússia continua a esconder-se atrás dessa ambiguidade.

Editado por: Carla Bleiker



Leia Mais: Dw

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard - interna.jpg

Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.

A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.

O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.

Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.

A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.

A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.

Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio-interna.jpg

A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS