ACRE
Perder meu apartamento ‘assombrado’ e mofado foi horrível. Jurei que o recuperaria – e consegui | Clara Jackson
PUBLICADO
2 anos atrásem
Claire Jackson
Cestamos brincando com uma casinha Playmobil. Bem, o filho do meu amigo está brincando com ele. Estou movendo meu familiar de plástico, inseguro, pelo que é, proporcionalmente falando, uma sala cavernosa, aguardando sua próxima instrução. A criança pega uma seleção de produtos da linha branca em miniatura. “Este é um retrato incrivelmente irreal do tipo de casa em que a maioria das pessoas vive”, digo a ele. Ele tagarela alegremente, pegando um pequeno utensílio de cozinha.
As casas de brinquedo – com suas grandes fachadas quadradas, grandes portas frontais, chaminés fumegantes, muitas janelas, grama dos dois lados – têm pouca semelhança com a maioria dos arranjos de moradia. Ficamos (um pouco) melhores em reconhecer que a mãe não precisa ir para a cozinha enquanto o pai está fora (com o barco?), mas esses produtos ainda nos prendem ao sonho capitalista de ter uma casa própria. Entre uma infinidade de acessórios, a Playmobil oferece uma extensão de cerca de casa de bonecas vitoriana, uma banheira com pés e móveis de terraço de jardim.
Aos 27 anos, encontrei a casa dos meus sonhos da Barbie. Mais especificamente, encontrei quatro janelas e uma porta de entrada partilhada com outras duas famílias. Ficava em um antigo prédio reformado, cercado por campos e bosques. Já corria há anos – aqui poderia parar; talvez até descanse. Durante 28 meses, os sintomas das minhas diversas condições foram atenuados por longas caminhadas e identificação de flores silvestres. O apartamento não era perfeito – não havia aquecimento central, as janelas eram de vidro simples e um mofo preto peculiarmente teimoso espalhava-se pelas paredes – e eu adorei. “Como você está indo aí?” o carteiro perguntou curioso. “Você sabe que deveria ser assombrado.”
O casal que morava lá anteriormente havia se separado em parte por causa do estresse da “assombração”. Panelas apareceram no meio da sala. (Provavelmente um tipo estranho de iluminação a gás, pensei, embora essa palavra não existisse na época.) O prédio era um lugar onde as mulheres vinham em meados do século 20 para ter seus filhos ilegítimos, além de abrigar membros da comunidade com necessidades adicionais. Estávamos escondidos aqui, seguros para viver de uma forma que não deixava os outros confortáveis. Alimentei um pica-pau verde; Eu ouvi o grito das corujas. A segurança vacilou. E então foi extinto. Alguns conselhos inadequados do banco relativamente aos pagamentos de empréstimos em curso levaram a uma dívida crescente – já não conseguia pagar a renda.
Eu disse a um amigo que um dia recuperaria aquele apartamento. Vivendo incansavelmente no mundo real, ele me informou – de forma perfeitamente razoável – que isso era altamente improvável. Era. A crise de crédito estava consumindo as revistas para as quais escrevia como um grotesco Pac-Man. O título de música clássica em que trabalhei já durava nove anos, mas seus dias estavam contados.
Sonhei com minha antiga casa em um anexo suburbano de uma vovó. Então o apartamento foi colocado à venda e, por causa de sua conversão aleatória e má manutenção, era excepcionalmente acessível para uma vila de Surrey no estilo Midsomer Murder, repleta de casas no estilo Playmobil. Um colega comentou como era barato – esquecendo que as coisas só são baratas se você tiver bastante. Caso contrário, eles são simplesmente acessíveis ou não. Não era acessível para mim e foi vendido.
Às vezes eu visitava lugares antigos. Ex-vizinhos, agora amigos queridos, partilhavam as suas casas, o que me permitiu caminhar penosamente pelos prados e alcançar as árvores perdidas. Eu era um frequentador assíduo da festa da aldeia; o tipo em que você pode comprar Jilly Coopers e livros de capa dura suficientes para durar um ano – 50 centavos por sacola – e, minha maior compra de todos os tempos, uma máquina de café Gaggia funcional por 10 centavos que alimentou uma década de prazos.
Alguns anos depois, a vigilância online revelou que o apartamento estava novamente à venda. Os fantasmas estavam do meu lado? Eu estava longe de ser solvente, mas visitei o agente mesmo assim. Várias coisas milagrosas aconteceram: uma hipoteca foi garantida e ganhei uma licitação fechada contra outro casal (que felizmente acabou morando na casa ao lado). “Estou tão feliz que você não se importe que seja mal-assombrado”, disse o agente, aliviado por saber que eu já morava lá.
As coisas mudaram, ocasionalmente. A manga de uma jaqueta balançou uma noite. Outro dia, ocupado com o prazo de imprensa, ouvi meu vizinho de baixo tocando um coral bem alto. Desci para perguntar educadamente se ele poderia recusar. Ele sorriu; ele não estava tocando nada – ele não tinha sistema de som. (Eu tinha dado a ele sua única TV pouco tempo antes, então isso era totalmente verossímil.) Ele também tinha visto freiras caminhando; orando.
Quando criança, eu tinha o hábito irritante de ler o último capítulo de um livro. Não gosto de não saber para onde as coisas vão, e a vida não costuma lhe dar essa opção. Quando digo às pessoas que agora tenho a hipoteca de um apartamento que aluguei e para o qual sonhei voltar, tudo parece preconcebido, simples – e, graças à preponderância dos animais da floresta, um pouco Disneyfeito. Geralmente não é apropriado mencionar a depressão maníaca, a dívida crescente e a solidão absoluta quando todos ao seu redor parecem estar se divertindo ao cumprir os objetivos de vida do Playmobil.
É muito “viva a vida amor” dizer que “casa não é lugar, é com quem você está”, etc (veja também: “casa é onde está o cachorro”). Suspeito que essas palavras foram escritas por pessoas que têm casas muito bonitas. É verdade que a nossa identidade, o nosso trabalho e os nossos entes queridos nos tornam quem somos. Mas é muito mais fácil trabalhar nessas coisas num espaço seguro e acessível – num lugar que você ama, onde os fantasmas podem estar em paz.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Plácido de Castro e Acrelândia recebem graduações da Ufac — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
16 horas atrásem
28 de julho de 2026O programa de interiorização da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), da Ufac, realizou a aula inaugural dos cursos de Enfermagem, em Plácido de Castro (AC), e Letras/Português, em Acrelândia (AC). Ambos os cursos contemplam alunos dos dois municípios. Após a cerimônia, que ocorreu nessa segunda-feira, 27, foram distribuídos kits estudantis de boas-vindas aos discentes.
Os eventos ocorreram na Câmara Municipal de Plácido de Castro, para Enfermagem, e no Centro Estadual de Educação Permanente, polo educacional de Acrelândia, para Letras/Português, reunindo autoridades da Ufac e representantes dos municípios.
A reitora Guida Aquino ressaltou que levar a Ufac para além da capital é uma estratégia fundamental para ampliar o acesso à educação superior e impulsionar o desenvolvimento do Estado. Segundo ela, a presença da instituição no interior permite que estudantes permaneçam em suas comunidades enquanto constroem sua formação acadêmica, fortalecendo a inclusão educacional e reduzindo desigualdades.
Para o prefeito de Plácido de Castro, Camilo da Silva (PP), a ampliação da oferta de cursos da Ufac representa um marco para os municípios. “Quero parabenizar a reitora Guida Aquino pela visão e pelo compromisso com o povo acreano”, disse. “A implantação de novos cursos de graduação no interior, chegando a atender 16 municípios do Acre, demonstra sensibilidade com as necessidades dos nossos municípios e um olhar voltado para o futuro.”
Também participaram da solenidade, em Plácido de Castro, o diretor de Apoio à Interiorização e de Programas Especiais, Marcelo Feliciano de Melo; o coordenador do curso de Enfermagem, João Francalino da Rocha; o presidente da Câmara Municipal de Plácido de Castro, Rogério Ribeiro (PP); a representante do Coren-AC, Iunaira Cavalcante; a representante do Sindicato dos Enfermeiros do Acre, Ionara Araújo.
Também participaram da solenidade, em Acrelândia, o diretor de Apoio à Interiorização e de Programas Especiais, Marcelo Feliciano de Melo; o coordenador do curso de Letras/Português, Sérgio da Silva Santos; o vice-diretor do Centro de Educação, Letras e Artes, Micael Carmo Côrtes Gomes; o vice-prefeito de Plácido de Castro, Luiz Américo Azimoto (Republicanos); o presidente da Câmara Municipal de Acrelândia, Vitor Martinelli (União).
Relacionado
ACRE
Alunos da Ufac se apresentam em congresso sobre socioeconomia rural — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 dias atrásem
27 de julho de 2026Quatro estudantes de graduação da Ufac representaram a instituição no 64º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober, na sigla em inglês), ocorrido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de 19 a 23 de julho, com o tema “Políticas para Natureza, Alimentação e Nutrição em Tempos de Incerteza e Mudanças Climáticas”.
Os trabalhos, desenvolvidos no âmbito dos grupos de pesquisa Estudos em Economia, Finanças, Política e Segurança Alimentar e Nutricional (Elos) e Governança Fundiária, Desenvolvimento Econômico e Políticas Públicas (GPD), contaram com a coautoria e orientação dos professores e coordenadores dos grupos, Graziela Gomes Bezerra, Elyson Ferreira de Souza e Gisele Elaine de Araújo Batista Souza.
Cultivo do cacaueiro
O aluno de Sistemas de Informação, Guilherme Félix Cavalcante, apresentou, na quarta-feira, 22, o trabalho “Cacauicultura na Região Norte: Análise do Desempenho Produtivo, Dinâmica Comercial e Sustentabilidade”. O estudo aborda a cacauicultura e oferece uma análise do desempenho produtivo, da dinâmica comercial e dos aspectos de sustentabilidade, fornecendo dados para o desenvolvimento rural, territorial e regional, além de subsidiar práticas mais sustentáveis para a cadeia produtiva do cacau.
“A participação no evento é um marco significativo em minha formação acadêmica”, disse Guilherme. “Dissemina os resultados da minha pesquisa e fomenta o desenvolvimento de habilidades de comunicação, pensamento crítico e construção de uma rede de contatos profissionais.”
Bananicultura no Acre
A aluna de Ciências Econômicas, Maria Eduarda Souza Diniz, apresentou, na quarta-feira, 22, o trabalho “Desenvolvimento Produtivo e Dinâmica da Bananicultura no Acre: Uma Análise da Produção e dos Mercados (1994-2024)”, o qual analisa a evolução da bananicultura no Acre durante três décadas, contribuindo para o entendimento das transformações produtivas e comerciais desse setor, além de fornecer subsídios para o fomento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural, territorial e regional.
“O congresso proporciona um ambiente de aprendizado e troca de experiências com outros pesquisadores e profissionais da área”, contou Maria Eduarda. “Isso enriquece minha formação e contribui para consolidação da Ufac como um polo de produção científica de excelência.”
Mulheres na gestão
A aluna de Ciências Econômicas, Riely Nilce de Melo Avilar, apresentou, na terça-feira, 21, o trabalho “Mulheres na Gestão de Propriedades Rurais na Amazônia Legal”. A pesquisa trata da atuação feminina no desenvolvimento regional e contribui para o debate sobre agricultura familiar, ruralidades e relações de gênero no meio rural, oferecendo perspectivas para promoção da equidade e do desenvolvimento sustentável na região. Esse estudo teve, ainda, coautoria de Raiza Gabriele Lima dos Santos.
“Apresentar um trabalho num congresso de relevância nacional, como o da Sober, e para uma audiência especializada é fundamental para minha formação profissional e promoção de intercâmbios”, pontuou Riely.
Milho e inflação
O aluno de Ciências Econômicas, Rogério Gonçalves Bezerra Junior, apresentou, na segunda-feira, 20, o trabalho “Análise da Inflação na Cadeia Produtiva do Milho: Evidências a Partir de Dados de Produção”, com o qual investigou como fatores econômicos afetam a produção do milho e o custo de vida, servindo como base para formuladores de políticas públicas e agentes do mercado.
“Além de projetar a pesquisa desenvolvida na Ufac para um público qualificado, tive a oportunidade de uma experiência inestimável de intercâmbio científico”, comentou Rogério. “Também destaco a discussão de ideias, o recebimento de feedback e a mobilização de contatos.”
Relacionado
ACRE
Ufac lança Plano de Acessibilidade da Infraestrutura Física (2026-2029) — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
20 de julho de 2026A Ufac lançou seu Plano de Acessibilidade da Infraestrutura Física (2026-2029). A solenidade ocorreu na sexta-feira, 17, no auditório Pedro Martinello, no Centro de Convenções, campus-sede. A iniciativa integra o projeto “Ufac em Ação: Acessibilidade, Inclusão e Segurança” e busca orientar as ações destinadas à construção de uma universidade mais acessível, inclusiva e segura.
A reitora Guida Aquino destacou que a instituição já realizou melhorias de acessibilidade, mas ainda precisa avançar e buscar recursos para executar as ações previstas no plano. “Nós temos que buscar agora investimento para que possamos acolher nossos estudantes; a universidade não existe sem aluno.” Segundo ela, essas iniciativas devem atender também os servidores que necessitam de condições adequadas de acessibilidade.
O coordenador do projeto e prefeito do campus-sede, Artheson Cruz, explicou que o crescimento da infraestrutura física da Ufac ocorreu em diferentes períodos, com edificações construídas de acordo com normas distintas. Essa situação, para ele, resultou na existência de espaços acessíveis que não estão completamente conectados entre si.
“Você entra em um prédio que tem acessibilidade e, quando sai daquele local, já se depara com uma situação de ausência da acessibilidade”, disse e ressaltou que o aumento do número de pessoas com deficiência que ingressam na universidade exige a adequação dos espaços para garantir dignidade, autonomia, permanência e conclusão dos cursos.
O plano estabelece diretrizes para superar progressivamente os desafios de acessibilidade no campus-sede, no campus Floresta e nos núcleos da Ufac no Estado. Para a elaboração do documento, foram realizados levantamento técnico da infraestrutura e escuta qualificada com pessoas surdas, com deficiência visual e autistas.
A representante do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, Rayfa Almeida, destacou que a efetivação das medidas é fundamental para garantir o acesso e a permanência das pessoas com deficiência na universidade. “Esperamos que seja concretizado realmente, que seja efetivo para as pessoas com deficiência conseguirem finalizar seus cursos.”
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login