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Por que a bandeira do Panamá é tão popular entre os armadores? – DW – 17/01/2025

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Quase ao mesmo tempo que uma operação para assegurar o Petroleiro Eventin encalhado na costa da Alemanhaoutro navio-tanque – chamado Jazz – que partiu da Rússia relatou problemas no Mar Báltico, perto de Rügen, a maior ilha da Alemanha. Segundo relatos da agência, a tripulação conseguiu resolver os problemas ligados à falha do motor que ela mesma havia relatado. O petroleiro está agora atracado na costa de Skagen, no norte da Dinamarca. É aqui também que o Eventin deveria ser realizado, mas a partir de quinta-feira Alemão as autoridades não estavam permitindo que ele continuasse sua jornada.

Ao contrário do Eventin, o Jazz não aparece no “frota sombra” documento compilado pela organização ambientalista Greenpeace, que lista “petroleiros anteriormente não sancionados com mais de 15 anos que exportaram petróleo da Rússia várias vezes desde o início da guerra”. Existem cerca de 190 desses navios na lista. Pensa-se que a Rússia esteja a utilizar navios-tanque que voam sob uma bandeira diferente para contornar a embargo internacional de petróleo que foi imposta após a sua invasão em grande escala da Ucrânia em Fevereiro de 2022.

O Eventin e o Jazz têm em comum o fato de navegarem sob a bandeira do Panamá. Por que a bandeira deste país sul-americano é tão popular?

Um petroleiro no mar
Muitas companhias marítimas optam por arvorar a bandeira do Panamá para evitar certas regulamentaçõesImagem: imagem aliança/AA

Procedimento fácil de registro de navio

Uma possível razão é o procedimento fácil de registro do navio. Panamáopera um registo aberto e qualquer pessoa ou entidade, independentemente da nacionalidade, é elegível para registar um navio sob a sua bandeira. O número de navios registrados não é restrito.

O país centro-americano, que possui 4,4 milhões de habitantes, tem muito mais navios registrados do que outros estados. De acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), cerca de 16% dos navios mercantes do mundo navegaram sob a bandeira do Panamá em 2023. No ano passado, o The Maritime Executive, uma plataforma de mídia, disse que o Panamá fechou 2023 com 8.540 navios, o que o tornou o maior registro em número de embarcações.

Cortando custos com uma bandeira de conveniência

Segundo Alexander Proelss, professor de Direito Marítimo Internacional da Universidade de Hamburgo, “o Panamá é um típico estado de bandeira de conveniência”. Ele disse à DW que esses estados permitem que “as companhias marítimas registrem seus navios a custos comparativamente baixos e, assim, arvorem a bandeira”. Ele disse que isso permitiu que certos padrões salariais e regulamentos de transporte fossem contornados. Entretanto, para o Panamá, o registo representa um negócio lucrativo.

Proelss disse que o problema é conhecido há décadas e que não poderia ser facilmente resolvido à luz do princípio da soberania da bandeira no direito marítimo. Ele disse que as tentativas anteriores de corrigir o problema falharam.

Frota de Putin: espionagem russa no Mar Báltico

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Um costume que remonta à era da Lei Seca

“Sinalizar” e usar a bandeira do Panamá é uma prática que remonta ao fim da Primeira Guerra Mundial e à era da Lei Seca, quando o álcool era proibido nos navios dos EUA, mas não nos que arvoravam a bandeira do Panamá. Foi então que foi introduzido o registo aberto, também para evitar o pagamento de salários mais elevados e para oferecer as melhores condições de trabalho estipuladas pela legislação norte-americana. Depois que o Panamá veio Honduras e Libéria. De acordo com um blog da Universidade de Bremen, a prática cresceu na década de 1980.

Foi recebido com críticas e Estados europeus tentou contrariar a tendência abrindo registos offshore que deveriam oferecer melhores condições aos armadores. O registo offshore ou de dependência significa que os navios são registados em territórios cuja administração geral cabe a um estado-mãe ou bandeira, mas geralmente os regulamentos são menos rigorosos e os impostos mais baixos.

Dois homens usando chapéus de velejador despejam uísque no ralo
Durante a era da Lei Seca, o álcool também não era permitido nos navios dos EUAImagem: Coleção Everett/aliança de imagens

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, um tratado multilateral frequentemente referido como uma “constituição para os mares”, estipula que deve haver uma “ligação genuína” entre um Estado e o navio que arvora a sua bandeira.

No entanto, o Tribunal Internacional do Direito do Mar esclareceu há vários anos que este critério não restringe o direito de um Estado atribuir a sua bandeira a um navio. Deve apenas garantir o desempenho das funções do Estado de bandeira após a concessão da bandeira.

Pouco a fazer no direito marítimo internacional

Geralmente, é impossível proibir os navios de navegar sob bandeira “estrangeira” ou de cruzar determinadas águas. Proelss disse à DW que “uma proibição geral de navegação para petroleiros suspeitos não é compatível com o direito marítimo internacional”. Ele disse que isso poderia, na melhor das hipóteses, ser introduzido para navios que arvoram bandeira russa.

No que diz respeito às questões de segurança, há alguns progressos no Panamá. De acordo com o The Maritime Executive, as autoridades anunciaram que 160 navios foram retirados do registo de navios em 2022. A sua idade média era alegadamente de 17 anos. Incluíam quase 80 navios de pesca, suspeitos de estarem envolvidos em pesca não registada e não regulamentada.

Este artigo foi traduzido do alemão.



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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